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Recuperação das ações americanas perde força com tensão envolvendo o Irã

Bloomberg

Operadores trabalham no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). | Foto: Michael Nagle/Bloomberg
Operadores trabalham no pregão da Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). | Foto: Michael Nagle/Bloomberg

A recuperação das ações nos Estados Unidos após o nervosismo da semana passada com inteligência artificial perdeu força no início desta quinta-feira (19), na medida que manchetes geopolíticas deixaram os investidores cautelosos.

O índice S&P 500 recuava 0,3% às 9h33 em Nova York, enquanto o Nasdaq 100, mais concentrado em tecnologia, caía 0,4%. O chefe da agência nuclear das Nações Unidas alertou que a janela para o Irã alcançar um acordo diplomático sobre suas atividades atômicas pode estar se fechando.

“Embora possa haver alguma volatilidade inicial em função de um conflito no Irã, acreditamos que os mercados tenderiam a olhar além disso rapidamente”, disse Dennis Follmer, diretor de investimentos da Montis Financial, em e-mail. “Dada a probabilidade de uma solução diplomática e o fato de que a volatilidade decorrente de um conflito armado seria relativamente contida, não vemos necessidade de mudanças nos portfólios.”

As preocupações persistentes com inteligência artificial também continuam a pesar sobre o sentimento, com dois temores principais dominando Wall Street. De um lado, investidores receiam que os gastos robustos das gigantes de tecnologia dos EUA não gerem lucros suficientes para justificar os investimentos. De outro, há a preocupação de que a IA torne diversos setores obsoletos.

Os investidores também analisaram uma série de dados econômicos divulgados pela manhã. Os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caíram no maior ritmo desde novembro, reforçando sinais de estabilização do mercado de trabalho. Já o déficit comercial americano aumentou em dezembro, encerrando um ano marcado por políticas tarifárias voláteis.

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O S&P 500 tem mostrado sinais de um mercado sob pressão, negociando recentemente em uma faixa estreita entre aproximadamente 6.800 e pouco abaixo de 7.000 pontos. Os investidores reduziram sua exposição a ações ao menor nível desde julho, segundo pesquisa da National Association of Active Investment Managers.

Enquanto isso, a versão equiponderada do índice acumula alta de quase 6% no ano, à medida que investidores buscam oportunidades além das grandes empresas de tecnologia. O diretor de investimentos e estrategista-chefe de ações dos EUA do Morgan Stanley, Mike Wilson, afirmou que a ampliação do rali já está em curso, com a economia americana iniciando um novo ciclo.

“Há várias partes da economia que estiveram praticamente em recessão nos últimos três anos e que agora começam a emergir”, disse em entrevista à Bloomberg Television.

A Walmart, considerada um termômetro do consumo nos EUA, divulgou projeção de lucro anual abaixo das expectativas mais elevadas do mercado, citando o cenário imprevisível do comércio e do mercado de trabalho.

No fim do quarto trimestre, as megacaps de tecnologia eram as ações mais subponderadas em relação ao seu peso no S&P 500 em 17 anos, segundo análise do Morgan Stanley com base em documentos regulatórios. Em outro levantamento, o Goldman Sachs apontou que cerca de 57% dos fundos de ações de grande capitalização superam seus benchmarks no ano — o maior percentual desde 2007.

Entre os destaques individuais, as ações da Deere & Co. avançaram após a maior fabricante mundial de máquinas agrícolas elevar sua projeção de lucro anual, antecipando uma esperada recuperação no setor agrícola. Já a Carvana enfrentou pressões após custos mais altos comprimirem margens no último trimestre, levando as ações a forte queda.