Haddad diz que BC pode “contribuir ou prejudicar” o país e destaca baixa qualidade do debate fiscal

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que deixará a pasta em breve e já indicou para seu substituto o atual secretário-executivo, Dario Durigan, evitou falar de seu futuro político, deixando a porta aberta para uma eventual candidatura ao governo paulista ou mesmo ao Senado. Durante participação no painel “Cenário Econômico 2026”, do CEO Conference Brasil 2026, fórum pelo BTG Pactual, Haddad evitou sinalizar seus próximos passos e fez um balanço de sua atuação na pasta. O ministro defendeu avanços sociais, a relação dívida/PIB em queda e pediu por um debate menos superficial sobre o tema fiscal. A atuação do Banco Central também ocupou parte relevante do painel.
Na visão do ministro, nada justifica o juro real próximo de 9% – Selic menos inflação – nos níveis atuais. “Não vejo motivos para a continuidade da alta do juro real. Com Selic a 15% e inflação em queda, o juro real segue em alta. É importante dizer que minha avaliação não tem como objetivo macular a reputação do BC, mas promover uma reflexão sobre o tema”, afirmou Haddad. “Com um juro real desse patamar, ninguém consegue contrapor com nenhum nível de superávit primário.” Durante o painel, o ministro chegou a afirmar que é “muito importante cuidar do BC, que pode contribuir ou prejudicar o país”.

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Questionado sobre o episódio envolvendo o Banco Master, Haddad destacou que após Gabriel Galípolo assumiu o BC, o Master “teve seu crescimento estancado”.“A partir da posse do Galípolo, começou um trabalhou de olhar o balanço no detalhe e foi descoberta uma fraude de R$ 12 bilhões”, comentou Haddad, acrescentando que sobre “negligência da gestão anterior”, não é ele quem tem que responder. “Não só Master, mas Reag. Tenho o dever de barrar isto (atividades criminosas) e não perderia a oportunidade de fazer estando na Fazenda. É atribuição da Receita Federal fiscalizar e conseguimos, com provas robustas, desbaratar o esquema da Reag.”
Durante do painel do BTG Pactual, em vários momentos o ministro da Fazenda destacou o nível da discussão sobre política fiscal como de “baixa qualidade técnica”. Segundo ele, o tema tem sido explorado pela imprensa, mas, em geral, “monopolizado por desinformação”. “O tema da política fiscal mais discutido nos últimos três anos é de baixa qualidade técnica. O governo Lula herdou dívidas contratadas pelo governo de Bolsonaro, com a PEC do Calote e o não pagamento de precatórios”, comentou Haddad. “O tema da dívida pública não é uma coisa simples. Gastos anteriores não podiam ser desfeitos. E ainda assim fomos avançando....vamos entregar a pasta com números, dados econômicos que nem a Faria Lima esperava.”
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