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Operações de hedge cambial aumentam no Brasil, com fim do otimismo eleitoral 

Redação Capital Aberto

Os investidores brasileiros estão cada vez mais se protegendo contra a queda do real depois que o ex-presidente Jair Bolsonaro declarou apoio ao seu filho nas eleições do ano que vem, em vez de apoiar Tarcisio de Freitas, o favorito dos investidores.

A postura defensiva pode ser observada pela alta do indicador conhecido como reversão de risco de 25 deltas, que significa que os investidores estão vendo uma probabilidade maior de queda do real brasileiro do que de alta em relação ao dólar americano. O indicador trimestral subiu para 3,9% logo após Flávio Bolsonaro anunciar sua candidatura e o apoio de seu pai, em 5 de dezembro, o maior nível desde julho de 2020.

“A venda abrupta” desencadeada pelo anúncio de Flávio “confirma que os mercados se tornaram excessivamente complacentes em relação ao que se esperava ser uma operação de carry trade muito simples, pelo segundo ano consecutivo”, disse Thierry Larose, gestor de carteiras da Vontobel Asset Management, com sede em Zurique, Suíça.


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Em termos mais técnicos, a inversão de risco mostra que os participantes do mercado estão dispostos a pagar preços cada vez mais altos por opções de compra (calls) — apostas em um real mais fraco ou um dólar mais forte — em comparação com as opções de venda (puts), que fazem o oposto. A medida também reflete as volatilidades implícitas das opções de compra e venda em dólar.

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A volatilidade implícita de três meses das opções sobre o real — também uma referência para determinar o custo de hedge em dólares americanos — havia permanecido relativamente controlada até o anúncio de Flavio. Desde então, saltou para 12,6%, próximo ao seu nível mais alto desde outubro, divergindo da volatilidade moderada observada em outras moedas de mercados emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano.

Para Larose, da Vontobel, o recente aumento na volatilidade implícita "lançou um arrepio sobre as esperanças de um caminho tranquilo e linear até as eleições".

Apostas reais

Segundo Larose, a Vontobel voltou a comprar reais em relação ao dólar após a recente desvalorização da moeda. A gestora de ativos havia reduzido sua posição de sobreponderação em reais em novembro, considerando que muitos investidores já estavam comprados na moeda e que ela estava potencialmente exposta a realizações de lucros de fim de ano.

O real brasileiro está oscilando em torno de 5,50 por dólar, desvalorizando-se mais de 4% desde o anúncio de Flávio, após acumular uma alta de 13% no ano até aquela data.

Brendan McKenna, economista de mercados emergentes e estrategista de câmbio do Wells Fargo, acredita que "a valorização do real está esticada" após os ganhos da moeda neste ano. Ele observa que "os riscos políticos e fiscais não desaparecerão", especialmente com a proximidade das eleições de 2026. "Acho que a alta volatilidade é justificada e, à medida que esses riscos se materializam, ela continuará a aumentar", afirmou.

Olga Yangol, chefe de pesquisa econômica e estratégia de mercados emergentes do Crédit Agricole, explica que uma posição comprada em moeda real combinada com uma operação de reversão de risco oferece proteção “contra surpresas negativas abruptas, que são muito comuns no Brasil”.

“Faz sentido que o prêmio pela reversão de risco esteja elevado no contexto atual”, acrescentou Yangol, que iniciou uma recomendação de compra de real contra o peso colombiano para se beneficiar da valorização da moeda brasileira em novembro.