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Emissões de debêntures e FIDCs crescem e podem levar mercado de capitais a superar 2024

Jiane Carvalho

Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima
Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima

O mercado de capitais registrou R$ 74,9 bilhões em emissões, o segundo maior valor mensal de 2025 e o maior valor observado para este mês na série histórica. O montante contribuiu para que o acumulado no ano atingisse R$ 528,5 bilhões, se aproximando do desempenho em igual período do ano passado, com R$ 547,8 bilhões, segundo boletim Anbima divulgado nesta segunda-feira (20). O desempenho, na visão da associação, pode sinalizar um ultimo trimestre muito positivo.

“A gente vinha comentando nos últimos tempos que seria difícil um 2025 como foi o ano de 2024, mas estamos conseguindo quase chegar lá. O volume de renda fixa é recorde. As incentivadas ganhando cada vez mais espaço. E o mercado secundário muito saudável representando mais que o dobro do primário”, comentou Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima.

Os resultados de setembro, na visão de César Mindof, diretor da Anbima, “reforçam o dinamismo do mercado, impulsionado, principalmente, pelas debêntures”. O instrumento encerrou setembro captando R$ 44,1 bilhões em 64 operações. Já os FIDCs, outro destaque o período, registraram R$ 8,7 bilhões em emissões com 95 operações. As debêntures representaram 59,0% do total encerrado no mês, mantendo-se como o principal instrumento de captação do mercado de capitais

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No acumulado do ano as debêntures atingiram um volume de R$ 317,59 bilhões, superando o desempenho em igual período do ano passado, como R$ 315,61 bi. Já as debêntures incentivadas acumulam, de janeiro a setembro, um volume de R$ 113,6 bilhões um crescimento de 18,2% em relação ao mesmo período de 2024. Os fundos de investimentos foram os principais subscritores de debêntures corporativas, com R$ 17,6 bilhões (63,0% do total), seguidos pelos intermediários e demais participantes ligados às ofertas, com R$ 9,0 bilhões (32,1% do total). Nas subscrições de debêntures incentivadas, os intermediários e demais participantes da oferta detiveram 46,7% das emissões (R$ 7,6 bilhões), seguidos de perto pelos fundos de investimento, com 45,7% (R$ 7,4 bilhões). As notas comerciais também registraram montante significativo, com R$ 3,7 bilhões.

O prazo médio das debêntures está em 8 anos, mas nas incentivadas, sobe para 12,67 anos. Energia elétrica (R$ 78 bilhões), transporte e logística (R$ 55,8 bilhões) são os dois segmentos da economia que mais captaram recursos pelas debêntures incentivadas este ano. Saneamento, que no passado ficava no topo da lista, ainda segue relevante, mas menos que os dois primeiros, com R$ 27,4 bilhões.  “O prazo médio das incentivadas, de quase 13 anos, é bastante longo, mesmo considerando padrões internacionais. Algumas emissões bateram 20, 30 anos, o que colaborou para dar mais acesso e mais prazo para os emissores”, comenta Maranhão.

Na securitização, o destaque foi novamente o CRA, que somou R$ 6,1 bilhões em setembro consolidando o segundo melhor resultado de 2025. O volume registrado de CRIs avançou em relação a julho e agosto, encerrando o mês com R$ 4,5 bilhões. No mercado internacional, as emissões externas totalizaram U$ 6,8 bi em formato de bonds. Não houve operações de renda variável em setembro.