“FIDCs vão substituir os bancos no mercado de crédito”, diz Peixoto Neto, da Ouro Preto

Os fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) têm ganhado cada vez mais tração no mercado financeiro. No Uqbar Day 2025, realizado nesta quinta-feira (16), não foi diferente: a modalidade foi um dos principais temas em pauta, amplamente discutida por diferentes palestrantes.
O sócio-fundador da Ouro Preto Investimentos, João Peixoto Neto, em seu painel destacou a “versatilidade que faz do FIDC o veículo do futuro da securitização”. O empresário afirmou que tais fundos vão “substituir os bancos” no sistema de crédito.
O mercado de capitais, que inclui os FIDCs, atualmente representa apenas 24% do mercado de crédito — os outros 76% são dominados pelo setor bancário. Para Peixoto Neto, esse quadro irá se inverter nos próximos dez anos, com o mercado de capitais se tornando a parte majoritária a partir de 2034, conforme estimativa apresentada por ele durante palestra no evento desta quinta.
O sócio-fundador da Ouro Preto também argumenta que é mais fácil montar um FIDC do que um banco, e que o FIDC é mais enxuto e adequado a uma operação específica de crédito, especialmente com um mercado de crédito gradativamente mais especializado.
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Crédito, entretanto, passa longe de ser a única função dos FIDCs. No painel “Crédito Privado Globalizado: Estruturação, Funding e o Ambiente Macrorregulatório”, os palestrantes Delano Macêdo, sócio-fundador da Solis Investimentos, e Francisco Pereira, CEO da Trademaster, também destacaram o papel dos FIDCs como alternativa para alavancagem, por exemplo.
Na visão de ambos os empresários, esses fundos são o melhor veículo para o mercado de capitais se inserir no crédito privado, pois funcionam como um “canivete suíço”, repleto de ferramentas que atendem tanto ao tomador do serviço quanto ao investidor. Ademais, apesar do entendimento de que o FIDC é, no momento, uma alternativa, o desejo de ambos é que ele se consolide como uma fonte primária de funding.
Por outro lado, Macedo e Pereira reconhecem que ainda há dificuldades a serem enfrentadas pelo setor para que tal objetivo seja atingido — fatores como variação cambial, tributação, hedge e os altos níveis de inadimplência no Brasil, por exemplo, foram citados como razões para que investidores externos ainda não se sintam tão confiantes para incentivar os FIDCs no país, atualmente. Internamente, eles também destacam a influência do alto patamar da taxa básica de juros, Selic, sobre o ânimo do mercado.
Apesar dos reveses, o sócio-fundador da Solis e o CEO da Trademark preveem que a liberação dos FIDCs para o varejo deve causar uma intensa migração da renda fixa para esses fundos.


