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Gestor alerta para onda de interesse por crédito privado

Érica Polo

O avanço da concessão de crédito privado via mercado de capitais, não só no Brasil, precisa ganhar atenção de gestores, sobretudo quando observada a estruturação dos contratos. Daniel Goldberg, fundador e CIO da Lumina Capital, disse, ainda, estar “assustado” com o “nível de complacência dos mercados”. “Estão errados os preços? Não parecem estar super remunerativos [spreads] e os defaults começam a subir, só que de um jeito invisível”, observou.

Em sua leitura, os contratos estão “flexíveis” do ponto de vista dos credores e as renegociações praticamente adiam problemas. “Se uma empresa paga [o credor] com um novo título que vencerá daqui a 5 anos, com juros, isso pode ser um default com outro nome. [...] No curto prazo ok, está tudo bem. Mas, quando se troca o título [em uma renegociação], é esse novo título que está cheio de obrigações. E as companhias que deveriam ter quebrado hoje estão pré-contratando uma quebra para daqui 4, 5 anos”, disse. 

Ele afirma que desde a última vez que o “mundo bateu no muro”, em 2008, houve uma “onda de juro zero” – onde se criou ambiente com contratos mais flexíveis e obrigações acessórias frouxas. “Quem não paga o juro contratual tem o direito de se capitalizar, e o que se pode fazer como credor: nada. Os contratos estão cheios de nada”, disse. “Não estou assustado com os volumes, mas sim estou um pouco assustado com preços, os spreads estão muito benignos.”

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Goldberg participou de evento em São Paulo promovido pelo Santander, onde debateu temas mais relevantes para o país junto a outros gestores. Outro assunto abordado foi o de juros. Diante das pressões do presidente americano Donald Trump ao Federal Reserve (Fed), Luis Stuhlberger, CEO da Verde Asset, disse que “o pensamento de Trump sobre pagamento de juros é como o da [ministra] Gleisi [Hoffmann]: pagar juro é jogar dinheiro fora. Acho que Trump vai querer testar juro real zero, dois, dois e meio”.

Mas, para ele, o mundo ainda não coloca essa possibilidade nos preços. Em um movimento de ampliar a compra de outros ativos, como bitcoin, como proteção ao possível efeito do movimento de Trump ao dólar, Stuhlberger disse ter sido orientado recentemente por “uma casa” sem dizer o nome. “Ouvi assim, Luis fica calmo nisso de comprar bitcoin [e outros ativos] porque o mundo é muito lento. A decisão de ‘hedgear’ [hedge] não é do mesmo grupo que tem a decisão de investir. Quem faz hedge faz isso quando o juro tiver a 2%. Aí sabe-se lá Deus quanto o mercado já andou”, disse o CEO da Verde.

Em linha com outros agentes do mercado, Mário Torós, gestor da estratégia macro da Ibiúna, acredita que o movimento no Brasil vai acompanhar o do Fed. “O dado mais relevante para decisão do Fed sai em setembro. A partir daí a gente poderá ver a ação do Banco Central [do Brasil]”, disse. “Tenho a impressão que o BCB tem tendência a, dado a economia forte e inflação bem comportada, ter bastante paciência para iniciar a baixa da Selic”, continua. “Provavelmente fará isso no início do ano que vem”.


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