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Galípolo prega vigilância do BC e fala em normalizar canais de transmissão da política monetária

Jiane Carvalho

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (11) que o  Brasil tem o desafio de normalizar os canais de transmissão da política monetária. Na visão do executivo, o país convive “estruturalmente com uma taxa de juros relativamente alta”. Ao participar de reunião do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Galípolo pregou vigilância da autoridade monetária para conduzir a inflação à meta de 3% ao ano e repetiu que há a necessidade de uma Selic prolongadamente mantida em patamares elevados, hoje de 15% ao ano. A polêmica envolvendo críticas do presidente Donal Trump ao sistema PIX foi evitada pelo presidente do BC, mesmo quando perguntado por empresários e políticos presente no evento.

Sobre Selic alta, Galípolo afirmou que o desafio da atual geração é normalizar os canais de transmissão da política monetária à economia real. “Vai demandar mais tempo e será preciso uma série de medidas, que envolvem muita coisa que está além do mandato do BC e precisa ser discutido com a sociedade”, comentou o executivo sem dar detalhes de quais medidas seriam. A ideia, acrescentou Galípolo, é que normalizando os canais de transmissão o Brasil possa ser “um paciente que com doses menores do remédio, taxas de juros menos altas, consiga o mesmo efeito acomodação da atividade. Esse é um ponto essencial”. E avançou: “todas as vezes que eu falei de canais entupidos, ou obstruídos de transmissão da política monetária no Brasil, eu não estava falando de uma coisa conjuntural, de agora, eu estava falando de uma coisa estrutural.”

O presidente do BC, que sucedeu a Roberto Campos Neto na virada do ano, disse que o foco segue voltado ao mandato da autoridade monetária e que “não irá se desviar” de conduzir a inflação à meta de 3%. “O período que vai do final de 2025 a 2026 demandará vigilância da autoridade monetária diante de expectativas de inflação desancoradas, enfatizando ser preciso manter a taxa Selic em patamar bastante restritivo por um tempo prolongado.”

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Durante a reunião, Galípolo foi questionado sobre o grau de acerto dos boletins Focus, divulgados todas as segundas-feiras pelo BC em que são ouvidos bancos e outros participantes do mercado e questionado se não havia um certo enviesamento das respostas coletadas sobre perspectiva de inflação, câmbio e juro. Ele afirmou que todas vezes que o Focus erra é “para baixo”, ou seja, subestimando o índice de inflação. “Historicamente a maior parte dos erros é porque ele subdimensionou a inflação. Você poderia dizer bom, o Focus está pressionando a inflação para cima nas suas projeções para que a taxa de juros fique mais alta. Não é o que ocorre.”

Galípolo, ainda defendendo seus argumentos sobre a assertividade do Focus, afirmou que “não é verdade que banco sempre quer juro mais alto” lembrando que Selic maior impacta no passivo das instituições, que captam recursos a CDI + algum percentual. “Quando a gente mexe na taxa de juros, a sensibilidade, geralmente no custo, é maior do que na receita. Então, se ele sofre, ele pode sofrer mais no passivo do que no ativo numa elevação.”

Tarifaço Trump

A baixa dependência comercial do Brasil em relação aos Estados Unidos é vista pelo presidente do Banco Central como uma proteção ao tarifaço de Donald Trump de 50% sobre produtos brasileiros, com algumas exceções.  “No processo do tarifaço o Brasil vai se machucar menos do ponto de vista comercial. O que pode ter é uma perda de dinamismo da economia justamente porque as tarifas tendem a criar mais fricção no comércio e reduzir a atividade econômica. Este cenário foi gradativamente o que a gente (BC) anunciou ali em janeiro, se corroborando e confirmando como uma visão por parte dos analistas.”

Galípolo foi questionado pela plateia, composta por políticos e empresários, sobre a citação feita por Trump questionando o PIX e evitou respostas diretas, afirmando apenas que se trata de um sistema seguro e inovador que tem “ajudado na bancarização ou inclusão de pessoas no sistema financeiro”. Além do PIX por aproximação e do programado, a próxima evolução do sistema será o PIX Parcelado que, segundo informou Galípolo, será regulamentado em setembro. “Isso vai permitir que as 60 milhões de pessoas que não têm cartão de crédito possam fazer pagamento de valores mais elevados de maneira parcelada com menor tarifa e de maneira mais competitiva”, disse Galípolo.  


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