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Bitcoin renova máxima em meio à guerra tarifária, e agentes esperam semestre positivo

Érica Polo

Enquanto o dólar recuou no semestre passado (11,8%), o bitcoin se destacou – sobretudo no segundo trimestre de 2025, quando houve ganho de 24% em reais. Cotado a R$ 635,5 mil na última quinta-feira (10), a cripto acumula ganho próximo a 101% em doze meses, sendo que a guerra comercial travada por Donald Trump com o resto do globo contribuiu para a alta do ativo nos últimos dias – à medida que novas cartas foram enviadas pelo governo dos EUA a países alvo de sua política comercial.

Certa resiliência dos mercados frente às tensões tarifárias e uma euforia relacionada ao setor tecnológico explicam, em parte, o movimento, segundo agentes que atuam nesse universo. Os dados da consultoria Elos Ayta indicam, ainda, que no ano a alta em reais é de 9%, considerada como data final a quinta passada. Já em dólares, o ganho em 2025 esbarra em 16,5%. No fim da tarde da sexta (11), o bitcoin estava cotado a US$ 118 mil, com 4% de alta no dia, segundo a Investing.


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Como o real teve forte valorização neste ano, isso acaba refletindo na performance do bitcoin quando se observa a cotação em moeda brasileira. “Dito isso, o bitcoin também teve uma excelente performance em 2024, subindo 122% em dólares no ano passado e 184% em reais, então é natural que em algum momento acabe acalmando um pouco”, disse Axel Blikstad, CEO do B2V Crypto. Foi quando o bitcoin ultrapassou a barreira de resistência dos US$ 100 mil.  

No primeiro trimestre de 2025, o bitcoin manteve uma correlação relevante com a bolsa americana, especialmente com índices como o S&P 500 e, principalmente, o Nasdaq – que sofreram fortes oscilações. Parte dos fatores que influenciaram o ambiente macro também impactaram diretamente o mercado cripto. Já no segundo trimestre houve uma melhora marginal no ambiente macro, e alocadores foram para o bitcoin. “O ativo mostra resiliência. E se consolida como alternativa de reserva de valor e proteção contra riscos locais”, opina Murilo Cortina, diretor de novos negócios da QR Asset.

Para os próximos meses há expectativa de bom horizonte. Agentes do segmento lembram que o avanço regulatório do ecossistema de criptos nos EUA, Canadá e Europa, em curso, abre caminho para a valorização do bitcoin nos próximos meses. A legislação americana que regula stablecoins (criptos com lastro, como dólar e títulos americanos), batizada Genius Act, está evoluindo “muito bem” no país – e estados dos EUA, como o Texas, aprovaram uso de reservas estratégicas de bitcoin.

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A lei foca em reforçar o sistema de stablecoins, moedas que têm grande potencial para uso como meio de pagamentos. São criptos distintas do bitcoin, que não tem lastro, mas esta última ainda é o maior ativo em valor de mercado e dominância do ecossistema de criptos.

“A regulação amplia o interesse pelo ecossistema de criptomoedas de modo geral, e isso vai trazer mais gente para o bitcoin e outros ativos”, explica o CEO da B2V. A grande questão, agora, é se o governo federal americano também vai começar a comprar bitcoin para sua reserva, continua o especialista. Vale lembrar que Donald Trump é um defensor das criptomoedas, e inclusive chegou a lançar uma memecoin (inspirada em piadas ou memes, sem lastro) – o $TRUMP neste ano.

No Canadá caminha o Clarity Act, também classificado como muito relevante para fortalecer o ecossistema de criptos, com avanços esperados para setembro próximo. Antes disso, neste mês de julho entra em vigor o Markets in Crypto-Assets (MICA) na União Europeia. É a primeira regulação focada em criptoativos do bloco, a qual estabelece padrões aos participantes desse mercado.

Isso vai permitir operações a qualquer empresa autorizada por um banco central de um país membro, segundo o Mercado Bitcoin (MB). A companhia está desembarcando em Portugal. “A gente também se aproveita dessa mudança de pensamento na Europa, porque temos licença do Banco Central de Portugal e poderemos operar no continente inteiro a partir do segundo semestre. É um momento incrível para o setor”, disse Reinaldo Rabelo, CEO do MB, em entrevista recente para a Capital Aberto.

As movimentações regulatórias devem ampliar o interesse de investidores. Novos perfis estão mostrando cada vez mais apetite, a exemplo de fundos soberanos, como o de Abu Dhabi, e de grandes gestoras. A BlackRock, a maior do mundo em fundos, por exemplo, contabiliza receita maior no IBIT (ETF de bitcoin) do que em seu ETF do S&P 500, conta Blikstad, da B2V, o que ele classifica como “inimaginável”. Tesourarias de empresas também têm aumentado a alocação de parte dos balanços na moeda, a exemplo da americana MicroStrategy, brasileira Méliuz e da japonesa Metalplanet. 

Cortina, da QR Asset, acrescenta os aspectos macroeconômicos aos regulatórios como fatores que podem contribuir para a valorização a cripto no segundo semestre deste ano. Em sua avaliação, a busca por alternativas diante de um ambiente macro incerto desenham uma dinâmica “bastante positiva”.

O debate em torno de quando e como o Federal Reserve (Fed) irá cortar os juros continua a influenciar o apetite por risco e os fluxos de capital. “No entanto, com o bitcoin se consolidando cada vez mais como reserva de valor e alternativa frente a esse cenário, o ativo ganha mais relevância como proteção contra riscos locais e macroeconômicos”, opina Cortina.