Copom sobe Selic a 15% ao ano e anuncia parada no ciclo de alta
Depois de muito tempo com apostas concentradas em determinado movimento, a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, reservou alguma emoção. Coube ao colegiado desempatar as previsões divididas entre manutenção da Selic em 14,75% ao ano ou alta de 25 bases point. Embora a inflação esteja mostrando sinais de desaceleração, principalmente os núcleos, há ainda pressões importantes que se contrapõem ao dólar em queda e a ausência de pioras relevantes em outros indicadores. No balanço de riscos, o BC optou por elevar o juro básico a 15% ao ano.
No comunicado após a reunião, o Copom informa que o “ambiente externo mantém-se adverso e particularmente incerto em função da conjuntura e da política econômica nos Estados Unidos, principalmente acerca de suas políticas comercial e fiscal e de seus respectivos efeitos”. Além disso, o comportamento e a volatilidade de diferentes classes de ativos também têm sido afetados, acrescenta o colegiado, com reflexos nas condições financeiras globais. “Tal cenário segue exigindo cautela por parte de países emergentes em ambiente de acirramento da tensão geopolítica.”

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No comunicado há espaço também para o cenário doméstico: “o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho ainda tem apresentado algum dinamismo, mas observa-se certa moderação no crescimento”. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação.
Segundo o Copom, em se confirmando o cenário esperado, “o Comitê antecipa uma interrupção no ciclo de alta da Selic para examinar os impactos acumulados do ajuste já realizado, ainda por serem observados, e então avaliar se o nível corrente da taxa de juros, considerando a sua manutenção por período bastante prolongado, é suficiente para assegurar a convergência da inflação à meta”.
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