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BC anuncia novos leilões de dólar de US$ 1 bilhão, mas mercado não espera volatilidade

Amanda Meneses

O Banco Central (BC) divulgou na noite desta segunda-feira (23) comunicados informando a realização nesta quarta-feira (25) de dois leilões simultâneos no mercado de câmbio, um de venda à vista de dólares e outro de swap cambial reverso, que funciona como uma troca no mercado futuro. Especialistas não veem o movimento gerando volatilidade, mas monitoram os próximos passos do BC.

No leilão à vista, em que o BC retira dólares das reservas internacionais e vende ao mercado, será ofertado US$ 1 bilhão. Já na operação de swap cambial reverso, o BC negociará até 20 mil contratos, também equivalentes a US$1 bilhão. “Como os valores são semelhantes, o BC não busca influenciar diretamente o preço do dólar para cima ou para baixo, o objetivo principal é garantir liquidez e evitar oscilações bruscas, mantendo o mercado estável”, destaca Diego Costa, head de câmbio para o Norte e Nordeste da B&T XP.

O BC vem fazendo leilões de venda de dólar de forma reiterada, desde que Galípolo entrou na presidência, o que explica em parte a queda do dólar nos últimos meses, porque, quando a entidade confere liquidez ao mercado, acalma os investidores e deixa o fluxo abastecido, mostrando que há estoque para fazer frente à demanda, o que segura a cotação e faz muitos bancos apostarem na queda da divisa americana frente ao real, lembra Felipe Sant'Anna, especialista em investimentos do grupo Axia Investing.

Segundo o head de câmbio da B&T XP, o real ainda não inspira confiança, devido às dúvidas sobre as contas públicas e a condução da política de juros, mesmo após a última ata do Copom, que reforçou o foco no controle da inflação. “Com esses leilões, o BC mostra que está atento e quer evitar mudanças repentinas no câmbio causadas por especulação ou falta de liquidez. Essa postura ajuda a manter a confiança dos investidores e proteger a economia, especialmente num momento de incertezas internas e externas”, opina, pontuando que a autoridade segue atenta, mas evita interferir de forma artificial na formação de preços.

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Nesta terça, o dólar recua, refletindo o alívio temporário pelo anúncio de cessar-fogo no Oriente Médio e a percepção de que o BC mantém postura firme e técnica diante dos desafios domésticos. Para os próximos dias, no entanto, não se sabe qual será a tendência, mas especialistas acreditam que não deve haver oscilações fortes devido à atuação da autoridade. 

“Não temos grandes expectativas de volatilidade, mas estamos de olho numa possível continuidade dos leilões, que pode levar o dólar a testar a região de R$ 5,20, o que seria uma bandeira muito forte para o governo e para um aumento das reservas cambiais em tempo de eleição”, pontua Sant’Anna, da Axia.

Embora do ponto de vista de exposição cambial o movimento seja nulo, porque o BC entrega um dólar à vista, deixando de entregar no mercado futuro, portanto, a posição fica igual, isso impacta a taxa de juros futura de dólar, o chamado cupom. “Deixa o Brasil mais atrativo para o investidor internacional, dado que ele, influenciado pelo cupom, faz com que esses recursos rendam mais, aumenta o carry trade no Brasil”, destaca Alexandre Viotto, head de banking da EQI Investimentos, lembrando que, por outro lado, isso deixa o hedge um pouco mais caro. “Esse é o impacto que acabamos tendo nas taxas de juros para os investidores e para as empresas que têm que fazer proteção cambial no Brasil.”

Para Viotto, o Banco Central brasileiro está aproveitando um momento favorável de mercado e acabou se desfazendo de parte dos swaps que ele possui, mas ainda em volume pequeno, não tão relevante. Um ponto importante, que deve influenciar o câmbio, ressaltado por ele, é a sinalização de Jerome Powell, presidente do Fed, sobre uma inflação nos EUA “menos forte”, o que poderia abrir espaço para o BC americano fazer a redução de juros nesse ano. “Isso deixa o dólar mais fraco no tempo, e isso, sem dúvida, impacta nas cotações do dólar aqui no Brasil, o real se valoriza. É o que estamos vendo hoje de manhã.”

Outros temas citados pelos especialistas é a divulgação do PIB e do índice PCE nos EUA esta semana, dados que tendem a influenciar as expectativas para os juros por lá e, por consequência, o comportamento do dólar.