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Copom diz que maior impacto da Selic está por vir e enfatiza preocupação com fiscal

Érica Polo

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reiterou nesta terça-feira (24) o tom mais duro do comunicado da semana passada, enfatizando a necessidade de manter a taxa de juros em patamar restritivo por período prolongado. Na última quarta (18), o Copom elevou a Selic em 0,25 p.p., para 15% ao ano, o mais alto nível desde 2006.

“A desancoragem das expectativas ainda é o principal fator de desconforto e, na avaliação do Copom, tende a retardar o processo de convergência de inflação para a meta”, concluiu Rafaela Vitoria, economista-chefe do Inter, em nota. Por outro lado, continua a economista, o comitê reconheceu as surpresas baixistas nos dados recentes de inflação, e reforçou que as projeções seguem elevadas, mas afirmando que a maior parte do impacto da alta da Selic ainda está por vir.

O risco fiscal também foi mencionado na ata, tanto devido à interferência nos canais de crédito, com a maior expansão do crédito direcionado versus o crédito livre, mas também no seu fator pro-cíclico de estímulo à demanda, além do elevado prêmio de juros devido à incerteza, destaca a economista.

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O texto da ata divulgada nesta manhã de terça (24), cita que a política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e um impacto de médio prazo, que incorpora os efeitos do prêmio a termo da curva de juros. As expectativas de inflação mantiveram-se acima da meta em todos os horizontes, e a desancoragem é “um fator de desconforto comum a todos os membros do comitê”, diz a ata.

“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. Assim, o debate mais recente, com ênfase na dimensão estrutural do orçamento fiscal e na redução ao longo do tempo de gastos tributários, tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e de ter impactos sobre o prêmio da curva de juros”, dizem os membros do comitê.

Para o comitê, “o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia”. Isso traz, diz o texto, “impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”.

O Copom incluiu na ata que as políticas devem ser “previsíveis, críveis e anticíclicas”, e destacou a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas.