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Selic deve perder força só em 2026, projeta Itaú

Érica Polo

Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco
Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco

O ciclo de redução da taxa básica de juros da economia brasileira deverá ficar para o ano que vem, projetaram economistas do Itaú Unibanco na manhã desta quarta-feira (28) em conversa com jornalistas. O banco estima Selic a 14,75% em 2025 e 12,75% em dezembro do próximo ano, com um processo de corte iniciado entre o primeiro e segundo trimestre de 2026.

“Com mais risco de postergar para o segundo trimestre”, disse Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú. “A gente não acha que a projeção do Banco Central para inflação, fator que determina a ação da política monetária, estará num patamar consistente que abra espaço para o BC reduzir a taxa em 2025”. O economista, ao reiterar que o banco traça “projeção da projeção do BC”, enxerga que o ciclo de alta “provavelmente” parou na última reunião, em 6 e 7 de maio.

Uma antecipação do ciclo de corte poderia ocorrer em um cenário que houvesse mudanças em preços das commodities ou nova apreciação do real, fatores que “sensibilizariam as projeções de inflação”. A alta do IOF, que eleva o crédito a empresas, poderia ser mais um elemento.

O Itaú estima inflação medida pelo IPCA em 5,5%, para 2025, e 4,4% no ano que vem. Para a atividade econômica (PIB), a projeção é de 2,2% em 2025 e 1,5% em 2026, com viés de alta. Já o câmbio é estimado em R$ 5,75.

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No que diz respeito à inflação, se por um lado há contribuição do cenário global – por conta de commodities como metais e energia, embora o agro seja mais resiliente – por outro, a inflação de serviços não cede. “Ela é muito correlacionada ao mercado de trabalho aquecido”, explica Mesquita.

O desemprego projetado pelos economistas do banco é de 6,8% neste ano e de 7,3% em 2026, com viés de baixa. Mas, ainda assim, a inflação “cai bastante até o ano que vem”, embora “ainda fique acima da meta”, reforça o executivo.

PIB ‘exuberante’ no 1º tri

O Itaú espera um ‘PIB exuberante’ na próxima sexta-feira (30), quando o IBGE divulgará os dados de desempenho da atividade econômica no primeiro trimestre deste ano. O crescimento “fortíssimo” esperado deriva não só do agro, mas também do desempenho em bens e serviços sustentado por renda – por fatores como liberação de FGTS, elevação do salário mínimo e mercado de trabalho resiliente.

Espera-se variação de 1,7% no trimestre, disse a economista do banco Julia Gottlieb. Sobre o segundo trimestre, por ora, ainda há poucos dados, disse ela. “Vemos um início de segundo trimestre começando um pouco mais fraco, em linha com a desaceleração esperada para o resto do ano”.


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