Economia americana deve sofrer com barreiras tarifárias, mas Itaú revisa PIB para cima
Mesmo com a política tarifária imposta pelo governo americano para mais de 50 países, a equipe econômica do Itaú Unibanco revisou para cima o desempenho da economia global – de 2,7% para 2,8% ao ano, estimativa válida para 2025 e 2026. Ainda assim, trata-se de um crescimento ainda abaixo da média histórica, de 3,4%.
“É relativamente baixa, mas ainda em expansão e em contexto diferente do visto em anos de crise da pandemia, quando houve queda”, comentou nesta quarta-feira (28) o economista-chefe do banco, Mário Mesquita, durante conversa com jornalistas na segunda edição do ‘Macro em Pauta’, promovido pelo banco.
Apesar do cenário conturbado nos EUA, os economistas não veem recessão no país, onde também revisaram a atividade para cima. A projeção para a economia do país é de crescimento de 1,2% neste ano e de 1,5% em 2026 – a projeção anterior era de 1%. A taxa de juros é projetada em 4% a 4,25% (2025) e 3,5% a 3,75% (2026).
Não só as tarifas aplicadas a parceiros comerciais subiram, mas a incerteza em relação ao governo avançou. Está nos trilhos uma forma de condução da economia diferente do primeiro governo de Donald Trump, quando o “alvo” era basicamente a China. O cenário no país é de piora da inflação e queda de expectativa do consumidor, fruto do choque de incertezas.
Assim como outros agentes do mercado financeiro, o banco coloca em xeque a continuidade do ‘excepcionalismo americano’. Mesquita reforça que as barreiras tarifárias vão implicar “em certa perda de eficiência e competitividade”. “Sabemos, por experiência própria no Brasil, que barreira tarifária não gera avanços relevantes”, disse.
Além disso, a questão da imigração também foi citada como importante. O ambiente hostil inclusive para estudantes que gostariam de ficar no país, contribui para que os EUA percam pessoas altamente qualificadas e que poderiam contribuir para sua economia.

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“Ainda assim, não enxergamos recessão. Se isso ocorrer, e afetar a economia global, a gente pode ter a volta do dólar forte, mas por uma questão ruim, que é simplesmente saída de ativos de risco”, disse Mesquita.
Para a zona do euro, o Itaú já tinha revisado para cima os dados do PIB em função, principalmente, da mudança na política fiscal na Alemanha (investimentos em infraestrutura e defesa), cujos efeitos devem espalhar-se pelo continente. As projeções para a atividade econômica do bloco são de 0,8% (2025) e 1,5% (2026).
Já a China, alvo da guerra comercial, que já vinha mostrando desaceleração devido, sobretudo, aos problemas do setor imobiliário, pode avançar 4,5% em 2025. Para 2026, a projeção é de 4%.
Tarifa média dos EUA: 14,2%
A atual tarifa média cobrada pelos EUA é de 14,2%, calcula a equipe do Itaú Unibanco. Antes do avanço das negociações junto a países, principalmente entre EUA e China (quando foram cogitadas tarifas cogitadas acima de 100%), o patamar médio era de 28,3% - o mais alto há mais de um século.
Como ainda há negociações para ocorrer, e observando que tudo é temporário em meio ao vai-e-vem do governo Trump, esse patamar não está livre de alterações. Um recrudescimento não é descartado, avaliam os economistas do Itaú que observam o cenário externo, equipe liderada por Pedro Schneider.
“A gente acaba achando que aqueles 10% serão piso mesmo. Não vemos negociações que conduzam a tarifa base para menos do que isso”, disse Mesquita. O Brasil está no grupo de países do piso tarifário.
Para o Brasil, expectativa é de 2,2% em 2025 e 1,5% em 2026, com viés de alta.
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