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Investimentos alternativos devem dominar portfólios de varejo em cinco anos, indica pesquisa

Jiane Carvalho

Os mercados privados - universo que abrange Private Equity, Venture Capital, real estate e hedge funds - tendem a conquistar cada vez mais o público de varejo. Nos próximos anos, investidores institucionais, que sempre foram os motores de crescimento destes ativos, tendem a perder participação relativa. É o que aponta relatório da Apex Group, provedora global em serviços para ativos.

Intitulado “Liderando a mudança: transformando os mercados privados em um cenário impulsionado pelo varejo”, o estudo se baseia em insights de líderes seniores de fundos com ativos sob gestão a partir de US$ 1 bilhão a mais de US$ 50 bilhões. O estudo abrange tópicos como o maior engajamento dos investidores de varejo, os avanços tecnológicos e as estratégias em evolução da indústria que estão moldando o futuro dos mercados privados. 

Para 97% dos gestores de ativos entrevistados há um interesse forte ou moderado do varejo por mercados privados, com private equity (67%) e imóveis (55%) liderando a demanda. A expectativa é que os investimentos alternativos passem a dominar os portfólios de varejo nos próximos cinco anos, resposta apurada em 86% dos gestores alvo da pesquisa. Embora a maioria dos entrevistados represente empresas sediadas nos EUA, com insights obtidos de diversos centros financeiros internacionais como Reino Unido, Hong Kong e Singapura, a tendência verificada também é aplicável ao mercado brasileiro.

“Os mercados privados vão avançar também no Brasil, ainda que o patamar das taxas de juros local continue muito alto e represente um fator de competição muito relevante quando pensamos nos investimentos alternativos”, comenta Roberto Cortese, chefe da América Latina e diretor regional executivo da Apex Group. “Por outra parte, existe um esforço claro, inclusive por parte dos reguladores, para que essa diversificação aconteça de fato no Brasil.”


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Cortese lembra que o maior apetite por diversificação por parte dos investidores de varejo explica esta tendência de ganhar espaço frente aos institucionais. “Há de se lembrar também que, muitas vezes, os fundos estruturados carregam uma imagem de investimentos com maior possibilidade de retorno, apesar do risco maior”, comenta o executivo, acrescentando a importância da evolução nos canais de distribuição destes investimentos com relação à disponibilidade ao varejo.

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Gestores ouvidos na pesquisa apontam que a tecnologia está desempenhando um papel crucial para facilitar essa mudança, com 69% dos entrevistados citando plataformas aprimoradas, transparência e limites mínimos mais baixos como essenciais para expandir a participação do varejo. Para 58% dos ouvidos na pesquisa blockchain e tokenização são tecnologias transformadoras na distribuição dos mercados privados. Outra tendência apontada no estudo é a terceirização, com 76% das empresas usando serviços terceirizados nos últimos três anos.

Como fatores que limitam o acesso do varejo aos mercados privados está, tanto no Brasil como em outras jurisdições, o tema regulatório. “As barreiras são semelhantes em relação às preocupações com suitability para garantir que os investimentos corretos sejam direcionados aos investidores apropriados, levando em conta apetito de risco, liquidez, objetivos entre outras”, explica o diretor regional executivo da Apex Group. “Existe, sim, mercados que são mais regulados ou menos regulados. O Brasil sem dúvida é comparativamente um mercado de alta regulamentação, incluindo o conceito de autorregulação.”

Na pesquisa, quando perguntados sobre o que ainda limita o crescimento deste mercado, 59% dos entrevistados citaram restrições regulatórias e 43% apontaram preocupações com liquidez. No Brasil, a CVM encerrou uma consulta pública para modernizar as regras para FIPs para permitir a oferta do produto ao varejo. Na visão de Roberto Cortese, “com certeza a questão regulatória é uma condição básica para essa evolução nos mercados de fundos estruturados e ativos privados”, afirma, se referindo à novas regras que virão.

De acordo com Peter Hughes, fundador e CEO da Apex Group, "essas descobertas reforçam a grande transformação que estamos presenciando nos mercados privados, com os investidores de varejo agora impulsionando uma demanda significativa por classes de ativos alternativos, como private equity e imóveis”.

O relatório, conduzido pela Global Custodian – publicação internacional especializada em serviços de custódia e títulos - é baseado em insights de 117 executivos seniores, incluindo líderes de C-Level, gestores de portfólio e diretores financeiros de empresas globais de gestão de ativos.


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