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Galípolo reforça discurso do Copom e diz que arrefecimento da economia ainda é incipiente

Amanda Meneses

Gabriel Galípolo, presidente do BC, no Safra Macro Day/ Fotógrafo: Paulo Guimarães
Gabriel Galípolo, presidente do BC, no Safra Macro Day/ Fotógrafo: Paulo Guimarães

O presidente do Banco Central do Brasil (BCB) Gabriel Galípolo aponta que os sinais de arrefecimento da economia brasileira ainda são “incipientes”, e diante disso, reforçou preocupação com uma inflação corrente rodando acima da meta e expectativas desancoradas, afirmando que há uma necessidade de dar o devido tempo para gaps e defasagens da política monetária fazerem efeito.

“Continua demandando para a gente a devida vigilância naquilo que é o nosso mandato principal, de preocupação com uma inflação corrente que está rodando acima da meta. A economia permanece demonstrando sinais muito incipientes de arrefecimento, com expectativas desancoradas e a necessidade de a gente poder dar o devido tempo para a política monetária fazer efeito após termos elevado a taxa. Há a necessidade de ganharmos flexibilidade e ter cautela num mundo onde a incerteza se elevou tanto”, disse Galípolo durante o Safra Macro Day nesta segunda-feira (28).


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Em relação ao cenário externo, Galípolo citou durante o painel que todos estão aguardando o desenrolar para revisar expectativas de inflação. “Para os outros países emergentes (com exceção do Brasil, que tem um peso doméstico forte), é um cenário de pensar que, se não tem a desvalorização cambial, deveria sobrar um efeito maior ou um peso maior para o processo de desinflação pela desaceleração”, disse. 

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O presidente do BC citou ainda que as políticas tarifárias dos EUA devem oferecer desdobramentos mais duradouros, seja do ponto de vista de defesa e militar, como na Europa, seja em alternativas de proteção, como a escalada de novo do ponto de vista tarifário ou até de outras dimensões.

“Não acho que isso sinalize alguma mudança mais rápida, como muitas vezes a gente analisa e vê em cenários discussões sobre o safe haven. A profundidade do mercado americano hoje é praticamente impossível de substituir. A gente está falando de um mercado de títulos que é praticamente 10 vezes maior do que o mercado de títulos europeu, por exemplo”, ponderou Galípolo.

Do ponto de vista do Brasil, o executivo disse que “temos vantagens”, reforçando o discurso de Haddad sobre ser um país que pode ganhar espaço do ponto de vista do comércio a partir das exportações de commodities, e tem uma dependência menor das exportações e maior de um drive de economia doméstica para crescimento. Além disso, há grande diversificação do ponto de vista dos parceiros comerciais, com segurança alimentar, segurança energética, um volume robusto de reservas internacionais, um setor privado com exposição menor a dívidas em dólar sem algum tipo de hedge, e que também apresenta um certo descompasso em relação à política monetária do mundo (juro alto e expectativas de inflação).

Galípolo reforçou que O BC fez um “esforço grande” para avançar para um terreno de juros contracionistas com alguma segurança e destacou o comportamento recente das expectativas de inflação. “É lógico que estamos no processo ainda de mensurar o quão contracionista é o necessário, mas fizemos esse movimento e, sabendo das defasagens, que a gente antecipou bastante aquilo que estava na curva, a gente precisa poder medir e receber informações dos dados de maneira que consigamos reunir confiança de que a inflação está convergindo e que a política monetária está produzindo os efeitos desejados”, apontou.

O executivo disse ainda que é “estranho” como a economia segue em níveis de dinamismo tão elevados, com juros bastante restritivos, citando que os canais de transmissão da política monetária no Brasil não funcionam como no resto do mundo, mas também apontou que a comunicação da última reunião do Copom foi feliz e permanece vigente.