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Secretário do BC fala de "desentupimento" dos canais de transmissão da política monetária

Amanda Meneses

Este ano terá fim a agenda estratégica do Banco Central do Brasil iniciada em 2019. Contando com pilares como agenda evolutiva do Pix, agenda evolutiva do Open Finance, concessão de crédito imobiliário, duplicatas escriturais e aprimoramento institucional, a estratégia dará espaço também a outros pilares para o próximo ciclo da entidade, como foco na política monetária e estabilidade financeira, tratando de um desentupimento dos canais de transmissão, além da continuidade da vertente de inovação.

Segundo Rogério Lucca, secretário-executivo do Banco Central, esse desentupimento dos canais de política monetária tem surgido como potencial desafio para a entidade nesse próximo ciclo. Quando o BC decide pelo aumento ou redução da taxa, isso, de certa forma, precisa ser levado para a sociedade, o que não tem ocorrido por completo. “As pessoas têm que sentir o efeito dessa mudança no final do dia para ela ser efetiva. Se o BC aumentou ou diminuiu a taxa e para mim não mudou nada, aquela mudança não vai ser efetiva”, disse o executivo durante live da entidade nesta segunda-feira (14), contando que esse vai ser um dos focos da agenda. 


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Existem alguns canais por meio dos quais essa decisão é transmitida. “Quando você tem, por exemplo, algumas operações, algumas linhas de crédito, alguns ativos, alguns investimentos onde há pouca sensibilidade em relação à política monetária, ou seja, o Banco Central mudou a taxa de juros, mas isso não afetou essas operações, isso mostra que existe algum entupimento desse canal de transmissão”, explica o executivo, dizendo que se há esse entupimento é preciso um aperto monetário ou uma flexibilização maior do que o necessário se a sociedade, todos os investimentos e todos os créditos estivessem sujeitos a essa variação. As ações da entidade incluem melhorar a qualidade do crédito e o risco.

O executivo também citou outro pilar da agenda sobre a estabilidade financeira, a exemplo do Projeto de Lei que trata das infraestruturas de mercado financeiro, basicamente da Bolsa e outros players que realizam registro de ativos. “De novo, acabam sendo aquelas entidades que têm o controle da propriedade dos ativos financeiros que você vai ter a possibilidade de utilizar como garantia. No fim do dia, a gente tem um projeto de lei que aprimora a legislação sobre essas infraestruturas de mercado”, comenta. 

Outro tema citado foi o avanço do DREX e a tokenização, que fazem parte da agenda de inovação da entidade, e deve seguir firme. O executivo mencionou ainda a transformação do sistema financeiro, como a criação e regulação de instituições que não são bancos e prestam serviços de pagamento, e o mercado de capitais, dizendo que uma crise hoje em dia poderia “se dar fora do âmbito de atuação e competência do BC”.

“Primeiro, acho que temos que parar e fazer essa avaliação do que ocorreu até hoje, se existe algum gap, alguma deficiência, a ser sanado, se tem algum espaço que temos que ocupar para garantir a estabilidade financeira, e pensar um pouco para frente também. Vemos, hoje em dia, uma tendência muito forte da digitalização do sistema financeiro”, apontou o executivo, complemento que o BC precisa garantir a capacidade de acompanhar ao longo do tempo essa evolução, que vai continuar.