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Lista das mais rentáveis na B3 em 2025 é eclética e reúne Cogna, Carrefour e CVC

Érica Polo

Gustavo Harada, Head de Alocação da Blackbird
Gustavo Harada, Head de Alocação da Blackbird

As cinco companhias mais rentáveis da B3 no acumulado de 2025 até 13 de março reúne uma lista eclética: reinaram a Cogna (educação), seguida por Carrefour, CVC Brasil, Cyrela e Embraer. Um pano de fundo comum para o sucesso de boa parte delas no recorte de tempo observado é o cenário formado por arrefecimento do dólar aliado à baixa dos juros futuros. “Vejo principalmente (esse efeito) nas ações mais cíclicas. Coloco Cogna e CVC nesta caixinha”, exemplifica Gustavo Harada, head de alocação da Blackbird. O setor de educação, reforça, é bastante sensível aos juros, bem como o imobiliário.

Se houver uma abertura da curva de juros daqui para a frente, os ativos com uma maior sensibilidade tendem a sofrer – e o retrato pode mudar novamente. A fotografia das top 5 da bolsa no acumulado deste ano é bem diferente do observado no início de dezembro passado quando, sobretudo devido às projeções de câmbio, as exportadoras de proteínas (Marfrig, JBS e BRF) formavam o grupo das mais rentáveis, junto com Embraer e Santos Brasil.


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Entre janeiro e 13 de março, consideradas as companhias de proteínas, as gigantes entre os frigoríficos lideravam as perdas na B3, com -26,85% (BRF), -12,27% (Marfrig) e -9,17 (JBS). Pela valorização dessas companhias, também houve realização de lucros. Os dados do levantamento são da consultoria Elos Ayta.

Liderando o ranking na B3, elaborado a pedido da Capital Aberto, está a Cogna, do setor educacional, cujo balanço divulgado na semana passada evidencia um movimento de “casa arrumada”, conforme classificou a Genial Investimentos. A empresa teve um 2024 positivo. Neste ano houve, ainda, um movimento de recompra (de 7,9%) das ações, anunciado em janeiro.

Entre janeiro e 13 de março, a Cogna entregou retorno de 47,71%, data em que a ação valia R$ 1,61. Harada, da Blackbird, acrescenta que um outro ponto comum entre participantes do ranking é o fato de os ativos estarem descontados em relação aos de competidores. Gestores destacam que o balanço da companhia, divulgado no último dia 12, confirma a tendência de desalavancagem que vinha sendo observada ao longo de 2024. A relação dívida líquida/EBITDA ajustado ao final do ano passado foi de 1,35x, o menor nível desde 2018.

A Cogna evidenciou a expansão de margem e uma geração robusta de caixa, escreveram Iago Souza e Nina Mirazon, analistas da Genial. Ademais, a empresa cumpriu o guidance de geração de caixa operacional de R$ 1 bilhão para o ano, e reverteu o prejuízo de R$ 492 milhões obtido em 2023 para lucro líquido de R$ 880 milhões no ano passado. “A grande surpresa foi no bottom line, com o montante reportado superando as estimativas do consenso em quase quatro vezes”, continuam Souza e Nina no relatório.

Ainda para os dois analistas da Genial, o destaque para investidores será o anúncio da retomada do pagamento de dividendos. “O Conselho de Administração aprovou a distribuição de R$ 121 milhões, equivalente a um dividend yield de 3,7%, a ser deliberado na Assembleia Geral Ordinária em 28 de abril de 2025”, diz o texto assinado pelos analistas.

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Avanços no próximo ciclo

Um relatório do BTG Pactual, de 28 de fevereiro, informa que o board da Cogna está “relativamente otimista” para o próximo ciclo de admissão de verão. O documento foi elaborado após conferência de CEOs organizada pelo banco. Espera-se, na Cogna, que o ímpeto continue em 2025. “Mais especificamente, a empresa vê espaço para crescimento de receita e ganhos de margem em quase todos os segmentos este ano”, diz o documento do BTG assinado pelos analistas Samuel Alves e Yan Cesquim.

O governo federal deve divulgar em breve uma nova regulamentação para cursos de graduação à distância, o que poderá trazer “alguma turbulência” nos próximos dois ciclos de admissão. Mas isso, contudo, deve contribuir para a consolidação do mercado ao estabelecer parâmetros regulatórios mais sólidos para o aprendizado híbrido, acredita a companhia.

Carrefour, a segunda do ranking das top 5 da B3 até meados de março, seguida pela CVC Brasil, evidenciaram retornos de 36,6% e 35,5% até o dia 13 deste mês, quando as ações valiam R$ 7,42 e R$ 1,87, nessa ordem, indica o levantamento da consultoria Elos Ayta. “A varejista foi impulsionada principalmente por alguns anúncios corporativos, como, por exemplo, a proposta de fechamento de capital, a conversão das ações ordinárias em preferenciais, isso trouxe uma visão positiva para o mercado”, disse Harada, da Blackbird.

O Carrefour Brasil divulgou um documento em fevereiro para informar que a administração da empresa recebeu proposta do controlador francês para converter a empresa em uma subsidiária, considerando a deslistagem no segmento Novo Mercado na B3.

Já as ações da CVC tiveram uma recuperação neste início de ano depois de atingirem a mínima histórica em dezembro de 2024. Ajuda o horizonte do setor de turismo no país. No ano passado, o segmento faturou R$ 207 bilhões, uma alta de 4,3% em comparação a 2023, informou a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).

Trata-se de cifra histórica desde que a entidade analisa os dados. O levantamento é elaborado a partir dos números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ainda segundo a FecomercioSP, o turismo vem retomando tração devido ao bom desempenho da economia – e se há mais gente viajando, por consequência, o consumo de produtos e serviços turísticos cresce.

Em seguida está a Cyrela. Até 13 de março, a companhia registrou 33,33% de retorno, quando a ação valia R$ 22,60. Em anos recentes, as incorporadoras estiveram entre as melhores pagadoras de dividendos por serem ações cíclicas. No caso específico da Cyrela, o lucro líquido de R$ 473 milhões obtido no terceiro trimestre do ano passado chegou a superar expectativas.

Em relatório de novembro, os analistas do Santander disseram que o lucro líquido alcançado “superou estimativas em 7,5%” e refletiu receitas líquidas sólidas impulsionadas por, entre outros motivos, fortes pré-vendas e avanço contínuo na produção, além de exposição ao programa Minha Casa Minha Vida. A companhia divulga nesta quinta-feira (20) o próximo balanço. Observa-se, sobretudo neste segmento, a curva de juros futuros.

Entre as top 5 da B3, mais atrelada ao desempenho micro, está a Embraer. Em 2024, a companhia foi beneficiada pelo aumento da demanda na aviação comercial e bom desempenho na executiva – além dos problemas que a concorrente Boeing enfrentou, os quais contribuíram para o cenário da empresa. Neste ano, o horizonte continua azul para a empresa. Tiago Cunha, analista da Ace Capital, afirma, contudo, que agora “o driver é outro”.

“O principal driver [para o retorno positivo], além do pedido grande que eles receberam para os aviões E2 da comercial, é a perspectiva de que as vendas do setor de defesa cresçam consideravelmente, com o pacote de investimento da União Europeia para se reequipar”, afirma Cunha. “É uma boa perspectiva de vendas para um segmento que normalmente não tinha muita demanda anteriormente”, finaliza.

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