Mercado de capitais tem ano histórico e dezembro registra emissões de quase R$ 100 bi

As empresas captaram R$ 783,4 bilhões no mercado de capitais brasileiro em 2024, volume recorde histórico e um crescimento de 66% na comparação com o ano anterior. Dados divulgados nesta quarta-feira (22) pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) confirmaram um 2024 marcado por avanço da renda fixa, com destaque para debêntures e FIDCs, aumento do volume negociado no mercado secundários, e da retomada das captações externas (bonds).
“A renda fixa acabou puxando o ano de uma maneira muito forte, particularmente no primeiro semestre, mas com dezembro novamente forte. Só a renda fixa foi responsável por R$ 709 bilhões de emissão no ano, contra R$ 399 milhões registrados em 2023”, comenta Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima. O destaque negativo foi a renda variável com R$ 25 bilhões captados – a maior parte com a operação da Sabesp -, e sem qualquer IPO realizado pelo terceiro ano seguido. A queda sobre 2023 foi de 19%. Produtos híbridos levantaram R$ 49,1 bi em 2024.

Sobre perspectiva de outro ano tão forte para os instrumentos de mercado de capitais, Maranhão diz que está “bastante animado”. “2024 foi um ano muito forte, com muitas iniciativas que foram colocadas em prática. Eu acho que é difícil você olhar um crescimento absoluto, repetir esse crescimento em 2025 frente a 2024, mas eu não vejo por que a gente ter qualquer tipo de diminuição do mercado de capitais”, comenta o executivo da Anbima, acrescentando que o mercado seguirá em expansão, mas a um ritmo um pouco menor. Entre os motivos que justificam a perspectiva desenhada por Maranhão estão a captação forte dos fundos de crédito privado, a quantidade grande de projetos de infraestrutura e o mercado secundário saudável.

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Dados divulgados pela Anbima mostram que o principal instrumento de captação no ano passado foram as debêntures, com R$ 473,66 bilhões, mais do que o dobro registrado em 2023. No mercado secundário, houve recorde no volume negociado de debêntures, principalmente as incentivadas com alta de 115,8% na comparação anual. “Quando a gente faz essa conta por dia útil foi negociado mais de R$ 2,5 bilhões por dia.”
O ano de 2024 também foi o ano do FIDC, produto estruturado que levantou R$ 81 bilhões, um salto de 86% sobre 2023, e das emissões externas (bonds), que levantaram US$ 20,1 bilhões em 23 operações, o melhor ano desde 2021 quando foram captados US$ 24,6 bi em 33 emissões. "O mercado externo ficou alguns anos parado, por questões macro brasileiras e internacionais. Acredito em um 2025 forte, tem em operações em preparação", comentou Maranhão.
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