Dólar ignora injeção de US$ 4,6 bilhões feita pelo BC e mantém alta

O Banco Central (BC) voltou a atuar no mercado de câmbio nesta segunda-feira (16) com duas atuações distintas. Foram dois leilões extraordinários realizados no período da manhã quando o dólar subia em relação ao fechamento da última sexta-feira (16), encostando no R$ 6,10. Nesta segunda, somadas, as duas intervenções chegaram a um total de US$ 4,6 bilhões em operações distintas. No fechamento desta reportagem, o dólar subia 0,71%, cotado a R$ 6,077.
No primeiro leilão extraordinário de dólar à vista, o BC vendeu US$ 1,628 bilhão ao mercado. Em comunicado, a autoridade monetária informou que foram aceitas 18 propostas no pregão surpresa e que a taxa de corte foi de R$ 6,0400. Este tipo de operação, na prática, funciona como uma injeção de dólares no mercado, melhorando a oferta da moeda o que, em tese, pode conter altas na cotação.
O BC também vendeu US$ 3 bilhões com compromisso de recompra, no chamado leilão de linha, comum em determinados períodos do ano. Foram aceitas seis propostas, informou o BC. As duas operações serão liquidadas na próxima quarta-feira (18) e a recompra de dólares está prevista para 6 de março de 2025. Na ultima sexta-feira (13), o BC já havia feito um leilão surpresa de dólar à vista, após a divisa chegar a R$ 6,077. Nove propostas foram aceitas e US$ 845 milhões das reservas do país foram vendidas.
As operações desta segunda-feira ajudaram a afastar, ao menos temporariamente, o dólar da máxima no dia, embora a moeda americana continue a operar em alta. Na avaliação de Marcos Weigt, head de tesouraria do Travelex Bank, o objetivo do BC ao promover os leilões é “suprir uma demanda sazonal por remessas ao exterior. Não tem o objetivo de defender uma taxa de câmbio ou fazer o dólar cair”.
Weigt lembra que há uma demanda forte por moeda e a atuação do BC tem atendido a esta realidade. “Existe uma demanda forte por parte das empresas, bancos, fundos e pessoas físicas, para remessas de recursos ao exterior. Essa demanda é sazonal, sempre acontece no final do ano”, explica o executivo do Travelex Bank, acrescentando que a tendência é o BC realizar mais leilões à medida que perceber que não existe liquidez suficiente para suprir a demanda sazonal.

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O gerente comercial da B&T, Eurico Ribeiro, lembra que a cotação se aproximou no período da manhã de R$ 6,10 e que a atuação do BC “temporariamente freou a alta da moeda, chegando a reverter o movimento e atingir o valor de R$ 6,03. No entanto, logo após o término do leilão, o dólar voltou a subir”. Sobre os motivadores da atuação do BC, Ribeiro comentou que embora sejam práticas comuns no mercado, via swap cambial ou venda direta, é importante observar se os movimento “seguem um padrão técnico ou se são utilizados com um viés político”.
“É importante destacar que o Bacen tem realizado leilões por três dias consecutivos, o que sinaliza ao mercado os pontos de interesse para venda e o nível de preço da moeda em que a instituição está disposta a intervir para conter a alta”, comenta Ribeiro, da B&T.
Sobre a alta dos juros nos últimos meses e os leilões do BC, iniciativas com pouco efeito no dólar, o executivo aponta como motivador para a sequência de valorização da moeda americana, em grande parte, a fuga de capital do Brasil. “A elevação da taxa de juros tende a desacelerar a economia, fazendo com que muitos investidores prefiram alocar seus recursos em outros países. Além disso, o cenário político e fiscal instável do Brasil tem gerado receios, levando investidores estrangeiros a evitar o risco associado ao país, inclusive optando por não investir em títulos públicos.”
Sobre o impacto do juro alto na atratividade de dólares para o país, e consequentemente na cotação, Marcos Weigt, do Travelex Bank, lembra que quando a percepção de risco aumenta muito um aumento no diferencial de juros do Brasil em relação a outros países vai perdendo o efeito de atrair mais recursos externos. “Em algum momento a alta de juros pode até agravar esse quadro, ou seja, altas ainda maiores na taxa de juros podem gerar até uma desvalorização do real.”
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