Com tom mais duro, Copom eleva Selic em 1 p.p e fecha juro a 12,25%
Em decisão amplamente esperada pelo mercado, em sua última reunião do mandato de Roberto Campos Neto, o Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), aumentou, de forma unânime, a taxa de juros básicos Selic em 1 p.p, para 12,25% ao ano, contrariando as expectativas de parte do mercado, que apostava numa alta de 0,75. O comitê reforçou o discurso da última ata de que o ambiente externo permanece desafiador, em função, principalmente, da conjuntura econômica nos Estados Unidos, o que suscita maiores dúvidas sobre os ritmos da desaceleração, da desinflação e, consequentemente, sobre a postura do Fed.
No comunicado, o colegiado ressaltou que, em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores de atividade econômica e do mercado de trabalho segue apresentando dinamismo, com destaque para a divulgação do PIB do terceiro trimestre, que indicou abertura adicional do hiato.
“Em função da materialização de riscos, o Comitê avalia que o cenário se mostra menos incerto e mais adverso do que na reunião anterior. Persiste, no entanto, uma assimetria altista no balanço de riscos para os cenários prospectivos para a inflação”, dizem os membros, no documento.
O mercado estava dividido entre uma alta de 0,75 p.p e 1 p.p na Selic. “A decisão foi mais pesada, mais dura. E o comunicado também”, comenta Marcelo Bolzan, estrategista de investimentos e sócio da The Hill Capital.
O estrategista lembra que a decisão foi unânime, e comenta que é importante frisar algumas mudanças importantes em relação aos últimos comunicados. “Eles comentam que a inflação projetada aqui para o horizonte relevante, o segundo trimestre de 2026, situa-se em 4%, então houve uma subida forte dessas expectativas. O comunicado deixa bem claro que a dinâmica inflacionária está mais adversa e esse cenário atual é marcado por uma desancoragem adicional das expectativas de inflação, então veio com um tom mais pesado.”

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Na avaliação de Marcos Freitas, analista macroenômico da AF Invest, apesar de o ajuste em si, de 100 pontos, vir dentro do que a maioria do mercado esperava, apesar de uma parte dele ainda acreditar no ajuste de 75 pontos, o anúncio, como um todo, veio bem “hawkish”. “A barra estava alta para surpreender de forma hawkish, e o Banco Central conseguiu isso. Ao longo do comunicado, enxergamos mudanças relevantes na comunicação, como era de se esperar.”
O comitê, inclusive, adiantou que se o cenário se mantiver mais adverso para a convergência da inflação, antevê ajustes de mesma magnitude nas próximas duas reuniões. “A magnitude total do ciclo de aperto monetário será ditada pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta e dependerá da evolução da dinâmica da inflação, em especial dos componentes mais sensíveis à atividade econômica e à política monetária, das projeções de inflação, das expectativas de inflação, do hiato do produto e do balanço de riscos”, diz o comunicado.
Para o economista do Banco BV, Roberto Padovani, mais importante do que o aumento de um ponto da Selic foi a comunicação do Copom de sinalizar a necessidade de mais duas altas. “Portanto, um choque monetário de 3 p.p. E essa postura tem muito a ver com a leitura do cenário. Não há apenas uma piora das expectativas de inflação, mas resistência da inflação corrente e preocupação com o risco inflacionário gerado pelo câmbio. Independente da causa dessa pressão cambial, se externa ou interna, o BC reage a um cenário adverso e como a própria autoridade sinalizou, existe muito mais certeza desse cenário adverso.”
