Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Mercado defende alta mais forte da Selic para BC ‘retomar o controle’

Jiane Carvalho

Caio Megale, economista-chefe da XP
Caio Megale, economista-chefe da XP

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, deve reforçar o aperto monetário elevando a taxa Selic, hoje em 11,25% ao ano, na reunião marcada para esta quarta-feira (11). A alta é ponto comum das análises dada a atividade econômica aquecida e a resistência da inflação, além do dólar acima de R$ 6,00 que adiciona incertezas ao cenário. A novidade é uma dispersão maior nas perspectivas do mercado financeiro sobre o próximo movimento do BC. Embora a ampla maioria das casas projete alta na Selic de 0,75 ponto percentual, há ainda quem veja espaço para um ajuste menor, de meio ponto, e outros que veem necessidade de um ponto percentual. Na última reunião, em novembro, a Selic subiu 0,50 pp, que representou a maior alta no juro desde maio de 2022– ou seja, em dois anos e meio.

No grupo das instituições que veem a necessidade de um aperto monetário ainda maior está a XP. A casa defende uma elevação na Selic de um ponto percentual na reunião desta semana, levando a taxa a 12,25% ao ano, e de mais uma elevação na mesma magnitude no encontro do Copom em janeiro de 2025. “Os fundamentos sugerem inflação mais elevada adiante. Um ajuste monetário mais contundente parece necessário para controlar as expectativas”, afirma relatório da XP Research, assinado pelo economista-chefe, Caio Megale. A casa projeta outros dois aumentos em 2025, de meio ponto (0,5) cada, encerrando o atual ciclo de aperto monetário em 14,25% ao ano.


Conheça a nova tributação dos FIDCs e chegue aos melhores resultados. Acesse o curso “Desvendando o Tributário de FIDCs”


Na cesta de motivos para um aperto maior na economia, a XP menciona demanda interna aquecida, reforçada após resultados do PIB do 3º trimestre, aumento da renda real e das concessões de crédito; desemprego em níveis historicamente baixos (entre 6,0% e 6,5%); e depreciação do real de 5% desde o último Copom e mais de 20% no ano. São fatores que ajudam a deteriorar as expectativas de inflação. De fato, as projeções de IPCA coletadas pelo Boletim Focus do BC subiram de forma relevante nas últimas semanas com as projeções se distanciando do centro da meta de 3%. A XP estima um aumento no IPCA de 3,9% para 4,4%, em 2025, e de 3,6% para 3,9%, no 2º trimestre de 2026 (horizonte relevante de política monetária).

“Diante do cenário desafiador, acreditamos que um ajuste mais tempestivo ajudaria o comitê a retomar as rédeas das expectativas. A conjuntura parece suficientemente aguda para que o Copom opte por elevar a taxa Selic em um ponto percentual”, afirma Megale, no relatório. “A tarefa do Banco Central está se tornando mais desafiadora. A inflação corrente e as expectativas de inflação continuam subindo, impulsionadas pela reduzida capacidade ociosa na economia, pela depreciação cambial e pelo aumento dos preços de alimentos. Se a disposição do BCB de levar a inflação para a trajetória de metas em 2026 for real – e acreditamos que seja –, a resposta da política monetária tem que ser (ainda) mais firme.”

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

O Banco Fator estima a necessidade de uma elevação menor na Selic, ou intermediária, entre os dois extremos – de 0,50 pp e de 1 pp. A projeção da casa para a reunião desta semana é de um ajuste de 0,75 ponto percentual, levando o juro básico a 12% ao ano. Na visão do economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, embora a atividade tenha dado sinais de desaceleração “moderada nas semanas recentes, inclusive no mercado de trabalho”, indicadores importantes como PIB e a Produção Industrial, assim como a inflação corrente, não autorizam mudança no cenário do Copom.

“Desde a reunião anterior, as condições internacionais e locais pioraram. A eleição de Trump e riscos associados vieram junto com menor redução da inflação e condições não tão frágeis na atividade e mercado de trabalho”, acrescenta o economista do banco. Na visão de Gonçalves, o tema fiscal segue pesando na necessidade de uma política monetária restritiva. “A indefinição sobre as medidas fiscais continua e elas mudaram algumas regras estruturais (salário mínimo), mas não vinculações. Assim, se a piora anterior justificou alta de 50 pontos, acelerar para 75 pontos não apenas contempla a maior incerteza como mostra disposição de ir mais longe.”

Há também, no relatório do Fator, menção ao tema fiscal que deve compor as análises do Copom pós reunião. “O parágrafo do comunicado do Copom sobre o cenário fiscal será crítico, assim como a indicação dos novos passos do Copom. As projeções para a Selic no fim de 2025 caminham para 14%, apesar da perspectiva de desaceleração da atividade.”

São poucas as casas que ainda creem na possibilidade de o BC manter o ritmo e elevar novamente a Selic em meio ponto percentual. E mesmo assim, nos últimos dias tem ocorrido revisões no cenário. É o caso da Siegen, consultorias de reestruturação (turnaround) e recuperação de empresas do Brasil, e do Banrisul.

A Siegen revisou nesta segunda-feira (09) a projeção de alta da Selic que era de meio ponto para 0,75 pp. “A nossa projeção vinha em linha com o mercado, que era de 0,50 pp, porém, devido ao PIB e as projeções de inflação esse cenário mudou, logo a probabilidade de um aumento de 0,75  pp pode ocorrer sim”, informou por meio de nota a Siegen.

Já o Banrisul, que até a semana passada estava no grupo do meio ponto percentual de alta, informou que houve mudanças nas projeções e que hoje a expectativa é de um incremento de 0,75 ponto percentual na Selic. “Ademais, colocamos a curva projetada para a taxa de juros em revisão, uma vez que com a economia operando provavelmente acima de seu potencial, depreciação mais persistente da moeda doméstica e aumento das expectativas de inflação para além do que era considerado em nossa última revisão de cenário, esperamos que a Selic atinja seu ponto máximo para o atual ciclo de ajuste mais cedo, permanecendo ao redor de 13% ao ano por um período mais longo do que antevíamos anteriormente.”

Quem se manteve firme na projeção para a taxa de juro foi a PRX Capital. “Até avaliamos nesta segunda (09) se valeria a pena rever, mas não tem sentido. Historicamente, só em 10% das vezes o BC elevou a Selic em 0,75 ponto percentual ou mais e só em momentos extremos, não é o caso”, comenta Renato Intakli, sócio e economista da PRX Capital. Também é importante na expectativa de manutenção do ritmo de elevação do juro, na visão de Intakli, a coerência com a última ata. “O BC no último encontro sinalizou que o meio ponto percentual era um ritmo adequado. Ele deve seguir o que sinalizou e na próxima acelerar o ritmo. A situação é ruim, mas não tão ruim quanto parte do mercado está vendo. Mantemos a previsão de meio ponto de alta.”