Produtos exclusivos puxam a adaptação de fundos à CVM 175

A indústria de fundos de investimento, em meio à adaptação dos produtos à CVM 175, mantém o forte ritmo de captação e chega a R$ 9,3 trilhões de patrimônio, posição de setembro de 2024, 14,7% maior do que em igual período do ano passado. Houve aumento em quase todos os critérios, como número de contas (6%), número de fundos (2,6%) e de gestores (5,6%). É o segundo melhor ano desde 2020, com R$ 254,4 bilhões de captação líquida, perdendo apenas para 2021 quando ingressaram nos fundos R$ 405,5 bilhões, segundo informações da Anbima. O forte crescimento, puxado pela renda fixa, ocorre em meio ao desafios da indústria em se adaptar à CVM 175.
Dados mais recentes apresentados pela Anbima mostram que do total de 31.331 fundos de investimentos, 27% já estão adaptados à 175 – 3.713 novos fundos e 4.793 tombados – que representam R$ 2 trilhões de patrimônio líquido. Deste total, 65% dos fundos declararam ter responsabilidade limitada. “Pela nova regra o produto pode escolher entre ter responsabilidade limitada ou ilimitada. Para o cotista, a maioria dos casos a responsabilidade limitada é melhor, é mais seguro. A gente acredita que quando a indústria toda estiver tombada, a imensa maioria dos fundos vai ser de responsabilidade limitada”, comenta Pedro Rudge, diretor da Anbima.

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Os dados apresentados pela associação mostram também que quase metade dos fundos tombados – 48% - são produtos exclusivos. Em relação à categoria, fundos multimercados puxam a fila dos produtos tombados, com 36,4% (3.097) seguido por renda fixa com 17,2% (1.465) e pelos FIDCs com 16,9% (1.441). “A indústria começou pelos fundos mais simples e mais fáceis. Aqueles que demandam menos negociação ou menos entendimento. E os exclusivos acabam conseguindo fazer isso de uma maneira mais fácil, além do que a questão de classe, subclasse e transparência, que entrou agora de 1º de novembro, tem menos impacto nos fundos exclusivos”, explica Hudge.
Em termos de rentabilidade dos produtos, mostram os dados da Anbima, na categoria renda fixa duas modalidades superaram o CDI no acumulado do ano até setembro, que foi de 7,94%. RF duração Baixa Crédito Livre e o RF Duração Média Grau de Investimento acumulam, na média, retornos de 8,82% e de 8,45% respectivamente. Dos tipos de fundos de renda variável, ações livres, indexadas etc., nenhum conseguiu bater o CDI em igual período. O grupo com pior desempenho foram os fundos Small Caps, com queda de 12,88%.
O destaque negativo em todos os critérios segue sendo os fundos multimercados. De janeiro a setembro, o produto sofreu resgates líquidos de R$ 196,4 bilhões. Em número de fundos e de cotas, os multimercados perderam, respectivamente, 9,6% e 11% nos 12 meses.
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