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A partir de 2025, teremos boas surpresas entre a Fazenda e o Banco Central, diz Haddad

Jiane Carvalho

Fernando Haddad, ministro da Fazenda; Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco
Fernando Haddad, ministro da Fazenda; Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco

Os caminhos para as políticas monetária e fiscal foram destaques na primeira parte do evento Itaú BBA Macro Vision 2024 nesta segunda-feira (14) que contou com a presença de Gabriel Galípolo, pelo Banco Central, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.  A necessidade de perseguir um equilíbrio fiscal e as recorrentes surpresas positivas para o crescimento do PIB foram pontos questionados pelo economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita.

Na visão de Haddad, o Brasil pode mirar uma taxa média de crescimento de 2,5% sem que haja prejuízos à economia e alinhado a um movimento global. “Não tem por que não mirar uma taxa de crescimento no mínimo equivalente à média mundial. Nós ficamos muito abaixo da média mundial por muitos anos. Eu penso que o Brasil pode mirar uma taxa de crescimento média acima de 2,5% sem nenhum risco, na minha opinião, de desequilíbrios importantes", disse o ministro. Sobre a surpresa no crescimento econômico deste ano, com revisões para cima e já superando 3%, Haddad lembrou que o país teve seu crescimento represado por muitos anos, após uma década perdida, entre 2013 e 2022.

“Tem um conjunto de projetos de investimento que estão represados há muito tempo, com altas taxas de retorno, com oportunidades à vista de todos, com interesse internacional sobre o Brasil, sobretudo em função até dos problemas que o mundo está enfrentando. Certas regiões do globo passam a receber uma atenção especial e também em função de vantagens competitivas que têm a ver com a nossa matriz produtiva em geral e nossa matriz energética em particular", observou.

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A transição no comando do BC, hoje presidido por Roberto Campos Neto, e que a partir de janeiro terá Gabriel Galípolo à frente, foi objetivo de questionamentos nos diferentes painéis do evento do Itaú BBA. Ao comentar sobre déficit fiscal, Fernando Haddad afirmou que a estabilização da dívida como proporção do PIB não depende apenas de sua pasta, mas também do BC, já que a alta dos juros eleva o custo de financiamento do País. Ao defender um trabalho conjunto entre Fazenda e BC, Haddad afirmou que haverá “boas surpresas” nesse sentido a partir do ano que vem. “Até pelo trabalho mais recente do Banco Central vejo avanços a partir de 2025.” O ministro, ao comentar a elevação do rating brasileiro pela Moody’s, se mostrou otimista quando à trajetória rumo ao grau de investimento, prevendo que ocorra até 2026.

Em sua participação no evento, o futuro presidente do Banco Central falou sobre a condução da política monetária em um momento de cortes globais nos juros e, no Brasil, de elevação na taxa, afirmando que todas as autoridades monetárias seguem “muito reativas e dependente de dados”. Sobre o processo de troca de comando no BC, Galípolo disse que “está se dando com harmonia” destacando a institucionalização da autoridade monetária. “Nós estamos no BC convivendo de maneira absolutamente harmônica (diretores indicados por presidentes diferentes). Institucionalmente, a gente vive de maneira absolutamente harmônica, técnica e com um alto grau de coesão”, disse Galípolo. Segundo o futuro presidente do BC, esta harmonia é saudável do ponto de vista da política monetária, e “um grande exemplo institucional que a gente tem dado e tem funcionado bem”.

Durante o painel, Julia Gottlieb, VP sênior de pesquisa econômica do Itaú BBA, questionou Galípolo sobre a política do Banco Central para a taxa de câmbio. O diretor foi direto: “o câmbio no Brasil é flutuante e as atuações do Banco Central se dão em situações de falta de liquidez ou excesso de volatilidade, sem que haja busca por qualquer nível específico para o real.” E, em tom de brincadeira, afirmou: “a volatilidade na interpretação de analistas sobre a forma de atuação do BC é quase tão grande quanto a da moeda brasileira” e ainda que o mercado migra de um receio de “intervencionismo” para acusações de que ele (Galípolo) é “mão fraca” nessa área. O diretor disse ainda que o real tem ficado “persistentemente mais desvalorizado”, mas enfatizou que não há relação mecânica entre o nível do câmbio e a definição dos juros básicos no Brasil.

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