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Valorização do real e pouso suave nos EUA são elementos para a recuperação do Ibovespa em dólar

Leandro Tavares

Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos
Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos

Há um mês, se alguém dissesse que o Ibovespa, principal índice da B3, pudesse alcançar a máxima histórica talvez nem o mais otimista dos analistas acreditasse. No entanto, no oitavo mês do ano, a bolsa brasileira deu uma guinada, chegando muito perto de zerar as perdas de 2024, que neste momento está em apenas 0,17%, levando em consideração o fechamento de sexta-feira (16).

Em dólar, porém, a coisa ainda continua muito ruim. O EWZ, referência da bolsa em Nova York, está em queda de quase 12% no ano, ao redor de US$ 30, segundo um levantamento elaborado pela Elos Ayta Consultoria.  

Diante desse cenário, é possível imaginar uma recuperação da bolsa em dólares em 2024? Na avaliação de analistas consultados pela Capital Aberto a porta está aberta para isso, embora um cenário perfeito precise se concretizar.


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Na semana passada, o Ibovespa atingiu a máxima histórica acima de 134 mil pontos, refletindo o bom humor externo, após dados econômicos fortes nos Estados Unidos contagiar os índices acionários globais, o que favoreceu ativos de mercados emergentes, como o Brasil. Além disso, a entrada de capital estrangeiro e resultados trimestrais das empresas brasileiras também contribuíram para essa guinada.

Para os analistas, esses fatores, inclusive, devem dar sustentação para o principal índice da B3 nos próximos dias e sugerem ainda que devemos ver alguma melhora no Ibovespa, podendo ajudar o índice em dólar.

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Enquanto a bolsa brasileira registrou o auge de pontos na semana passada, o EWZ atingiu o seu pico no longínquo ano de 2008, quando a cotação atingiu o valor de US$ 100, uma queda de 70% considerando o fechamento da semana anterior, sem considerar os dividendos pagos. Quando colocado isso na conta, a baixa é de aproximadamente 40%.

Naturalmente, essa situação tem nome e sobrenome, o real que se valorizou muito de lá para cá, saindo de R$ 1,60 por dólar para R$ 5,50. “Para o EWZ retornar a sua máxima, é preciso uma grande valorização da bolsa brasileira, além da melhor percepção do real. O momento da bolsa brasileira está melhor, inclusive com perspectivas mais interessantes para os próximos meses, mas ainda é difícil falar que ela tem força e fundamentos suficientes para retomar sua máxima em dólar”, explica o analista da VG Research, Guilherme Morais.

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Segundo o economista André Perfeito, a dúvida que fica, neste momento, é se o Ibovespa vai subir tudo isso ou será o real que irá ganhar contra o dólar toda essa diferença. “Acredito que um pouco dos dois, mas com peso maior para o segundo motivo”, disse em comentário ao mercado.

Perfeito ressalta que o desenho traçado para o real no começo do ano de apreciação está se concretizando agora. Na sua visão, as projeções da curva de juros nos EUA indicam 100% de chance de corte de juros na reunião de setembro, com uma probabilidade de 30% de corte de 50 pontos base, o que é bastante coisa na atual conjuntura.

“Se confirmado esse cenário nem será o real que irá ganhar força, mas antes o dólar que irá perder contra as demais moedas. Se voltarmos com o câmbio ao patamar pré pandemia, de R$ 4,30, isso implica que o dólar teria que recuar 21%, valor muito similar a diferença dos últimos 5 anos do EWZ”, diz o economista. Nos últimos cinco anos, o Ibovespa sobe 34,41%, enquanto em dólar cai 27,71%.

Qual o cenário perfeito para a recuperação em dólar?

Basicamente de pouso suave nos EUA, de acordo com o estrategista de ações da Genial Investimentos, Filipe Villegas. “Eu falo isso porque a gente teve na semana passada um mercado bastante volátil por conta do aumento da probabilidade de um pouso forçado nos EUA, ou seja, uma recessão que seria negativa.”

Villegas explica que o pouso suave nos EUA abriria espaço para o famoso cenário gold locks, ou cachinhos dourados, nem quente nem frio. Internamente, segundo o estrategista da Genial, seria importante não termos mais ruídos fiscais, já que isso atrapalhou bastante o Ibovespa em termos de desempenho e principalmente o dólar.

“Como a bolsa brasileira estava muito barata e o investidor, de certa maneira, tinha um certo interesse, ele comprava a bolsa e comprava dólar para se proteger. Então, essa diminuição de ruídos políticos seria importante que ela continuasse”, comenta Villegas.

O cenário de juros no Brasil é outro fator importante para um arrefecimento do dólar, podendo atrair o investidor que aloca em renda fixa, já que nas últimas semanas ganhou tração a possibilidade de aumento da Selic após dados econômicos mostrarem uma economia bastante aquecida.

O estrategista de ações da Genial alerta, porém, para a questão de desmontagem do carry trade, envolvendo a bolsa japonesa, que ainda teria mais da metade para acontecer, o que poderia atrapalhar o desempenho das moedas de países emergentes.

“Essa questão do carry trade no Japão é um ponto importante. Se for acontecer que seja de maneira suave, não de uma maneira muito drástica. Isso abriria portas para o investidor alocar tanto em renda fixa, já que as taxas estão elevadas e ainda tem o chamariz da bolsa, com preços atrativos e ciclo microeconômico favorável”, conta Villegas.