Para J.P Morgan, há muitos motivos para escolher a renda variável nos EUA

Diferentemente de países emergentes, como o Brasil, que vem sofrendo na renda variável este ano em função dos juros altos, nos Estados Unidos o investimento em empresas continua sendo uma das principais teses, com o mercado esperando um crescimento de lucro das empresas de 11% em 2024.
“Tem muitos motivos para a renda variável nos EUA, é necessário escolher a empresa e/ou setor de que mais gosta. Setores de saúde e bancos, por exemplo, possuem boas perspectivas de longo prazo”, explica a estrategista de mercado global do J.P Morgan Asset Marina Valentini, durante participação no Avenue Connection, realizado no teatro da B3, nesta quarta-feira (24).
Na avaliação da executiva, os resultados dos lucros das empresas devem mexer muito com o mercado, sendo os principais direcionadores das bolsas americanas. “A boa notícia é o corte de juros que, historicamente, são bons, com o corporativo apoiando. Os lucros devem crescer 11% em 2024, talvez até otimista demais pela desaceleração econômica”.

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Marina explica que as duas maiores empresas do S&P, ligadas ao setor tecnológico, serão responsáveis por 60% do retorno do índice este ano. “Neste momento, há uma rotação de setores, com os investidores indo para setores mais cíclicos. Estes setores devem ganhar um impulso, mas não às custas das big techs. Elas representam 33% do índice, 39% do investimento de research e 23% do fluxo de caixa”.
Apesar de reconhecer os EUA como um bom mercado para a renda variável, a executiva cita países como Taiwan e Japão como diversificação de portfólio. Segundo Marina, o Japão, inclusive, é a maior estratégia de longo prazo do J.P para mercados desenvolvidos. “Na Europa, é uma questão de achar o pioneirismo que eles fazem, como artigo de luxo e energia renovável”.
Renda fixa
Embora o mercado acionário americano viva um bom momento, apesar dos valutions mais caros, a alocação em renda fixa continua sendo importante tanto quanto, em virtude dos juros altos.
O J.P espera dois cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed) este ano, sendo um em setembro e outro em dezembro, num ritmo de corte de 25 pontos-base. Para a estrategista do banco, os EUA não precisam de corte de juros excessivo porque a economia continua forte. “Continua sendo bom para a renda fixa, mesmo com os juros caindo 1%, o retorno permanece positivo”.


