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Atentado a Trump pode inaugurar nova onda de volatilidade nos mercados

Redação/Bloomberg

Donald Trump, candidato à presidência dos EUA, após sofrer atentado
Donald Trump, candidato à presidência dos EUA, após sofrer atentado

Pode ter durado pouco a calmaria, com ares otimistas, que se instalou nos mercados globais após dados positivos sobre a inflação americana reascenderem a possibilidade de cortes nos juros pelo FED ainda em 2024. O gatilho para uma reavaliação das condições políticas e econômicas foi o atentado sofrido pelo candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, no sábado (13), durante discurso na Pensilvânia.  

Os estrategistas já esperavam uma corrida eleitoral volátil, até porque os democratas estão pressionados com a candidatura do presidente Joe Biden e episódios que colocam a reeleição em cheque. Após o atentado, investidores devem reforçar os questionamentos sobre a possibilidade de as eleições terminarem numa disputa prolongada ou em mais violência política.

Caso se confirme o retorno da volatilidade, após o atentado, o mercado brasileiro será atingido em um momento de recuperação. O dólar que chegou perto de R$ 5,60, após uma trégua entre os presidentes da República, Luís Inácio Lula da Silva, e do BC, Campos Neto, voltou a acumular dias de recuo. Na sexta-feira, fechou com queda de 0,39%, a R$ 5,44. Na B3, após um primeiro semestre de desânimo dos investidores e fuga de estrangeiros, julho vinha sendo de recuperação. O Ibovespa iniciou a segunda metade do ano com uma sequência de dez pregões consecutivos de alta. Nesta sexta-feira (12), o Ibovespa deu mais um salto de 0,47%, fechando aos 128.896 pontos.


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Na abertura dos mercados nesta segunda-feira (15), investidores inicialmente devem buscar ativos de proteção ao risco e talvez olhem para os mais relacionados às chances de o ex-presidente Donald Trump vencer a corrida pela Casa Branca, de acordo com observadores do mercado ouvidos pela Bloomberg. O dólar americano poderá receber um impulso, juntamente com outros ativos considerados seguros em momentos de mercado volátil, como o iene, do Japão, o franco suíço e o ouro. Logo após o atentado a Trump, o Bitcoin subiu acima de US$ 60 mil.

A tentativa de assassinato de Trump provavelmente marcará a “grande abertura” de um período elevado de volatilidade para ativos de risco, disse Frank Monkam, gestor sênior de portfólio da Antimo. Outros ativos positivamente relacionados ao chamado “Trump trade” incluem as ações de empresas de energia, prisões privadas, empresas de cartão de crédito e seguradoras de saúde. Os traders acompanharão de perto as medidas de volatilidade esperada no mercado nesta  segunda-feira, como aquelas relacionadas ao yuan chinês sensível a tarifas e ao peso mexicano, que começaram a precificar a votação nos EUA.

Os comentários iniciais do mercado sugeriram que a tentativa de assassinato de Trump pode levar os investidores a aumentarem a sua probabilidade de sucesso nas eleições de novembro. A candidatura presidencial de Trump ganhou impulso nos mercados globais depois que o presidente Joe Biden, de 81 anos, fracassou no primeiro debate presidencial em 27 de junho. Nesta segunda, também está prevista o início da convenção do partido Republicado, com segurança reforçada.

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O apoio de Trump a uma política fiscal mais flexível e a tarifas mais elevadas é geralmente visto como susceptível de beneficiar o dólar e enfraquecer os títulos do Tesouro. O Bitcoin poderá subir ainda mais, dado tanto o seu apelo aos investidores que procuram uma proteção contra a turbulência política longe dos produtos financeiros convencionais, como a posição pró-criptomoeda de Trump.

“Esta notícia marca um ponto de mudança nas normas políticas americanas”, disse Kyle Rodda, analista sênior de mercado financeiro da Capital.com, acrescentando que estava vendo fluxos de clientes para Bitcoin e ouro após o tiroteio. “Para os mercados, isso significa negociações de paraísos fiscais, mas mais direcionadas para paraísos não tradicionais.”

O que dizem os estrategistas

Garfield Reynolds, líder da equipe asiática do Markets Live: “As moedas serão o primeiro grande mercado nesta segunda-feira na Ásia a reagir às disparadas do fim de semana. Há potencial para volatilidade extra, e obter uma leitura clara pode ser especialmente difícil porque a liquidez será prejudicada pelo feriado nacional do Japão.”

Neil Jones, operador de câmbio na TJM Europe: “Os mercados ficarão naturalmente em alerta máximo para quaisquer possíveis novos ataques. Eu esperaria que o dólar abrisse mais forte em todos os setores, em função de uma reação reflexa inicial ao risco e das percepções de que a classificação de popularidade de Trump nas pesquisas de popularidade deverá aumentar.”

Oliver Pursche, vice-presidente sênior e consultor da Wealthspire Advisors: “Independentemente do que possa ou possa acontecer nesta segunda-feira, não reagir pode ser a coisa mais inteligente que você pode fazer como investidor em ações, porque geralmente as pessoas reagem exageradamente na direção errada. Os mercados encontrarão o seu equilíbrio e voltarão às coisas que importam do ponto de vista do investimento, que são o crescimento económico, a política monetária e fiscal e os lucros das empresas.”

Joe Gilbert, gerente sênior de portfólio da Integrity Asset Management: “A tentativa de assassinato de Trump certamente injetará alguma incerteza nos mercados. Dado que os mercados negociam em máximos históricos, faria sentido que o mercado recuasse destes níveis, uma vez que o potencial para uma eleição mais controversa e contestada parece mais provável. Esperamos que a volatilidade aumente mesmo que as probabilidades de uma vitória de Trump pareçam estar a aumentar.”

BCE tem decisão sobre juro

A agenda para o período de 15 a 19 de julho tem poucos indicadores locais importantes, apenas o IBC-Br de maio, que será conhecido nesta segunda-feira. Nos Estados Unidos, também hoje, foco na participação de Jerome Powell, presidente do FED, em um evento.  Na quarta-feira (17), o banco central americano divulga o Livro Bege e na mesma data será conhecida a inflação ao consumidor na zona do euro. No dia seguinte (18), Banco Central Europeu (BCE) divulga decisão de política monetária, seguida por entrevista coletiva da presidente da entidade, Christine Lagarde.

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