Após fusão com Ficus, Manchester Investimentos mantém “namoro” com outras casas e reforça braço de FIDCs
Nascida há quase 60 anos na cidade de Joinville (SC), a Manchester Investimentos construiu sua história com forte presença nos Estados do Sul, mas nos últimos anos vem expandindo a operação para outras regiões. O movimento mais recente foi a aquisição da Ficus Capital, casa com R$ 2,5 bilhões sob custódia e escritórios em Ribeirão Preto (SP) e Belo Horizonte (MG). Também neste ano já havia adquirido outro escritório, o Phidias, de Florianópolis (SC). Na entrevista ao Além do Capital, o sócio e diretor institucional da Manchester, Lucas Pereira, falou sobre os plano de consolidar uma presença no Sudeste via crescimento orgânico para saltar dos atuais R$ 23 bi de custódia para R$ 100 bi em cinco anos. “O movimento de consolidação entre os escritórios está muito intenso, e estamos em fase de namoro com algumas casas.” Na entrevista, Pereira falou também do atendimento à PJ e do trabalho da Prinz Capital, asset do grupo que vem reforçando a estruturação de FIDCs proprietários. Já são 17 FIDCs proprietários rodando e outros 6 em construção. Acompanhe:

A Manchester tem uma longa história construída a partir de Joinvile (SC), mas tem
buscado outros mercados e, recentemente, adquiriu o Ficus. Qual o racional por
trás do movimento?
A expansão começou há oito anos, em parte pela minha chegada, porque além de ser assessor, vim do universo bancário, trabalhava no HSBC, na área de Wealth. Primeiro, incorporamos um Multi family Office de Florianópolis (SC), onde eu havia trabalhado. Depois, mudei para Curitiba (PR) para montar o escritório no Paraná. Na sequência, mudei para São Paulo e, no meio da pandemia, em 2021, montamos um escritório. A partir de então começamos a olhar para o interior do Estado. Faz quatro anos que alguns escritórios menores têm batido na nossa porta. É um momento de consolidação. Escritórios menores têm dificuldade em investir para crescer, e se plugar em estruturas maiores pode ser a saída. Com a Ficus, ganhamos mais duas cidades, Belo Horizonte (MG) e Ribeirão Preto (SP).

A Manchester segue aberta a outras oportunidades de aquisição? Quais os planos?
Este ano, antes da Ficus, já tínhamos incorporado um escritório de Florianópolis, chamado Phidias, com perto de R$ 400 milhões sob custódia. O movimento de consolidação entre os escritórios está muito intenso, e estamos em fase de namoro com alguns, para que eles entendam como é vantajoso se plugar uma estrutura maior, tem um ganho de escala. A gente, nos próximos cinco anos, vai caminhar para R$ 100 bilhões de custódia. A gente sabe que não vai conseguir sozinho. Procuramos escritórios que tenham um perfil de clientes semelhante ao nosso, de porte intermediário, entre R$ 300 milhões a R$ 1 bilhão. A prioridade é consolidar nossa posição no Sul e Sudeste. Nós nunca nos unimos com ninguém relevante para somar custódia. A gente cresceu 40 vezes nos últimos 10 anos, organicamente. Nós vamos continuar esse crescimento orgânico. A ideia é se unir a escritórios menores, pequenos e médios, que façam sentido em estar conosco, com a nossa cultura.

Quanto a Manchester tem hoje sob custódia? E qual a presença regional da casa?
Hoje, temos R$ 23 bilhões e estamos presentes em 19 cidades, 15 com escritório físico, mais quatro que são sementes de novos escritórios. Viramos o ano com R$ 18 bilhões, ou seja, já conseguimos um crescimento perto de 30%. As demais praças cresceram muito nos últimos anos, mas Santa Catarina ainda é mais forte, responde por 70% da nossa custódia. São cidades (em SC e PR), primeiro, muito ricas, e onde nós temos muita tradição e somos referência. Tanto que ganhamos o prêmio de melhor escritório private do Brasil (XP). Temos perto de 20 mil clientes e R$ 23 bi sob custodia, ou seja, nosso tíquete médio está na casa de R$ 1 bi. Somos reconhecidos por atender o cliente com tickets maiores, alguns com R$ 50 milhões ou R$ 100 milhões de patrimônio. Temos contas grandes tanto para atender as famílias quanto suas empresas. O que fez a gente ganhar mais corpo é termos um olhar 360º, ajudando a família, as empresas, tudo que cerca. Eu tirei algumas pessoas do private de banco que tinham carteiras muito grandes. Temos um processo rigoroso de seleção de ativos para nossos clientes. Por exemplo, COE de Ambipar tínhamos zero aqui. Eu não quero ter dor de cabeça só porque o produto paga mais comissão para a gente.

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Vocês atendem tanto as empresas quanto os empresários, mas qual a fonte majoritária
de clientes?
Temos mais de três mil CNPJs dentro da Manchester, distribuídos em todas as regiões. Isso também muda o jogo. O empresário está sendo bem atendido aqui. Ele não perde o sono pensando em percentual do CDI. Ele quer saber como alonga o perfil da dívida da empresa, como acessar o mercado de capitais, como fazer um câmbio mais competitivo. Temos dentro de casa profissionais que só fazem isso. Até pouco tempo, era normal o empresário que estava aqui trazer a empresa. Agora, muitos dos nossos assessores mais performáticos vieram do mundo empresarial, trazem o relacionamento da empresa, e atender a família é uma consequência. Isto mudou de uns quatro anos para cá. Claro que, em termos absolutos, de número de contas, a pessoa física tem maior volume e vai crescer mais. Nas empresas, o crescimento em número de contas é menor, mas, por outro lado, atendemos empresas grandes, investimos na nossa estrutura justamente para poder abraçar este universo de clientes.

O que a Manchester tem utilizado, no universo das PJs, para auxiliar os clientes?
Temos avançado bastante, por exemplo, na constituição de FIDCs proprietários. Temos 17 FIDCs proprietários rodando na casa, constituído para clientes nossos que usam o fundo para se financiar. Nós mesmos estruturamos por meio da nossa gestora, a Prinz Capital. A asset surgiu para atender os clientes numa estrutura tradicional de multi Family office, que você pode construir a carteira e nem precisa ter conta em uma corretora, na XP, isto para tickets acima de R$ 10 milhões. Para gerir as carteiras administradas e os fundos exclusivos para os clientes de Manchester, nós temos fundos de previdência, de ações, renda fixa só para o cliente de Manchester. Agora, a Prinz também está estruturando FIDCs. No começo, tínhamos parceria para a estruturação, agora, a partir deste ano, fazemos interno. Foram cinco anos em parcerias, agora a própria Prinz tem capacidade de fazer internamente. Além de 17 FIDCs proprietários, temos mais seis já fechados ou na esteira.

Quanto vocês têm gerado dentro da vertical de FIDC?
Temos perto de R$ 1,5 bilhão nos FIDCs. Vejo que, na linha empresas, é o principal tema que a gente vai levar para as reuniões. É interessante que nós estamos em São Paulo, a gente trabalha no Rio, mas os escritórios nas cidades médias que nós estamos, há empresas familiares que ainda não sabem como acessar esse produto. Muitos parceiros batem na porta, mas tem que olhar bem, ver a qualidade de credito da empresa. Só montamos Fidcs proprietários para empresas geralmente muito bem capitalizadas. Nós não captamos dinheiro no mercado diretamente. A Prinz tem um fundo de crédito que capta com os clientes da casa e investe em Fidcs. É o fundo Discovery.

O mercado está passando por mudanças no modelo de remuneração dos escritórios,
como fee based ganhando espaço. Como caminha o tema na Manchester?
Essa é a realidade da indústria americana e europeia. Eu acredito que a gente vai continuar caminhando para essa direção. Na Manchester, nós estamos batendo R$ 3 bilhões no modelo fee based. Isso não é uma coisa que a gente incentiva em detrimento a qualquer outro caminho. Somos muito transparentes em falar com o cliente e dizer para ele qual é o melhor modelo, o mais adequado a ele. Para muitos perfis, o fee based faz sentido. A gente está falando de 15% na Manchester. Imagino que até o final do ano de 2026 a gente chegue, pelo menos, a 30% no modelo fee based, de 30% a 40%. Mas não é para todo mundo.
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