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Paramis Capital negocia compra de casa focada em FIDC multicedente multisacado

Jiane Carvalho

O ano está agitado na Paramis Capital, boutique financeira especializada em estruturação de dívida. A casa, que há quatro voltou a ter uma asset, após um período de ‘non-compete’ fruto do fim da sociedade com a GAP Prudential, tem acelerado esta vertical. Este ano, a Paramis comprou a Avantgarde Asset, de fundo de ações quantitativos, para reforçar a prateleira de fundos. Também em 2025, a casa fechou uma joint venture (JV) com a Convest em gestão de fortunas. Com R$ 2 bilhões sob gestão na asset e R$ 6 bilhões em negócios originados no braço de IB - desempenho reforçado após acordo com a InvestSmart em 2023 – a Paramis quer mais. O Além do Capital conversou com o CEO da casa, Danilo Ribeiro, sobre de onde veio a casa e para onde vai, que inclui “a compra de uma casa especializada em FIDC multicedente multisacado”. Na visão do executivo, embora IB seja a área mais importante, a principal vertical de crescimento daqui em diante é a asset. Acompanhe:

Quais os principais marcos da história de 18 anos da Paramis?

Começamos como um IB focado em estruturar operações do setor imobiliário. Em 2011, nos associamos à GAP Prudential, na época, uma asset independente, que durou até 2017. Quando saímos do negócio, e por quatro anos, tínhamos a cláusula de ‘non-compete’, até 2020, sem podermos atuar como gestora. Focamos no IB e tínhamos uma operação bem completa. Foram os anos de maior liquidez para fundos estruturados, alternativos, estimulados pelas plataformas como XP,  BTG entre outras. A gente surfou pelo lado do IB, mas sem montar o business de asset. Em 2021, começamos a remontar o negócio de asset, já sem a cláusula de ‘non-compete’. E para não depender de movimentos anticíclicos, busquei um sócio estratégico que criasse essa sinergia de captação. Em 2023, fechamos com a InvestSmart, escritório plugado na XP, uma parceria com troca de ações.

Nestes dois anos de parceria com a InvestSmart, quais os resultados alcançados?

Após o acordo, lançamos nosso primeiro fundo imobiliário listado, em outubro de 2023, o PEMIS11, de CRI. A partir deste momento, montamos um time de gestão de renda fixa, uma família de fundos D0, D30, D60, fizemos um IPO de um FI-Infra, o RIF11, fizemos outro fundo de debênture incentivada. Ao longo do tempo montando nossa família de fundos geridos pela asset, a parceria com a InvestSmart trouxe público de varejo para nossos fundos que não tínhamos acesso, faltava know-how de captação. Também agregou em nossa estrutura de IB. Nos últimos 12 meses, metade das operações que a Paramis fez em IB foram originadas na InvestSmart. Na captação para os fundos, 80% do passivo vem da XP. A gente sabe que é desejável ter outros canais de distribuição. Neste momento, estamos focando em Family offices (FO) e em trazer outros investidores institucionais para nossa base.

A Paramis adquiriu este ano uma asset, a Avantgarde. Por que a escolha da casa? 

A asset da Paramis começou com crédito estruturado, depois fizemos um FII e fomos avançando sempre em crédito. A compra da Avantgarde Asset, casa especializada em fundos de ações, foi com o objetivo de complementar nossa grade. Também foi por meio de troca de ações. A nossa ideia é ter cada vez mais produtos na asset, ser uma gestora multiproduto. Nós entramos de sócios na estrutura da Avantgarde e depois, ao longo do tempo, passaremos a ter 100% das ações da gestora, que passará a ficar embaixo da nossa estrutura. A escolha da asset foi porque é uma das poucas casas no mercado que estava gerando alfa, entregando mais resultado que o indexador, o IBX, com retorno três vezes maior. E a ideia não era uma asset muito grande, mas que fosse complementar. Foi uma escolha técnica. Olhamos várias casas.

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Você citou que a ideia é ter uma grade de produtos, fundos, diversificada. O que
ainda falta avançar? Tem novas aquisições no radar?

A Paramis também tem um FIDC, de ativos estressados do agronegócio, de quem ficou inadimplente. O produto tem um ano e está indo super bem. Compramos crédito em default, mas em fase pré-RJ, e com bons descontos. Normalmente, de produtores que tenham ativos reais, propriedades em garantia. O investidor é alta renda e family office. Queremos crescer nossa grade de FIDC e será via aquisição. Estamos buscando uma casa que tenha FIDC na modalidade multicedente, multisacado. Estamos em negociação com algumas casas para aquisição, que nos traga FIDC nesta modalidade. Já temos um know-how grande em FIDC, eu acompanho essa indústria desde o início, na época em que trabalhei na Mellon, que era administradora fiduciária. Temos um time dedicado a FIDC na Paramis e vemos um potencial de captação grande. A opção é por comprar quem já faça multicedente, multisacado, que tenha tecnologia para isto. Estamos já conversando.

Você citou, como investidor do FIDC distressed, a alta renda e Family offices. Qual
a estratégia da Paramis para este público?

Nós fizemos uma joint venture este ano com a Convest, em wealth. A gente atuava no segmento, mas muito timidamente, e a gente precisava de uma estrutura mais sólida. Vimos na Convest esse parceiro. O objetivo maior é gerar uma sinergia com os negócios de IB, de financial advisory, e de asset, mas principalmente o de advisory. Uma área alimenta a outra. Na medida em que você capta recursos para um empresário, gera liquidez para ele, e o cara pode virar também cliente do wealth. Esse mesmo cliente do wealth pode ser também investidor dos negócios originados pelo IB. A Paramis se tornou sócia com um percentual pequeno numa nova empresa, criada com a Convest. E à medida que a gente vai gerando clientes para ela, a gente vai reajustando as participações. O público-alvo são investidores a partir de R$ 5 milhões.

Das três áreas da Paramis, qual você entende que tem o maior potencial de
crescimento? 

O negócio de IB continua sendo o mais relevante, mas falando em potencial de crescimento, é a asset. Ela já tem uma representatividade importante. Acreditamos que, em breve, a asset irá alcançar o mesmo patamar do IB. Há um ano, a gestora tinha R$ 1 bilhão sob gestão, hoje dobramos para R$ 2 bi. No IB, nós ultrapassamos a marca de R$ 6 bilhões em operações realizadas. E a cada 12 meses, a gente tem feito mais R$ 1 bi em operações. No IB, a gente tem um perfil de operações e empresas bem diversificado, em infra, agro, imobiliário, energia etc. Participamos da estruturação de emissões, de diferentes estruturas de dívida, e montamos club deals também. Eu espero que a gente consiga, nos próximos 12 meses, ter mais R$ 1 bi sob gestão na asset.


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