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Grupo W1 planeja um braço de gestão com foco em produtos líquidos e previdência

Jiane Carvalho

Gabriel Mangueira, CEO do Grupo W1
Gabriel Mangueira, CEO do Grupo W1

A casa, que nasceu como corretora de seguros e foi avançando ao longo de 15 anos de estrada, foi abrindo braços de atuação, sempre mantendo o core de planejamento financeiro/patrimonial. Hoje, o Grupo W1 tem quatro áreas de atuação, incluindo assessoria de investimentos, plugada na XP, e uma consultoria para PMEs, a W1 Business, criada no ano passado. “Estamos dobrando a operação ano a ano. Hoje temos R$ 2,5 bilhões sob custódia e em maio de 2026 planejamos bater em R$ 4 bi”, comenta Gabriel Mangueira, o CEO do Grupo W1. Na entrevista ao Além do Capital, o executivo contou sobre o novo projeto do Grupo W1, a criação de uma asset inicialmente com produtos líquidos e previdência, que está na fase de montagem de equipe e pode sair do papel em 2026/27. Acompanhe:

Como foi o começo da W1 e de que forma a casa foi expandindo sua forma de atuação?

A W1 nasceu em 2010 como corretora de seguros e vendia produtos financeiros de forma independente. Só em 2018 começou a fazer a consultoria ou planejamento financeiro e foi dando certo. Em 2019, abrimos a W1 Capital, de assessoria de investimentos, como consequência do trabalho de consultoria. A gente queria cuidar da vida financeira do cliente como um todo. Em 2021, a gente lançou a nossa plataforma de tecnologia e no ano seguinte a consultoria patrimonial, focada em entender quais são os ativos líquidos e ilíquidos dos clientes para fazer consultoria de patrimônio. No ano passado, fizemos o último movimento, criar a W1 Business, de consultoria empresarial. Este ano, lançamos o aplicativo para o mercado, que antes era exclusivo de clientes, que possibilita sincronizar todas as contas e fazer a gestão. O core é o planejamento financeiro da pessoa física.

No braço de assessoria de investimentos, a casa já adotou o modelo de fee based
para remuneração dos consultores?

Tem uma grande diferença aqui. Na parte do planejamento financeiro, que não abrange investimentos, nascemos com fee based  sobre a renda do cliente. Agora, na assessoria de investimentos a gente tem os dois modelos, o comissionado e o fee based, que está crescendo bastante. A gente explica os dois modelos e, ao final, o cliente decide. A gente sempre acha que o melhor para o cliente é o que ele acha que é melhor. Eu não ouso dizer que o fee based é mais transparente. Vamos supor que é o mais fácil de vender porque você tem esse acordo de que não tem um viés envolvido. Mas por outro lado, tem o cashback, e muita gente no mercado coloca produto com cashback alto para justificar o fee que está sendo remunerado. No final do dia, o conflito é muito mais do profissional e não do modelo. Tem profissionais que são éticos e transparentes nos dois modelos.

Quem é, hoje, o público atendido pelo braço de assessoria de investimentos da W1? 

O nosso público é o brasileiro em fase de construção de patrimônio ou com patrimônio já formado. A maior parte tem renda entre R$ 10 mil e R$ 50 mil por mês, um público A e B com idade entre 20 e 50 anos. Claro que tem exceções, com clientes com mais idade e patrimônio maior, mas em volume, 90% está nessa faixa que falei. É um público mal atendido por banco e pelas assessorias private por não terem um investimento líquido tão grande. Foi uma decisão focar neste público porque entendemos que é onde tem o maior mercado potencial no Brasil. Não é fácil trabalhar, porque você precisa de volume para o negócio parar de pé. Por outro lado, é um mercado com muita oportunidade.

Quanto a W1 tem sob administração e como tem sido o desempenho em termos de volume de recursos geridos?

Hoje, a W1 tem R$ 2,5 bilhões e crescendo a uma taxa de 100% ao ano. A gente dobra a custódia todo ano e em breve vamos estar entre as maiores assessorias do país. Este ano, entramos no G20 (grupo das 20 maiores consultorias da XP). E no último trimestre, que fecha ainda no fim de setembro, a última parcial que a gente recebeu já estávamos no G10. Em maio do ano passado, tínhamos R$ 1 bi sob custódia, em maio deste ano batemos em R$ 2 bi, e hoje já chegamos a R$ 2,5 bilhões. A nossa expectativa é fechar o ano com R$ 3 bilhões sob custódia e em maio do ano que vem chegar em R$ 4 bi.

O que a casa oferece de diferente para conquistar este público, digamos,
intermediário, ainda construindo patrimônio?

É um conjunto de fatores. Primeiro, o modelo de atendimento é muito robusto. A gente tem uma oferta que é quase um multifamily office para um varejo média alta renda. O nosso cliente é atendido por pelo menos dois profissionais, que é o planejador financeiro e o assessor de investimentos. Dependendo do nível de contratação, pode ser atendido por 5 a 6 profissionais de produtos e serviços que temos. A gente oferece uma tecnologia proprietária em que investimos quase R$ 20 milhões, que é um software de planejamento financeiro, o S1NC. Outro investimento é na formação dos profissionais.

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Falta algo na estrutura da W1 que vocês tenham nos planos de curto prazo? 

Falta sim. Temos mapeado a criação de uma asset e de um braço educacional. A asset, a gente já está tirando do campo das ideias. Já fizemos estudo de viabilidade, estamos negociando com profissionais para serem os responsáveis pelo projeto. Está mais nos “finalmentes” mesmo, de contratar esses profissionais e colocar a asset de pé. É algo para ocorrer em 2026/27. Não temos pressa. O embrião da asset, a proposta inicial, é focar nos fundos líquidos e em previdência. Quando a gente pega a nossa custódia, quase metade está nesse tipo de investimento. Reserva de emergência ou previdência. Pensando no longo prazo, a ideia é começar com os líquidos e expandir para estruturação de algumas coisas dentro de casa, seja uma dívida direto com a companhia, que já entra um pouco mais de IB (Investment Bank). O nosso poder de distribuição é muito grande. Por isto, a ideia é ter uma prateleira de produtos super seguros com baixa volatilidade que supram essa necessidade do planejamento financeiro dos clientes da casa.

Como está o desempenho da área mais recente criada por vocês, a W1 Business, voltada
a PMEs? 

Nesta área, atacamos dois pilares, basicamente, o da clareza das informações, números, e do resultado. Ter um bom controle de fluxo de caixa, saber analisar a DRE, integrar balanço, DRE e fluxo de caixa. Ter um orçamento anual, metas bem definidas, KPIs para serem monitorados. Fazemos uma consultoria relativamente básica, mas que normalmente um empresário da PME com até uns R$100 milhões de faturamento ao ano não tem muito bem estruturado. No Brasil, é uma carência muito grande. Criamos a W1 Business em maio do ano passado e estamos faturando entre R$ 2 milhões e R$ 3 milhões por mês, acima da expectativa inicial.

Como caminha o processo de expansão regional da casa? Onde vocês identificam as
maiores oportunidades?

No Sudeste já éramos muito forte, mas recentemente abrimos escritórios no Nordeste, Sul e Centro Norte. Todas estão crescendo e indo muito bem. Inclusive, o escritório no Nordeste que está em destaque é o de Fortaleza. Temos também já em Curitiba, Cuiabá e expandindo. Em todos os escritórios oferecemos os diferentes serviços do Grupo W1, mas a principal demanda é planejamento financeiro, depois assessoria de investimento e consultoria empresarial/patrimonial. O potencial de expansão regional é grande, no Brasil são perto de 300 cidades com mais de 100 mil habitantes. Estamos hoje em 30 cidades.

Até aqui, o crescimento do Grupo W1 se deu organicamente, mas há interesse em olhar
o mercado e acelerar via aquisições?

Olhamos, sim, o mercado, mas temos uma preocupação muito grande com cultura. Para mim, se você mostrar 10 operações e nenhuma tiver fit cultural, podem as 10 ter R$ 1 bilhão de custódia, que eu vou falar não. Se tem uma operação de R$ 100 milhões que tem um fit cultural, eu prefiro esse tipo de operação. Eu prefiro explorar essa sinergia a simplesmente trocar dinheiro por dinheiro. Não faz muito sentido. E é difícil a questão do fit cultural. Eu trabalhei com M&A muito tempo e, na prática, o ponto mais crítico é sempre o pós. As assessorias não estão preparadas para isso e normalmente não recorrem a uma consultoria externa. Empresas sem cultura morrem.

Como está o faturamento do Grupo como um todo e o quanto dá para avançar nesta reta
final de 2025?

Começamos o ano faturando em torno de R$ 10 milhões por mês e devemos bater no final do ano com algo perto de R$ 20 milhões. Vamos dobrar o faturamento anual do grupo de R$ 100 milhões para algo perto de R$ 200 milhões. Claro que, na medida que você vai crescendo, o desafio de manter os 100% de expansão fica maior. Hoje, o nosso modelo é muito escalável e eu acredito que por bons anos ainda vamos conseguir manter esse desempenho.

O mercado, nas últimas semanas, viu surgirem casos importantes de uso irregular de
recursos, na Virgo, e de possível associação com o crime, na Reag. Como você
avalia estes episódios? 

Vou falar algo que talvez seja polêmico. Acho que, para o negócio, acaba ajudando, porque é mais uma prova de que precisa de profissional do lado para decidir onde investir, como se planejar. É lógico que para o mercado é horrível, péssimo, mas também faz parte da evolução. Provavelmente, veremos alguns movimentos regulatórios novos. Tem muito cliente que chega e não investe, mas aposta no tigrinho. Para mim, que o foco é planejamento financeiro, é oportunidade de transformação. Mostrar a importância de um bom planejamento de curto, médio e longo prazo.


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