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Avenue investe no B2B e planeja quadruplicar tamanho do segmento em até dois anos

Amanda Meneses

Emmanuil G Inglesis, CFO da Avenue
Emmanuil G Inglesis, CFO da Avenue

Fundada em 2018 por Roberto Lee, a Avenue nasceu como uma plataforma de investimentos no exterior para facilitar o acesso dos brasileiros aos Estados Unidos quando poucos se aventuravam nesse mercado. Hoje, com mais de 1 milhão de contas, a casa tem o apoio do Itaú, que se tornou sócio, trazendo a solidez da marca para o negócio, e busca ampliar o relacionamento com o público institucional. A Avenue, inclusive, já está fazendo investimentos importantes na expansão de parcerias. “Temos hoje mais de 600 parceiros conectados na Avenue, parceiros como consultores, wealth management, family offices, esse público mais focado em consultoria e gestão de patrimônio. Essa é uma frente que começamos há menos tempo”, conta Emmanuil G Inglesis, CFO da Avenue. A expectativa é que haja um crescimento grande no segmento. “Acho que, em 1 ou 2 anos, dá para triplicar, quadruplicar em relação ao tamanho atual.”

Em entrevista ao Além do Capital, Iglesis apresentou a trajetória da casa, que busca facilitar o acesso a investimentos internacionais para brasileiros, destacando marcos como os investimentos do Itaú e do SoftBank, que impulsionaram seu crescimento. O executivo abordou os desafios regulatórios enfrentados na fundação e a crescente concorrência no setor atualmente, além da evolução do perfil de clientes da casa, que inicialmente eram experimentadores e hoje se caracterizam por investidores de alta renda de longo prazo. Acompanhe:

Como você descreveria a evolução da Avenue desde a sua fundação até hoje?

Falando sobre a história da companhia, aconteceu tudo muito rápido. A empresa, em termos de idade, ainda é super nova. Foi fundada em 2018, com o projeto de dar acesso aos investidores brasileiros ao mercado americano. Um mercado que era ainda muito pouco regulado, era um produto, um serviço, que inexistia no Brasil até então. O serviço de investimentos internacionais era super restrito aos segmentos private dos bancões. Então surgimos com esse desafio de criar a categoria. Roberto Lee criou a Avenue com recursos próprios e depois, durante um bom tempo, com recursos de family and friends, começou esse projeto ambicioso.

Quais foram os marcos mais importantes na história da casa?

A Avenue teve o primeiro lançamento ao público no primeiro semestre de 2019. Fomos ao ar com a primeira oferta, que era bem simples, basicamente uma plataforma para se investir em Bolsa nos Estados Unidos, com um câmbio instantâneo e um home broker para se investir em empresas americanas. Ela permaneceu pequena em termos de quantidade de funcionários até 2021, 2022, quando conseguimos levantar o nosso primeiro recurso com o investidor institucional, a IGAR, hoje parte do Grupo Pátria. Em 2022, conseguimos levantar um cheque maior, de R$ 150 milhões com o SoftBank. A partir daí, com a empresa mais capitalizada, começamos a entrar numa fase de crescimento mais acelerado. Contratamos muito mais gente em um, dois anos. Saímos de 30, 40 funcionários para perto de 300. Esse time todo foi contratado para colocar no ar uma série de produtos. Colocamos no ar oferta de fundos, oferta de renda fixa, conta bancária com cartão de débito.Vários produtos. E, na sequência, veio o nosso deal com Itaú. Diria que de lá para cá a gente entrou em modo de cruzeiro. A empresa passou a ter recursos e robustez para competir. A categoria foi se formando, e depois que a Avenue superou todos os desafios de montar essa categoria, a gente começou a ter muita concorrência.

Como a empresa se transformou após a compra de participação pelo Itaú?

Eles entraram efetivamente como nossos sócios no final de 2023. Agora faz um ano e meio, mais ou menos. O Itaú trouxe como aportes muito relevantes a marca, a solidez da marca Itaú, que é indiscutível, e agregou muito para a Avenue. A Avenue, até a entrada do Itaú, era a Avenue, tinha o background dos fundadores, dos sócios, mas não tinha uma marca com o tamanho do Itaú por trás. Isso, sem dúvida alguma, trouxe bastante valor para a companhia. E a Avenue se tornou também, oficialmente, a conta internacional e de investimentos internacionais do banco. O Itaú passou a indicar clientes dele para a Avenue depois desse deal finalizado. E junto à marca Itaú e com os clientes, vem todo o know-how do banco. Ainda que seja um relacionamento mais no nível societário, de conselho de administração, o Itaú contribui bastante para a gente nos assuntos estratégicos. Na gestão da companhia e no dia-a-dia teve pouca mudança, porque a gestão da Avenue é feita de forma totalmente segregada do banco. Nosso CEO, nosso corpo executivo, continuaram fazendo a gestão.

Quais foram os principais desafios enfrentados pela Avenue para consolidar sua
operação no Brasil e nos EUA?

Os principais desafios no início eram no âmbito regulatório. Quer dizer, como você põe de pé uma categoria nova tendo como desafio adaptar sua oferta a duas regulações, no Brasil e nos Estados Unidos, somos regulados por Banco Central e CVM, nos Estados Unidos pela FINRA, entre outros. Sem dúvida alguma, no início, o principal desafio era esse. Montar uma oferta que atende a todas as regulações e opera dentro das quatro linhas, sendo que não existia um manual de como fazer isso. Não existia outro player já estabelecido para se copiar, vamos dizer assim. Acho que foi um dos principais no início. Depois, um dos grandes desafios foi caixa. A empresa, no início, não era capitalizada. Passamos alguns anos levantando dinheiro com Family and Friends e levou algum tempo para conseguir cheques maiores, dar a robustez que gostaríamos para a empresa.

Hoje em dia, os desafios têm muito mais a ver com as escolhas que a gente faz, em que novos produtos investir, quais novos caminhos tomar, e a própria concorrência que se formou ao longo desse período, que lá no início praticamente não existia.

Como a regulamentação de investimentos no exterior afeta o modelo de negócios da Avenue? Viram esse cenário melhorando desde a fundação da casa? 

No Brasil, houve evoluções na parte regulatória. A CVM melhorou a regulação para o nosso segmento da fundação da Avenue até hoje, melhorias que só trouxeram benefícios para o público investidor. Ficou mais claro como montar a oferta por conta dessas melhorias implementadas pela CVM. A própria Anbima também fez algumas adaptações na regulação existente. Já o mercado americano teve suas evoluções, mas nenhuma voltada para corretoras de outros países. Lá, foi muito mais, e ainda é, até hoje, um trabalho nos adaptarmos para conseguir atender a todos os requisitos, do que uma adaptação do lado deles, tendo em vista que existem players como a Avenue.

E sobre adaptação, questões regulatórias, temos em pauta a questão do IOF. Isso pode afetar os negócios da Avenue?

Como regulações podem mudar com aviso ou sem aviso, isso tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e se houver mudança, vamos fazer adaptações do nosso lado para deixar a companhia e o nosso negócio o mais eficiente possível, tendo em vista o que estiver valendo. Não vejo outra forma de se reagir a mudanças regulatórias que não a adaptação.

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Falando de ambiente externo, nos Estados Unidos ainda temos a questão das tarifas e uma certa instabilidade com Trump. Isso tem gerado menos apetite dos investidores? Como tem afetado os negócios da casa?

Não percebemos mudanças representativas. Esse ambiente macroeconômico está em constante mudança. É claro que, em momentos de crises super intensas, globais, pode haver mais receio por parte dos investidores, isso vale para todos os mercados, mas esses movimentos de menor prazo, eu diria, como esse das tarifas, é super recente, teve um medo muito grande há alguns meses quando o Trump começou com esse discurso, não era tão focado em Brasil ainda, mas foi rápido e logo teve recuo, negociações. Agora, aconteceu também com o Brasil. Esses movimentos de curtíssimo prazo não costumam afetar a nossa tese de internacionalização e ainda é muito recente para avaliar algum tipo de impacto. Pode ter negociação, pode não ter, mas ainda é cedo para avaliar impacto também, se é que vai ter.

Como tem sido o crescimento da base de clientes e o perfil desse investidor ao longo do tempo? A quem corresponde a maior parcela dos clientes da casa?

No início da Avenue, a oferta era mais voltada para o cliente experimentador, vamos dizer assim. Ele queria comprar ações nos Estados Unidos, tem Apple, tem Microsoft, era mais uma jornada de experimento, algo supernovo para o brasileiro, e isso, ao longo do tempo, com a maior robustez na plataforma, com o lançamento de várias linhas de produto, como renda fixa, fundos, a nossa assessoria especializada, esse perfil de clientes foi mudando para um perfil de proteção de patrimônio de longo prazo. Hoje, a maior parte dos recursos de clientes que estão aqui, e dos recursos que chegam, tem a ver com esse perfil de proteção de patrimônio, investimentos de longo prazo. Aplicações muito mais em carteiras balanceadas, de acordo com o perfil de cada cliente, com grande diversificação entre renda fixa, fundos, carteiras mais estruturais mesmo e de longo prazo. Atendemos clientes de todos os perfis, mas o perfil dominante hoje, na nossa base, é o perfil alta renda, com alocações mais de longo prazo.

A Avenue nasceu com foco no investidor de varejo, mas hoje possui operações B2B. Quais os planos? Tem alguma estratégia para atender/atrair investidor de mais poder aquisitivo?

Queremos e já estamos fazendo investimentos importantes na expansão das nossas parcerias. Temos hoje mais de 600 parceiros conectados na Avenue, parceiros que são consultores, wealth management, family offices, esse público mais focado em consultoria e gestão de patrimônio. Essa é uma frente que começamos há menos tempo. Lá atrás, a Avenue era só B2C, o B2B passou a existir alguns anos depois e, do ano passado para esse, temos intensificado bastante a expansão, é um dos segmentos que mais cresce aqui na Avenue atualmente. Esse segmento é supernovo aqui, então temos uma expectativa de crescimento bem grande em relação a ele. Acho que é um segmento que para 1 ou 2 anos dá para triplicar, quadruplicar em relação ao tamanho atual.

Quais são os principais produtos oferecidos atualmente pela Avenue? Possuem planos de expandir o portfólio de soluções além dos investimentos internacionais, como seguros,
câmbio ou previdência?

Os produtos que mais têm alocação hoje em dia são os de renda fixa e fundos de investimento. São os destaques da plataforma, que mais recebem investimentos, além de ações, que também segue sendo superimportante, mas hoje em dia já ocupa a terceira posição.  Sobre produtos novos, não posso abrir. Temos vários lançamentos no Pipe, mas infelizmente não posso tornar públicas essas novidades. O que temos de produto recente e que ainda não foi divulgado oficialmente são os fundos de países do G7. Fizemos um lançamento silencioso, já está disponível para boa parte dos nossos clientes. Basicamente são títulos de renda fixa de empresas dos países do G7. Disponibilizamos na plataforma mais de 100 fundos desses países.

E por que entrar nesse tipo de produto? Era uma demanda reprimida do mercado ou
foi apenas a título de diversificação? 

Foi a título de diversificação. Quando olhamos a plataforma da Avenue hoje, a parte de bolsa, de listados, temos algumas centenas de opções já de outros países, de ETFs que investem em praticamente todos os países do mundo. Na plataforma de fundos, também tinha opções de fundos que investem em outros países (fora dos Estados Unidos), mas na nossa plataforma de renda fixa tínhamos Brasil, América Latina e Estados Unidos, mas faltavam opções de outros países. Por isso achamos que fazia sentido ir atrás e colocar no ar uma oferta de outros países também desenvolvidos. E por que não começar com o G7? Que são os principais países em termos econômicos.

Quais são os objetivos estratégicos e metas financeiras da Avenue para este e os próximos anos?

Este ano, a gente deve crescer próximo a 100% em relação ao ano passado em termos financeiros. Falando de médio prazo, longo prazo, é um pouco mais difícil, mas para o médio prazo, acho que é continuar crescendo num ritmo superacelerado, acima de 50% até 100% ao ano. A nossa visão em relação à Avenue neste segmento é continuar com pioneirismo, liderando, trazendo inovações como sempre fizemos desde a nossa fundação

A casa tem realizado muitas parcerias. Quais frentes de inovação estão sendo
priorizadas no momento? Expansão, parcerias, novos produtos?

Acho que expansão de parcerias e de novos produtos andam em paralelo. Não priorizamos nenhum detrimento do outro. Devemos continuar com uma agenda bem forte de expansão de parcerias, ainda tem bastante a se fazer nesse segmento de gestoras, family offices, wealth management etc., assim como a gente deve continuar com uma agenda muito intensa de produtos, de novos lançamentos, no curto e no médio prazo.

E a incorporação de IA, tanto em relação às teses para novos produtos quanto em relação à aplicação nos processos a casa. Vocês têm olhado para isso?

Bastante. AI já é um consenso do mercado todo, veio para ficar e está evoluindo muito rápido. O que era possível fazer com AI há seis meses já é passado porque ela continua evoluindo. Temos estudado as melhores formas de implementar AI na companhia assim como já implementamos em diversos departamentos aqui como a própria área de tecnologia. Hoje, já usamos AI no dia a dia, já faz boa parte dos nossos códigos. Área de atendimento também já tem algumas iniciativas implementadas. Já estamos implementando em diversos departamentos e com usos diferentes. Não tem aqui uma bala de prata única que melhora a eficiência da companhia toda, temos aplicabilidades diferentes para áreas diferentes. Vamos continuar investindo porque é transformador.


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