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Primeiro FIDC imobiliário da BRZ Investimentos é semente para uma área voltada ao setor, diz CEO

Jiane Carvalho

Ricardo Propheta, CEO da BRZ Investimentos

São 20 anos de história, completados em 2025, e um forte DNA fruto de sua origem, um spin-off da GP Investimentos. O forte viés em produtos “complexos, na busca por maior retorno”, a BRZ Investimentos tem um longo histórico em Private Equity e foi uma das casas pioneiras em produtos estruturados, com seu primeiro FIDC estruturado em 2007. Ao todo, a casa já distribuiu mais de 50 fundos levantando ao longo do tempo e investiu R$ 10 bilhões, recursos em sua grande parte destinados à infraestrutura logística. “A casa atua em um nicho de mercado complexo, não porque gostamos de dificuldades, mas porque é onde existem melhores retornos”, explica Ricardo Propheta, CEO da BRZ Investimentos e egresso da GP. Na entrevista ao Além do Capital, o executivo conta um pouco dos planos de estruturar uma área imobiliária, após pôr na rua seu primeiro FIDC de credito imobiliário, “uma semente da área” que pretendem ter, e sobre o projeto do Porto Itapoá (SC), hoje um dos líderes no movimento de contêineres no País. Os primeiros recursos no Porto foram alocados em 2007, quando era apenas um terreno. Após várias aportes, o investimento no Porto deu origem ao BRZ11, um FIP-IE que abriu capital em 2020 na B3. Um exemplo do foco no longo prazo que marca a trajetória da BRZ. Acompanhe:

A BRZ hoje tem três área de atuação, private equity, infraestrutura e crédito
estruturado. Como foi a construção da casa?

A BRZ está completando 20 anos e foi criada de um spin-off da GP Investimentos, primeiro como uma subsidiária chamada GP Asset Management, que dois anos depois se tornou a BRZ. Eram executivos, como eu, egressos da GP. Tínhamos áreas de crédito privado, o private equity e fundos líquidos. Dentro do Private, já naquela época (2007) tínhamos fundos de infraestrutura e um multissetorial (PE). A parte de estruturados, que hoje é muito forte, estávamos começando. Somos pioneiros neste mundo dos FIDCs com nosso primeiro produto de 2007.

Como foi o desenvolvimento da vertical de produtos estruturados na BRZ? É só FIDC ?

Fazemos também alocação em CRA e CRI, mas não originamos. O crédito estruturado acabou virando sinônimo de FIDC, em que atuamos de forma relevante. É um mercado que foi se desenvolvendo muito devagarinho e a BRZ é uma das casas pioneiras na gestão de FIDCs. Em 2008, para você ter uma ideia, lançamos um FIC FIDC, que na verdade não existia, mas era equivalente. Um Multimercado que só tinha FIDC. É o produto do momento, com juro tão alto. Mas é um fundo complexo. O FIDC, do lado do crédito, é primo irmão do FIP, do equity. Cada FIDC é único, dada a sua estruturação. Exige um nível de singularidade alto. A CVM autorizou FIDC, sob certas limitações, para pessoa física, temos interesse, mas ainda não. É difícil para a pessoa física avaliar a estrutura de um FIDC. Agora, os FIDCs entraram no radar dos alocadores de capital por diversas razões e uma delas é porque outras classes de ativo estavam com performances complicadas por toda essa conjuntura de macroeconomia muito instável, situação política e pouca perspectiva. A bolsa não reage, os multimercados também não. Sem falar que o FIDC não tem come cotas, a tributação favorece. Foi uma tempestade perfeita a favor do produto.

Que tipo de FIDC vocês têm hoje estruturado na BRZ? E o que ainda falta ? 

Nosso primeiro FIDC, em 2007, foi um multicedente/multisacado e desde então incluímos FIDCs para fornecedor, como para financiar a cadeia de fornecedores da Embraer, por exemplo, e desde 2010 temos FIDCs de crédito consignado. Já são 10 fundos só de consignado público. Com a nova legislação, olhamos também para consignado privado, mas ainda não estruturamos. Preferimos cautela neste começo. Será um mercado muito grande, gigantesco, mas vamos aguardar um pouco para ver seu funcionamento. Sobre o futuro, temos várias conversas em aberto que podem acabar gerando novos fundos multicedente/multisacado e estamos desenhado produtos de consignado. Recentemente, lançamos nosso primeiro FIDC no setor imobiliário, que ainda está pequenininho mas vai crescer. Na estratégia de FIDC temos hoje R$ 1 bi e queremos fechar o ano com o dobro de recursos

No braço de Private Equity, qual é a principal tese da casa ?

Na área, a gente investiu muito em infraestrutura. Na verdade, o subsetor da economia que a gente mais investiu em private equity foi em infraestrutura como um todo, seja em crédito ou equity.  Na área de crédito privado, por ser mais pulverizada, alocamos em diversas subáreas. Olhamos para infraestrutura com um viés duplo de equity participações e crédito. Temos também uma subárea, que chamamos de estratégia mista, que são mandatos exclusivos atendendo ao mercado institucional, fundos de pensão e seguradoras. Voltando ao private equity a gente nasceu, como eu te falei, de um spin-off da GP, casa super tradicional em private equity. Colocamos muita energia nos fundos de participações e com alguns fundos dedicados à infraestrutura, segmento prioritário. A maior parte dos R$ 10 bi que captamos ao longo da nossa história foi para infraestrutura.

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O mercado de private equity nos últimos anos vem passando por dificuldades, tanto
para captar recursos e investir, quanto para desinvestir. Você já vê o fim do
túnel
?

É, de fato, um longo período de pouca intensidade, digamos assim. Em primeiro lugar, um mercado que está há tanto tempo turbulento acaba espantando investidores de mais longo prazo, que pedem algum nível de segurança de que vão receber o dinheiro, de que o risco vale a pena. E no Brasil há muito tempo a gente tem tido riscos que são muito difíceis de mensurar. O nosso mercado de capitais, por conta das taxas de juros, ficou muito parado, difícil fazer um IPO para desinvestir. Com tanta insegurança, e Selic perto de 15% ao ano, o investidor pede taxas muito altas para investir em produtos de private equity. Em algum momento, vem uma fase de calmaria e o produto volta, mas não tem como dizer quando. Temos fundos de private em fase de desinvestimento e trabalhamos há um bom tempo neste processo.

Dentro dos projetos de infraestrutura, tem algum nicho prioritário na estratégia da
casa
? 

Historicamente, tivemos uma certa predileção por infraestrutura logística, portos, ferrovias etc., foi onde mais alocamos capital, mas isso não significa que a gente não goste de outros subsegmentos. No Brasil, ativos de infraestrutura, pela sua natureza de longo prazo, têm estabilidade de fluxo de caixa, menos risco do que diversos outros subsegmentos da economia. No Brasil falta muito investimento em infraestrutura

Ainda no universo da infraestrutura, vocês têm um FIP-IE, o BRZ11, que investiu no
Porto Itapoá (SC). Qual a estratégia do produto ? 

É um porto de contêineres, o maior na região Sul e um dos três maiores do país. O primeiro investimento da BRZ no Porto foi em 2007, era apenas um terreno e fomos alocando. O IPO do FIP-IE foi em 2020, semanas antes da pandemia estourar. Saiu a um preço de R$ 122 a cota, que depois desabou apenas pelo pânico geral, não havia problema com o ativo subjacente. Desde então, a cota estava sendo negociada abaixo do valor de lançamento consistentemente a despeito dos resultados estarem vindo acima das projeções. Depois de muito tempo, no mês passado finalmente superou o valor de lançamento. Os FIP-IEs existem há um bom tempo, mas só a partir de 2019 com as plataformas oferecendo realmente ganhou atratividade para a pessoa física. Tem isenção no dividendo e na valorização da cota. A liquidez agora está melhorando.

Como está o desempenho do BRZ11 e se vocês pensam em ter mais ativos no fundo ?

Quando criamos o fundo e listamos, em 2020, ele comprou uma participação no Porto Itapoá. Hoje é o único ativo do fundo, mas não é pelo regulamento, podemos sim adquirir outros para a carteira do fundo. Acreditamos muito no produto porque o porto fica em uma área que não é tradicionalmente de containers. Se tem o dificultador de ter que tivemos de criar toda a cadeia de fornecedores e usuários do porto, você tem como benefício não estar dentro de uma cidade, abraçado por ela. Tem muito espaço para crescer a operação. Somos um porto de contêineres e perto de regiões importantes do país. Foram várias fases de expansão e hoje tem capacidade para 1.8 milhão de TEUs. O desempenho vem avançando. Quando a gente fez a listagem em 2020, o objetivo era que o fundo não pagasse nenhum dividendo pelos 3 primeiros anos. Como os resultados foram acima do projetado, no segundo mês de vida do fundo a gente começou a fazer distribuições pequenininhas ainda e crescendo muito consistentemente. Na semana passada, anunciamos que vamos ter um aumento de 40% nas distribuições a partir de julho. Dará perto de 8,15% líquido de dividend yield anualizado e com perspectiva de crescer.

O que vem pela frente falando em novas verticais ou produtos ?

A casa atua em um nicho de mercado complexo, com produtos complexos. Não são complexos porque a gente gosta de dificuldades, mas porque a gente busca melhores retornos que estão nestes produtos e no longo prazo. A gente tem olhado para outras áreas para desenvolver aqui dentro como a área imobiliária. O nosso primeiro FIDC imobiliário é uma semente do que pode se tornar uma área imobiliária aqui dentro, no mundo do crédito, como FII de CRI por exemplo. Tem uma série de possibilidades que temos olhado. Hoje, temos R$ 3,5 bilhões alocados e dá para fechar o ano, com os novos FIDCs, com perto de R$ 4,5 bi.


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