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Régia Capital, da parceria entre BB Asset e JGP, prepara fundo de ações e um FIP de minerais críticos

Jiane Carvalho

Guilherme Lima Bragança, sócio e head de RI da JGP e Régia Capital
Guilherme Lima Bragança, sócio e head de RI da JGP e Régia Capital

Uma gestora que se propõe a ser um hub de investimentos sustentáveis e fomentar negócios inovadores, com foco em externalidades positivas. Esta é a proposta da Régia Capital que, em apenas um ano no mercado, chega a R$ 8 bilhões de ativos sob gestão e já mira algo próximo de R$ 20 bilhões na virada para 2026. Por trás da Régia dois parceiros de peso - a BB Asset, maior gestora do país, e a JGP, casa com 25 anos de história e mais de R$ 40 bilhões de AUM. A casa, que recebeu os primeiros fundos sustentáveis migrados da JPG, já captou R$ 6 bilhões com produtos gerados após o estabelecimento da parceria. Nos planos de curto prazo, há um fundo de ação, com exposição a ativos internacionais, e produtos estruturados. “Estou falando de FIDC, FIP e Private Equity, alguns que já estão em fase de estruturação na Régia”, comenta Guilherme Lima Bragança, sócio e head de RI da JGP e Régia Capital.

Entre os novos produtos, há um FIP que começou a ser estruturado após a Régia Capital vencer um edital do BNDES com a Vale para gerir um fundo de minerais críticos que terá prazo de 10 anos. A oferta deve começar em junho. O outro, comenta o executivo, é um FIDC que já tem R$ 100 milhões de largada – metade de recursos da Petrobras e metade de fundos da própria Régia - para financiar bioeconomia. Na entrevista à Capital Aberto, Bragança destacou os planos de crescimento da gestora e defendeu o posicionamento da casa como provedora de soluções de capital. “As gestoras de crédito vão ter mais dificuldade de gerir os seus fundos unicamente investindo em ativos mostrados por outros players.” Acompanhe:

Por que uma gestora com foco em operações que sigam padrões ESG? Como nasceu a
ideia?

A primeira coisa é lembrar que esse processo começou já tem bastante tempo na JGP assim como no BB. Em 2018, a JGP começou um estudo para integrar a sustentabilidade nos nossos processos de investimento, uma preocupação técnica e não comercial, apenas de produto. Víamos que se não tivéssemos mapeado direito, a gente não iria fazer o nosso dever fiduciário da maneira mais precisa possível. Quando ocorreu o acidente de Brumadinho (2019), a gente ainda estava no processo de estudo e tínhamos uma posição relevante de Vale no nosso portfólio. E nos convencemos de vez sobre o caminho a seguir. A cobrança dos reguladores iria aumentar cada vez mais, sem falar nos compromissos globais assumidos que tornam mais rigoroso escrutínio do regulador, dos governos, sobre os negócios. A partir de 2020 a gente, de fato, integrou o ESG e amadureceu a compreensão de que a gente deveria servir também como um provedor de soluções para esses novos negócios, de capital, de inteligência, de design de produtos, que pudessem encaixar esses negócios. Passamos a ser reconhecidos como uma casa que tem a capacidade de analisar determinados tipos de negócios. No final de 2023, começou a conversa entre JGP e o Banco do Brasil. Decidimos unir a capacidade de distribuição que o BB tem, uma instituição muito forte, com uma base muito bem estabelecida, com a nossa expertise em ESG. Deu muita escala ao que já fazíamos.

E como foi estruturada a parceria entre BB Asset e JGP para criar a Régia Capital?

A parceria estratégica entre as casas permitiu criar uma gestora 100% dedicada para investimentos sustentáveis. A ideia, desde o começo, foi sermos um hub de investimentos sustentáveis com vários tipos de produtos e nos propondo a ser um agente de soluções para os investimentos sustentáveis. Nós começamos fazendo a transferência dos fundos de mandato ESG que já eram vendidos pela JGP para a nova casa. E na sequência, criamos uma família de fundos de crédito sustentável para ser distribuída nas plataformas do BB. Tem versões para varejo, private, wealth management e para institucionais e governos, além uma versão previdenciária.

E em termos de captação, como estão os produtos? 

A Régia, como um todo, hoje tem perto de R$ 8 bilhões. E essa família que foi criada já com o BB tem quase R$ 6 bi, gerados na própria Régia. Nós transferimos para a Régia, ao longo do tempo, alguns FIDCs de renováveis, de agroflorestas, coisas do gênero. A gente transferiu nossos fundos de crédito da JGP pré-existentes e criamos essa família dedicada para a rede do Banco do Brasil. Foi um desempenho muito bom para o primeiro ano. O banco já tinha essa cultura ESG estabelecida, o que facilitou a colocação dos produtos junto ao investidor. Temos também uma nova gama de produtos mais estruturados que estamos montando.

Que tipo de produtos estruturados estão nos planos da Régia?

Estou falando de FIDC, de FIP, Private Equity. A gente, por exemplo, ganhou um edital do BNDES com a Vale para gerir o fundo de minerais críticos, de transição, em outubro passado. A ideia é montar esse fundo, captar recurso, e investir nos minerais da transição, vamos chamar assim. Será um fundo no formato de FIP. Serão 10 anos de duração, 4 anos de investimento e até 6 anos de desinvestimento. É um fundo focado em indústria de minerais críticos no Brasil, de grande potencial. O Brasil, para você ter uma ideia, tem apenas 27% do território mapeado e ainda por cima está longe da precisão mais palatável, que é de uma escala de 1 para 50 mil, enquanto no Brasil é de 1 para 100 mil. O Brasil está em segundo lugar em produção e reserva de iron ore, em grafita tem a segunda maior reserva, níquel e terras raras é o terceiro em reservas. O país tem um potencial gigantesco de realmente ser um protagonista nisso. O FIP que estamos estruturando deve começar a oferta em junho.

Vocês já têm experiência em fundos com esta característica ou será o primeiro?

A gente já montou um fundo junto com a Petrobras. Também foi um edital que vencemos para gerir um fundo de bioeconomia. Esse fundo já tem R$ 100 milhões, sendo metade investido pela Petrobras e a outra metade via recursos dos fundos da Regia Capital. É um FIDC que eu vou utilizar para financiar um projeto de bioeconomia. Ele provavelmente vai aumentar bastante de patrimônio ao longo do tempo, porque a Petrobras pode ter um investimento de R$ 50 milhões adicionais ao ano. O primeiro investimento foi no final do ano passado. No final desse ano já teríamos mais de R$ 50 milhões. A ideia é apoiar projetos socioambientais aqui no Brasil com o objetivo de transformar os negócios sustentáveis de impacto positivo em uma escala grande. 

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Você citou FIDC, FIP e os fundos de crédito. O que falta na grade da Régia? 

A gente está criando fundo de ação agora, que deve estar pronto em pouco tempo. A ideia é começar a compor o track record para estar ali no final do ano, quando ocorre o evento da COP30, com ele já rodando. O mercado tem muitos fundos de ações internacionais, mas geralmente são veículos locais de gestores internacionais, o próprio BB tem produtos da Nord. O que a Régia vai fazer é o que a JGP faz, uma gestão ativa dos fundos de ações com investimentos locais e internacionais. A ideia é estar pronto ainda este semestre.

Você citou o evento de Brumadinho como alerta para análises socio ambientais das
empresas. Como funcionam hoje os critérios ESG na casa? São proibitivos ou
apenas reduzem a exposição do fundo? 

A casa tem uma lista restritiva que são aqueles setores que não tem substitutos naturais e que são grandes causadores de emissões ou têm questões sociais muito importantes como trabalho escravo, fumo, bebida de alto teor, coisas deste tipo. De resto, a gente acredita que o modelo que tem ganhado força, especialmente na Europa, é o de investir e engajar, utilizar a metodologia, os frameworks de investimento sustentável para que aquilo te traga inputs sobre qual é o tamanho do risco e da oportunidade de investimento naquele negócio. Nós criamos frameworks sustentáveis que tem 150 perguntas adicionais ao nosso modelo de análise econômico-financeiro tradicional. Temos alguns alertas ou pontos de atenção das empresas analisadas e uma série de quantitativos que são específicos daquele segmento da companhia. Tudo tem que te trazer inputs. É importante você cobrir o processo dos dois lados. De um, mapear os riscos e as oportunidades de investimento, também em função do ESG, e do outro é importante engajar com a companhia e contribuir para a melhora a operação ao longo do tempo. Claro que algumas empresas, em função do ESG, ganham bola preta.

A BlackRock fez alterações na forma de tratar os critérios ESG, o que levantou
suspeita de que o tema estaria perdendo força. Isto atrapalha este caminho?

Eu acho que ajudar não ajuda, obviamente. Mas eles geram um questionamento importante nas gestoras que estão voltadas para oferecer produtos dessa natureza, que é a necessidade de contribuir com a educação das pessoas. Isso é muito positivo. Hoje em dia, não basta você simplesmente dizer que está fazendo bem. Tem que explicar o porquê, em que tipo de negócio está investindo, mostrar os cases, o tipo de impacto que causa. Isto não é ruim, eu acho até bom. É necessário ter a capacidade de explicar com profundidade. Tem registros de eventos climáticos extremos, que chamam a atenção das pessoas. Uma narrativa que tenta criar um retrocesso nesse negócio não é mais poderosa do que a própria natureza.

Como está sendo a adaptação dos produtos à CVM 175? O fato de ser uma casa nova,
facilita?

Facilita muito sim, sem dúvida. A questão é que demora. Todos querem rapidez, mas não é assim. Os administradores estão se adaptando, tem uma quantidade boçal de fundos sendo adaptados, definidos para a norma nova. É um momento de dor, mas ao final dessa transição vai ser muito positivo o fato de podermos ter classes, subclasses, algo que nos principais centros financeiros já ocorre. Por exemplo, o nosso fundo de minerais críticos nasce com essa estrutura de subclasses, com diferentes mínimos de investimento com alvo diferente, com público-alvo diferente, direitos diferentes.

A Régia está se preparando para entrar em roadshow internacional. Qual é o
produto que será divulgado?

A gente vai entrar em roadshow para mostrar o FIP de minerais críticos, essenciais, assim que estivermos com a oferta estabelecida. Já temos conversas com vários bancos de desenvolvimento, com fundos soberanos, com investidores estratégicos que também têm interesse por esse setor de minerais críticos. É um tema que está muito em voga. É um produto de 10 anos com 6 de desinvestimento, ou seja, não é para qualquer apetite. Dito isto, eu acho que hoje em dia tem uma sofisticação um pouco maior em termos de clientes private para oferecer. A única questão é que você faça a venda da maneira correta, tem que explicar quais são os riscos, qual o prazo do fundo. É um setor com tiers espetaculares. A gente vai oferecer para qualificado, mas não apenas. Investidores profissionais, sejam estratégicos do próprio setor ou não, e para o private de algumas instituições.

Qual a perspectiva de ativos sob gestão até o final do ano e quais produtos devem
puxar o desempenho? 

A nossa meta é alguma coisa entre R$ 15 bilhões e R$ 20 bilhões no final do ano, mais para R$ 20 bi. O que eu acho que continuará crescendo são os fundos de crédito sustentável, respeitando os limites de capacity. A gente acha que o nível de emissões de crédito privado desse ano vai ser substancialmente inferior ao que teve no ano passado. Os últimos anos foram uma janela de emissões extraordinária. Boa parte das empresas fez o processo de asset liability que era necessário. É mais provável que as empresas reduzam o nível de emissões. Provavelmente as empresas vão fazer menos Capex esse ano, por isso vão fazer menos emissões. Cada vez mais fica extremamente importante ter um braço que te ajude a fazer parte de originação e estruturação de ativos. Temos um financial advisory com quase 30 pessoas que nos ajuda a achar os ativos que a gente possa ajudar a originar e estruturar para alocar nos nossos fundos do ponto de vista de ativos sustentáveis. Nos posicionamos cada vez mais como provedor de soluções de capital. As gestoras de crédito vão ter mais dificuldade de gerir os seus fundos unicamente investindo em ativos que são mostrados por outros players.   


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