Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

TRX diversifica carteira do fundo TRXF11, com unidade hospitalar do Einstein, e cria seu primeiro hedge fund imobiliário

Jiane Carvalho

Gabriel Barbosa, sócio da TRX Investimentos
Gabriel Barbosa, sócio da TRX Investimentos

Atuando na originação dos ativos com operações Built to Suit, de imóveis sob medida para empresas, e de Sale and Leaseback, comprando e alugando unidades, a TRX Investimentos se consolidou como uma gestora independente no mercado de Real Estate. Tem um dos fundos imobiliários (FII) mais líquidos do mercado, o TRXF11, e contratos atípicos de locação de 58 imóveis para nomes como Leroy Merlin, Obramax, Grupo Mateus, Carrefour e Decathlon. Esta é a foto atual e também a da origem da TRX em 2007, mas o filme desta história inclui uma ampliação dos negócios em outras direções que não deu certo. Chegou a ter um braço em Miami, uma securitizadora e uma joint venture com a Caixa/ FGTS em projetos especulativos de logística. Após a crise econômica do segundo mandato de Dilma Rousseff, que pegou a TRX no contrapé, quase tudo foi descontinuado. “Voltamos à nossa origem, ao que sempre soubemos fazer bem, que é originar produtos de real estate e gerir produtos de renda”, explica Gabriel Barbosa, sócio da casa e gestor do TRXF11.

Na entrevista ao Além do Capital, o executivo conta a longa história da casa e o processo de retomada da identidade, que resultou na criação do TRXF11, fundo que em 2024 se tornou sócio, com 70% do capital, da nova unidade do Hospital Albert Einstein, voltada à oncologia. “Tínhamos um pé atrás com operações de hospital por ser um segmento complexo, com a unidade preparada para aquele tipo de operação, difícil trocar de inquilino, mas a operação do Einstein, pela capacidade de crédito deles, localização e setor é algo emblemático para São Paulo”, explica Barbosa, que diz ter tentado comprar, via TRXF11, toda a unidade, mas sem sucesso. “Não quiserem vender.” Na entrevista, o executivo conta também detalhes da estratégia do primeiro hedge fund imobiliário da casa, o TRXY, criado no final do ano passado. Acompanhe:  

Conte um pouco da história da TRX. Como a casa chegou até este momento?

Ela foi fundada em 2007 por dois sócios que vieram do mercado imobiliário e viam espaço para atuar na estruturação de operações Built to Suit e com contratos atípicos, de 15 ou 20 anos. Na época, a TRX não era uma gestora, mas uma desenvolvedora imobiliária. A casa sentiu necessidade de fazer a gestão desses veículos e se associou à Orbe Investimentos, hoje com o nome Trópico, que tinha uma carteira de ações em que ela era ativista. A TRX viu que poderia ser um caminho para originar mais negócios com essas empresas maiores que já eram listadas. Este nicho, de Built to Suit, fez com que a TRX surfasse uma onda muito boa até que o mercado foi mudando. Em 2013 e 2014, chegamos a ser a segunda maior plataforma de galpões logísticos no Brasil. A gente primeiro oferecia fundos de private equity imobiliário, que era de onde vinha o capital, mas já existia uma demanda de investidores que queriam carregar a renda. Foi quando a TRX estruturou o seu primeiro fundo imobiliário, o TRXL11, de logística, hoje com gestão do BTG. Foi o nosso primeiro fundo de renda, ou seja, que a gente oferecia a renda para os nossos investidores.

Sempre foi no modelo Built to Suit ou a casa já havia introduzido outros formas de
originação?

Com o TRXL11, passamos também ao modelo de Sale and Leaseback, que a gente comprava das empresas e locava de volta  para eles o mesmo imóvel. A gente listou esse primeiro fundo em 2010 e na época a bolsa tinha 15 mil investidores em fundos imobiliários. A TRX é um dos precursores desse mercado. Neste meio do caminho, a Orbe vendeu a participação dela para um Private Equity a um valuation muito alto, esticado, e esse fundo demandou da casa crescimento e diversificação para justificar o valor pago. Além de desenvolvedora e gestora, a TRX passou a fazer outro tipo de operação, de projetos logísticos especulativos em parceria com o fundo FGTS, da Caixa (joint venture). Passamos também a fazer infraestrutura e trouxemos uma empresa de self-storage para o Brasil, uma parceria com a Metro, tivemos uma joint venture com o Goldman Sachs, montamos uma área de crédito estruturado e pensamos por que não fazer in-house, e foi quando montamos uma securitizadora, estruturávamos o CRI. Até que tivermos que rever os planos.

Quais as dificuldades da TRX naquela época? O que deu errado? 

Diversificamos bastante e veio a crise do segundo mandato da Dilma Rousseff, que nos pegou no contrapé. As operações que sustentavam a gente, com grandes empresas, praticamente deixaram de acontecer. As poucas operações que apareciam era uma briga para ver quem fazia o pior negócio. A gente estava numa estrutura super inchada. Os sócios tentaram carregar a empresa até 2017 nesse formato, quando começou uma reestruturação. Nos desfizemos de tudo que não era mais o core business. Vendemos a empresa de self-storage, descontinuamos várias áreas. Foi feito um movimento de realmente focar no que a gente sabia fazer desde o começo, que é Built to Suit e Sale and Leaseback. Só para você ter ideia, a gente tinha um escritório em Miami. Reduzimos tudo, foi um processo longo concluído no começo de 2019. Cortou na carne mesmo. Nesse processo de reestruturação, os sócios fundadores recompraram o Private Equity e passaram a ser 100% donos da TRX.

E a partir desta reestruturação, como a TRX passou a se reposicionar no mercado?

A nossa decisão foi que não tínhamos mais dúvida na nossa identidade. Durante muito tempo a gente teve dúvida, somos uma desenvolvedora imobiliária ou uma gestora de recursos? Se você é desenvolvedor imobiliário, o seu cliente é a empresa, se você é a gestora de recursos, o seu cliente final é o investidor. Foi quando nos  posicionamos como uma gestora de recursos, de nicho, focada em fundos imobiliários. No começo de 2020, a gente viu que o mercado de fundo imobiliário já não era aquele de 2010 e queríamos nos posicionar como uma gestora de um fundo só, de tijolo, e direcionar toda a nossa capacidade de originação, que é onde a gente tem o maior diferencial em relação a nossa concorrência. E foi assim que nasceu o TRXF11, fundo imobiliário listado em Bolsa em janeiro de 2020.

Desde então, qual foi a evolução do produto, o FII TRXF11?

No IPO, a gente captou R$ 190 milhões para comprar quatro imóveis em operações principalmente de Sale and Leaseback. Compramos duas lojas de varejo, dois galpões logísticos. A ideia era que o TRXF11 fosse um fundo livre para que a nossa capacidade de originação traga as oportunidades. Nasceu assim, sem uma classificação definida, porque é algo que aprendemos ao longo do caminho. Fundo imobiliário não tem resgate, o que do lado da gestora é muito bom. O mercado foi criando ao longo do tempo fundos temáticos, de shopping, lajes corporativas, galpões logísticos. A gente tentou fazer desse jeito, mas só faz sentido se forem grandes e não foi o que aconteceu com a TRX. Com fundo menor, qualquer vacância acerta em cheio a cota. O TRXF11 é um fundo grande, de ativos de tijolo e com muito pouco papel, cerca de R$ 25 milhões, e com 185 mil investidores. É um dos fundos mais líquidos da Bolsa, o que é bem notório para uma empresa independente que está disputando com as outras assets de grandes instituições. O PL do fundo é de R$ 2,3 bilhões.

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

O que compõe o portfólio de ativos do fundo TRXF11? 

No IPO, começamos com quatro ativos, dois galpões e duas lojas de varejo do que chamamos de loja Big Box. Na sequência, em março de 2020, a gente assinou uma grande operação de Sale and Leaseback com o grupo Pão de Açúcar. A gente comprou deles 39 lojas de uma vez, no Brasil inteiro, num valor aproximado de R$ 1,3 bilhão. Acabou que o fundo ficou muito concentrado na tese de varejo, supermercado, atacadistas. Tínhamos muito Assai, muita loja do Pão de Açúcar. O mercado gostou porque a gente não tinha outros fundos com essa característica. A gente não tem muita concorrência nesse setor, no ponto de vista institucional. E a gente ficou grande, relevante e as empresas começaram a nos procurar. A partir disso, a gente começou a fazer Built to Suit dentro do fundo. Em 2022, começamos a desenvolver lojas para a Leroy Merlin, para Obramax, para o Grupo Matheus. Hoje, o fundo tem 58 imóveis, 57 são grandes lojas de varejo. Temos também Carrefour, Decathlon e outros menores.

Você está citando grandes marcas de varejo, reconhecidas pelo público. Ajuda a
atrair investidores? 

É importante ter marcas que as pessoas reconhecem. A tangibilidade de você conhecer a loja é diferente, por exemplo, de um galpão logístico. Além disso, é um setor que demanda contratos de longuíssimo prazo. Porque o varejista não quer perder o controle do ponto dele. Ele se protege assinando um contrato de 20 anos. Essa é uma característica que no mercado de fundo imobiliário chama muita atenção e dá muita tranquilidade. Quem compra quer renda. E ele fica com essa previsibilidade. O fundo tem um prazo médio de contrato de 15 anos. Uma garantia de fluxo nos próximos 15 anos muito relevante.

Vocês fecharam no ano passado um acordo para a construção de uma nova unidade do Hospital do Albert Einstein. Quais as bases do negócio?

É tudo no TRXF11. Em 2024, vendemos o último galpão logístico que a gente tinha no fundo e ficamos 100% varejo. Neste meio tempo, surgiu essa oportunidade do Albert Einstein. Na nossa cabeça, quanto mais eu conseguir diversificar o fundo no longo prazo, melhor. Sempre buscamos isto, mas aconteceu de originarmos as melhores oportunidades no varejo. Tínhamos um pé atrás com operações de hospital, como todo o mercado tem. É um segmento complexo, a unidade é toda preparada para aquele tipo de operação, difícil trocar de inquilino. Quando veio a oportunidade, mesmo assim, decidimos avaliar melhor a operação do Einstein que realmente, na nossa visão, é operação única, emblemática para São Paulo. Está sendo construído o hospital mais moderno da América Latina. São 41 mil metros quadrados de área que será voltada para o tratamento de câncer, o setor mais lucrativo, do ponto de vista de business para um hospital. A qualidade de crédito que o Einstein tem, a capacidade de pagamento, é enorme. Quando a gente olhou tudo isso e viu o preço que iríamos pagar por metro quadrado, com um contrato atípico com o Einstein de 20 anos, era um bom negócio. O projeto está localizado em um mega complexo, o Parque Global, na Marginal Pinheiros. O fundo fez uma emissão de R$ 250 milhões no ano passado e captou R$ 500 milhões. Ficamos muito felizes e isto deu força para a gente fazer a operação do Einstein. O hospital deve ficar pronto daqui um ano, porque quando a gente entrou, a obra já estava em andamento. O TRXF11 terá 70% do hospital. Queríamos comprar 100%, mas eles não quiseram.

No ano passado, no segundo semestre, a casa lançou o TRXY, um hedge fund. Qual é a
estratégia para o produto?

Durante 5 anos, de final de 2019 até final de 2024, ficamos 100% focados no TRXF11. Toda a nossa capacidade de originação, de gestão, de conhecimento imobiliário, esteve focada no fundo. A gente percebeu que o TRXF11 já estava maduro o suficiente para a gente continuar originando, continuar focado nele, mas sentimos uma demanda dos investidores, por um fundo de papel. E lançamos o TRXY. Ele vai ser o nosso grande carro-chefe de papel. Também com essa cabeça de ser híbrido, como o TRXF11 seguirá sendo nosso carro-chefe de fundo de tijolo.

Na carteira, o fundo tem apenas CRI?  Ou há espaço para outros ativos?

Ele tem em torno de 70% do PL investido em outros fundos imobiliários, porque no momento que a gente captou o dinheiro, os fundos estavam muito descontados. Foi no final do segundo semestre do ano passado. Vimos uma oportunidade, nesse primeiro momento, de mirar os fundos com os maiores descontos. A gente tem hoje em torno de 20% a 25% em CRIs. Esse percentual vem aumentando com o tempo. Na medida que vamos vendendo esses fundos que compramos muito barato e vamos gerando resultado, direcionamos esse recurso para CRIs. Acho que, no médio prazo, o normal seria ter em torno de 60% a 70% em CRI, 30% e 40% em fundo imobiliário. Sendo que a gente pode também comprar ações de empresas listadas na bolsa do setor imobiliário. A gente tem hoje uma empresa de shopping que representa em torno de 1% do patrimônio, é pequeno. Mas a gente tem também investimento em ações. É um hedge fund mesmo.

O IFIX já começa a se recuperar, com altas importantes nos últimos meses. Ainda tem
oportunidade de compra ou já esgotou? 

A gente vê bastante oportunidade ainda. Em fevereiro e março desse ano o IFIX subiu quase 10%. A gente acha que ainda tem muito espaço porque desses 10% é depois de uma correção muito maior de vários fundos muito descontados. Tem em muitos casos um duplo desconto que vai ser percebido na hora que realmente os juros futuros começarem a diminuir, que tivemos um spread de crédito melhor, uma condução econômica melhor. Hoje, o desconto já está mais equilibrado entre fundo de papel e de tijolo. A gente até tem diminuído um pouquinho a participação de fundos papel no TRXY e caminhado mais para fundo de tijolo. Ou para o papel direto com taxas mais interessantes. Este fundo, o TRXY começou com R$ 36 milhões.

Todo ano o governo volta ao tema da tentativa de tributar os dividendos pagos pelos
fundos imobiliário. É algo que preocupa?

O mercado de fundo imobiliário é um mercado muito incipiente, até para o pessoal (governo) que tem esta sanha arrecadatória. Hoje, o nosso mercado de fundos imobiliários listados, como um todo, é de R$ 130 bilhões. E, na média, os fundos vão pagar 10% ao ano de dividendo, ou seja, apenas R$ 13 bilhões, isento de imposto de renda para os investidores. Se você tirar 15% de imposto, arrecada pouco. E é custoso porque mexe no bolso de 3 milhões de pessoas que investem em fundos imobiliários. É muito pouco a ser arrecadado, perto de R$ 2 bilhões, neste momento, não creio que vá ocorrer.


Leia também: Com foco no agro, Fator Gestão mira crescimento em fundos cetipados para o institucional