MAG Investimentos chega a R$ 17 bi de AUM e planeja fundo imobiliário de múltiplos ativos

A casa nasceu em 2013 para fazer as reservas técnicas do Grupo MAG, de seguros, mas não se acanhou com as possibilidades de atuação. Doze anos depois, a MAG Investimentos permanece como gestora dos recursos da seguradora, mas ampliou seu horizontes para atender desde outros clientes institucionais, como fundos de pensão e RPPS, ao varejo com produtos distribuídos nas plataformas. No ano passado, os recursos sob gestão, puxados pela renda fixa, saltaram 40%, para R$ 17 bilhões. “Foi um ano passado foi muito bom para a asset. Mesmo em fundos de ações e multimercados conseguimos manter o AUM, quando muitas casas perderam recursos”, comenta Fernando Gabriades, sócio e diretor comercial da MAG Investimentos. Com uma atuação independente da seguradora, a asset cresceu com uma prateleira diversificada de fundos e pulverização do passivo. As plataformas já respondem por 20% do AUM da casa e, na visão de Gabriades, “devem seguir ganhando espaço”.
Na entrevista à Capital Aberto, o sócio da asset falou sobre a importância de oferecer para o investidor local fundos da Aegon, asset global com US$ 500 bilhões de AUM e sócia da MAG, e de novidades que estão sendo gestadas. Ainda neste ano, a casa pode ter seu primeiro fundo imobiliário aberto (FII) de múltiplos ativos. Acompanhe:

No ano passado, a MAG trouxe novos sócios para a área imobiliária. Quando teremos
o primeiro fundo imobiliário da casa?
Em 2024, trouxemos uma equipe para focar no produto, em fundos imobiliários. Por enquanto estamos estruturando alguns fundos para lançar mais para frente. Talvez esse ano a gente lance um fundo imobiliário aberto. Sabemos que o mercado não está fácil para o segmento, mas ainda assim temos planos de colocar um FII no mercado ainda neste ano. Provavelmente no segundo semestre. A gente já estruturou o fundo, mas não lançamos ainda.

Em que segmento dos fundos imobiliários ele vai atuar?
A ideia é um fundo que poderá ter ativos diferentes, pode ser de dívida, lajes corporativas, ou seja, todas as estratégias de um fundo imobiliário dentro de um produto só. Eu acho que vai agregar valor porque o mercado é cíclico, tem hora que galpões vão bem, em outro são os shoppings ou residenciais. A ideia é dar flexibilidade para o gestor gerar mais performance para o investidor. Será um fundo aberto com negociação em bolsa. Está em fase de testes, sendo incubado na MAG. Será um fundo imobiliário aberto a diferentes classes de ativos

No ano passado vocês estruturaram uma área especifica para RPPS (Regime Próprio
de Previdência Social). Qual o objetivo?
Na verdade, o RPPS a gente tinha já, era um mercado que a MAG atuava, mas não tínhamos uma equipe dedicada. O que fizemos foi investir num time próprio dentro de casa. Já temos no braço de RPPS perto de R$ 1 bilhão de recursos geridos. Hoje, podemos dizer que a MAG atua em todos os segmentos de clientes. Temos o institucional, que são os fundos de pensão, atualmente nossos principais investidores, e temos também a colocação dos produtos via plataformas digitais que vem crescendo muito. Então, a gente vem tendo uma expressão muito grande nas plataformas. Já é bem relevante, chegamos a algo perto de R$ 3 bilhões. A MAG está presente em praticamente todas. As três principais são XP, BTG digital e o Itaú, via Íon. E no onshore também temos a parte de single multifamily offices e o single multifamily offices corporate.

A MAG Investimentos têm como sócia a Aegon, uma importante asset global. De que
forma vocês se beneficiam disto?
A gente falou do portfólio onshore da MAG, mas temos também a parte offshore de gestão da Aegon. Temos um escritório, uma gestora, portfólio manager, que fica em Londres e que faz a gestão de diversos fundos e nós abrimos aqui, no Brasil, as estratégias para vender ao público. São feeder fund. A ideia é ter tudo dentro da casa, é uma asset multilínea. Temos desde o produto mais conservador chegando até fundos offshore, em que temos quatro estratégias. Nós compramos as cotas dos fundos da Aegon lá fora e oferecemos em uma estrutura montada aqui.

Desde quando a MAG Investimentos oferece estratégias offshores para clientes locais e como tem sido a atratividade?

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A gente trouxe os fundos mais ou menos há dois anos e foi um período complicado para investir no exterior, com volatilidade e taxa de juros muito alta. Eu acredito que são produtos que agora os investidores começam a olhar pensando em diversificar o patrimônio. Começa a gerar uma demanda para os clientes. São estratégias tanto de renda fixa quanto de renda variável no mercado externo. São produtos para todos, temos nas plataformas, para single multifamily offices, investidores institucionais e RPPS. Quando a gente desenha os produtos pensamos em todos os segmentos de clientes.

Como foi o ano de 2024 para a MAG Investimentos? Quais os destaques?
O ano passado foi muito bom para a asset. A gente teve um aumento de 40% do AUM. Começamos o ano com mais ou menos R$12 bilhões sob gestão e acabamos 2024 próximos de R$ 17 bi. O lucro também acompanhou o AUM e cresceu no período, foi muito forte, praticamente dobramos o lucro sobre 2023. O que puxou o desempenho foi a renda fixa, o crédito privado. A gente tem essas duas caixinhas que cresceram bastante. Nossa grade de fundos é bastante completa, temos desde os fundos de renda fixa mais conservadores, passando para o crédito privado, inflação, multimercados e renda variável. É uma grade completa, mas o destaque do portfólio foi renda fixa crédito privado.

O mercado como um todo perdeu dinheiro nos produtos de ações e multimercado. Como
foi o desempenho na MAG?
A gente não perdeu, mas também não ganhou. A MAG manteve o patrimônio nos multimercados e de ações, o que é bom dado o desempenho do segmento como um todo. Para estes fundos está bem complicado, mas considero que tivemos um ano bom. Porque não perder o patrimônio, manter os recursos sob gestão em renda variável e multimercado, já é um sucesso num período como o ano passado.

No AUM da casa, falando em participação dos diferentes clientes atendidos, quem é
o mais relevante?
É o institucional, que inclui algumas seguradoras que não têm asset, grandes empresas (corporate), fundos de pensão. Responde por algo perto de 50% do AUM, mas as plataformas digitais veem crescendo muito e já respondem por 20% do total. Nós atendemos a MAG Seguros, começamos assim, fazendo a gestão das reservas técnicas da seguradora e continuamos fazendo, mas hoje somos independentes. Temos total autonomia e um relacionamento bastante estreito, próximo, com a Aegon lá fora, que é nosso sócio, mas com business muito apartados.

Das diferentes classes de fundos e de públicos que vocês atendem, olhando para
2025, o que deve puxar o crescimento?
Na parte de investidor, eu acho que a ideia é continuar crescendo, fazendo esse trabalho em todas as caixinhas. Eu acho muito importante a gente pulverizar sempre o passivo. Ter plataformas, single, multifamily, grandes alocadores, fundos de pensão e assim por diante. Na parte de produtos, ainda vamos ter um rally na renda fixa e crédito privado. Com essa taxa de juros alta, e que a gente não vê num horizonte tão de curto prazo para reduzir, ainda neste ano e no ano que vem deve ter muito fluxo para renda fixa, crédito privado, produtos com crédito mais sofisticado, high yield.

10- A MAG Investimentos tem na prateleira fundos high yield?
Não temos, apenas high grade. Nós discutimos, temos ideia de ter um produto com esta característica, e por enquanto só temos a parte de high grade, mas temos interesse. Agora, o mercado é cíclico. Hoje a gente está nessa taxa de juros alta, mas a gente sabe que isso vai inverter e é importante estar muito bem equipado na prateleira de produtos com os multimercados, de renda variável para quando o ciclo virar. Temos que ter produtos para atender os clientes. Em multimercados temos de baixa volatilidade e Macro, de volatilidade mais elevada. Não sei quando o mercado vira, é difícil dar um prazo, mas é importante estarmos preparados para quando ocorrer.

Quando dá para crescer os ativos sob gestão neste ano?
Eu acredito que gente continua numa velocidade de crescimento forte até pela renda fixa, crédito privado. No ano passado avançamos 40%, muito forte, e neste ano, se batermos em 30%, será super interessante.
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