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Peso das empresas de Inteligência Artificial preocupa regulador americano que vê “IA Washing”

Jiane Carvalho

Evan Epstein, diretor-executivo da UC Law San Francisco
Evan Epstein, diretor-executivo da UC Law San Francisco

A preocupação dos órgãos reguladores americanos com o tamanho e a capacidade de influência das big techs americanas, em particular das Sete Magníficas, foi o tema de palestra de Evan Epstein, diretor-executivo e professor adjunto do UC Law San Francisco fundador da Pacifica Global. A ideia que sustenta o crescimento das empresas de inteligência artificial nos Estados Unidos, de “benefício para a humanidade”, foi lembrada por Epstein como algo questionável.  “Algumas das empresas de IA estão fazendo incorporação de benefícios públicos, colocam em seu estatuto que são de benefício da humanidade, algo que eu tenho dúvidas”, afirmou Epstein na abertura do 25º Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), realizado em São Paulo (SP).  

Em sua participação, o especialista abordou com preocupação o domínio do Vale do Silício na economia e sobre as little techs que atraem bilhões em capital de risco e estão sendo adquiridas pelas maiores corporações. “As Sete Magníficas somadas valem mais de US$ 15 trilhões. Só para comparação, 89 das maiores empresas brasileiras, somadas, chegam apenas a US$ 89 bi. Tudo nos Estados Unidos hoje é direcionado para as bigh techs”, comenta Epstein.


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No grupo das Sete Magnificas estão Apple, Amazon, Alphabet, Meta, Microsoft, Nvidia e Tesla. “O crescimento excessivo destas empresas nos preocupa. O governo americano pensa em como usar lei antitruste porque elas são muito potentes. Estão comprando as pequenas empresas (little techs) e pela lei antitruste não poderiam, mas estão dando um jeito.”

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A ideia de que Inteligência Artificial (IA) é de interesse público foi questionada pelo especialista do Vale do Silício. “Algumas das empresas fazem incorporação de benefícios públicos, usam a ideia de que IA é benefício da humanidade, eu não sei qual é, mas está lá escrito. Chegam a falar em dever fiduciário em nome da humanidade.”

O especialista norte-americano lembrou que a SEC, órgão que regula e fiscaliza o mercado de capitais americano, começa a entrar nesta seara e tem entendido que há um "IA washing", versão da inteligência artificial para o green washing - uma estratégia que consiste em divulgar informações falsas sobre a sustentabilidade de uma empresa.

Evan Epstein citou exemplos como o OpenAI (Microsoft), Anthropic (Google), Inflection AI e xAI (Elon Musk). “Todas se intitulam de interesse da humanidade, mas têm modelos de governança diferentes. A Open IA é sem fins lucrativos, mas tem subsidiária com pequeno lucro permitido. Untropic adota um trust de longo prazo para eleger os executivos, em duas camadas de proteção de governança. Ninguém sabe como funcionará”, comenta.

O fundador da Pacifica Global, empresa com sede em São Francisco, Califórnia e que assessora conselhos de administração, conselheiros e principais executivos de empresas globais em temas de governança corporativa, lembrou as dificuldades nos modelos de governança das novas companhias do Vale do Silício, em particular a briga pelo poder na OpenAI.

O conselho da OpenAI no final do ano passado fez um movimento que pegou todos de surpresa e demitiu Sam Altman, CEO da companhia alegando “quebra de confiança entre o CEO e a diretoria”. Após uma investigação, Altman retornou ao cargo o que, na visão de Epstein, pode significar que o desenho dos controles internos de governança não era adequado. O conselho acreditava na época que demitir Altman poderia resolver os desafios de gestão que se apresentavam, mas não previu que desestabilizaria a empresa e levaria centenas de funcionários a ameaçar demissão com a saída de Altman.

“Pode ser considerado o maior golpe do Vale do Silício depois da demissão de Steve Jobs, e deixou todos furiosos, investidores e funcionários.  O Sam Altman voltou com força total. Foi um alerta enorme de governança inadequada. Uma empresa de US$ 86 bilhões iria implodir em um fim de semana por conta da governança, por uma estrutura mal feita.”