Menos remendo, mais estratégia

Gambiarra. A palavra, brasileiríssima, define aquele arranjo que se faz para resolver ou evitar um problema. Mas ela está longe de ser um patrimônio exclusivamente nacional. Não são raras as empresas ao redor do mundo que respondem aos riscos inerentes a seus negócios com um “jeitinho”. Às vezes funciona, às vezes dá errado. Mas é certo que os custos para se manter uma companhia cheia de remendos tende a aumentar a cada novo imprevisto, como numa bola de neve.
A solução? Na avaliação de Dennis Chesley, diretor global de risco e regulação da PwC, as organizações precisam parar de enxergar o risco como algo que deve ser controlado apenas quando aparece — ocasião em que enfim chega ao nível da estratégia. Ao contrário: todas as operações digitais, os projetos de novas plantas, a expansão para outros mercados, só para citar alguns exemplos, já devem ser concebidos com os riscos devidamente considerados.
Em entrevista à CAPITAL ABERTO, Chesley enumera as principais ameaças que rondam as empresas e apresenta caminhos para a prevenção.
Simplicidade
“Num mundo em que cada vez mais informações são digitalizadas, companhias de todos os setores podem ser vítimas de ataques cibernéticos. Divido esses ataques em cinco categorias, de acordo com seus objetivos: há os que querem fazer o sistema parar de funcionar; os que pretendem extrair informações de empregados e clientes; os que buscam roubar propriedade intelectual; os que têm objetivo político e os casos de ciberterrorismo, que usam a rede para espalhar pânico. Hoje boa parte das empresas adota ferramentas diferentes em sua infraestrutura digital para prevenir as invasões. Isso tem um custo alto, e não é incomum que as soluções acabem criando problemas — que exigem novas soluções e aumentam exponencialmente os gastos com prevenção de ataques. Uma boa maneira de se evitar esse tipo de ação é a adoção de sistemas mais simples. Um exemplo: uma empresa pode precisar verificar os dados dos clientes a cada etapa de uma compra online e ter que prevenir o roubo desses dados em todas as fases; em vez disso, poderia adotar um sistema que confirmasse os dados apenas uma vez, ou que sequer precisasse deles, o que seria possível, por exemplo, com a autorização do cartão de crédito para a liberação da compra.”
Geopolítica
“Durante um bom tempo, muitas empresas consideraram a geopolítica um risco relativamente pequeno, já que o cenário era previsível e estável. Mas temos visto o crescimento de movimentos nacionalistas em vários países relevantes. Isso acabou recolocando a política em evidência, principalmente para multinacionais que querem se expandir. Empresas com planos de fazer negócios em outros países precisam considerar cinco questões principais: acordos comerciais, trânsito de pessoas e produtos, volatilidade cambial, legislação tributária e cadeia de fornecimento de matérias primas e commodities. Mais uma vez, é necessário ir além dos controles e dos paliativos e incluir esses pontos no planejamento. Se uma empresa quer fazer aquisições em um país em que há risco de instabilidade tributária, talvez faça mais sentido pensar em outras formas de entrar naquele mercado, como parcerias com companhias locais. Antes da eleição de Donald Trump, trabalhamos com uma empresa mexicana que fez uma reserva de capital para lidar com as consequências de sua possível vitória, que poderia prejudicar empresas locais.”Catástrofes naturais

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