“A regulação deve focar o investidor comum”

Integração mundial “Acredito num mundo pacífico, com capitais fluindo entre as nações. É para esse caminho que a história mundial aponta. Muitos países emergentes estão crescendo e vão se tornar grandes mercados de capitais em conexão com outros mercados, como Estados Unidos, Europa e Japão. Por isso, precisamos pensar em como assegurar que recursos continuem circulando, de maneira responsável. Outra questão é como garantir que regras de um mercado não bloqueiem os fluxos de outro e vice-versa. Temos trabalhado bastante nisso. Montamos uma força-tarefa para pensar em formas de integrar diferentes regimes legais e lidar com eventuais conflitos entre eles. Existem várias maneiras de fazer isso — uma delas é o reconhecimento mútuo de jurisdições.”
Derivativos “A regulação de derivativos de balcão é um tema importante e complicado. É muito difícil obter dados robustos e relativamente padronizados sobre essas negociações, como existe para compra e venda de ações em bolsa. Há pelo menos 25 centros de armazenamento de dados sobre derivativos, que não compartilham informação. Nosso objetivo é que o maior número possível desses derivativos sejam negociados em ambientes com câmara de compensação, controle de riscos e dados integrados. Hoje, 50% dos contratos de swap passam por clearings. É mais do que antes, mas preocupa que metade deles ainda não siga esse caminho.”

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Acesso à informação “A dificuldade de obter dados sobre derivativos e outros produtos não é à toa. Estão em jogo tópicos complexos relacionados à privacidade e à propriedade da informação. Hoje, os dados são muito valiosos comercialmente. Várias bolsas, aliás, ganham mais ao agregar e vender dados do que ao realizar suas operações tradicionais. Os recentes escândalos mundiais de espionagem não ajudaram a trazer confiança para o princípio de intercâmbio de informações entre países ou instituições. Deve-se garantir, porém, que os reguladores tenham os dados necessários. Essa situação não ocorre hoje.”
Negociação em alta frequência “Temos analisado o problema dessas transações há alguns anos. Embora o assunto seja de grande importância, não está no topo da agenda dos reguladores agora. Se não podemos barrar o avanço tecnológico, temos que garantir que as negociações ocorram da forma mais justa possível. O high frequency trad- ing (HFT) está disponível a um grupo limitado de pessoas. Quais — e quantas — vantagens devemos permitir que esse grupo tenha? A regulação precisa se focar em assegurar que investidores comuns consigam executar suas ordens de compra e venda da melhor maneira possível. É nessas pessoas que devemos pensar, não nos grandes negociadores.”
Novas tecnologias “Ao invadir os mercados financeiro e de capitais, a tecnologia muda a forma como os negócios são feitos. Os intermediários podem ficar obsoletos ou menos importantes. O crowdfunding promete se tornar mais interessante que a abertura de capital para muitas companhias; é ótima solução para as pequenas e médias. Essas mudanças são potencialmente boas para o consumidor, mas podem tornar o mercado volátil. Reguladores terão que responder a isso. Como prevenir os riscos e evitar que uma pessoa gaste todo o seu dinheiro com um produto ruim? O avanço da tecnologia tende a tornar o suitability muito mais difícil, ou impossível.”
Foto: divulgação
