Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

Nova presidente da SEC encrenca com Jobs Act

Bruna Maia Carrion

O Jumpstart Our Business Startups Act (Jobs Act), assinado em abril de 2012 pelo presidente Barack Obama, continua controverso. A nova presidente da Securities and Exchange Commission (SEC), Elisse Walter, quer promover mudanças no pacote de leis e incentivos. Segundo notícias veiculadas pela imprensa internacional, ela não estaria satisfeita, por exemplo, com a alteração prevista pelo Jobs Act na regra 144-A, que permite a captação privada com um número ilimitado de investidores institucionais qualificados — os chamados qualified institutional buyers (QIBs), instituições que administram pelo menos US$ 100 milhões.

Após a lei, não há mais obrigação de o emissor manter a discrição na oferta, ou seja, de conter qualquer esforço público de venda. Os bancos de investimento e as empresas poderão, por exemplo, organizar eventos com investidores ou anunciar a captação em veículos de comunicação. A única exigência continua sendo a de que a venda efetiva se dê apenas para QIBs.

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Atenta aos perigos dessa prática, Elisse estaria analisando como incluir medidas de proteção aos investidores nas ofertas privadas. De acordo com a publicação Compliance Week, especializada em regulação, a presidente da SEC pretende seguir os passos de sua antecessora, Mary Schapiro, ao adotar uma postura voltada à proteção dos poupadores norte-americanos. A previsão era que a SEC regulamentasse os pontos da lei relativos à sua esfera de atuação em julho de 2012, mas a agência não o fez. No lugar, lançou, em agosto, uma proposta de mudanças nas regras para o mercado de capitais previstas pelo Jobs Act.

O levantamento de capital por meio de crowdfunding, também previsto no Jobs Act, é outra questão polêmica. Por meio dele, companhias fechadas poderão captar até US$ 1 milhão por ano (ou US$ 2 milhões, se forem auditadas) de vários pequenos investidores. O investimento é limitado a US$ 10 mil, ou 10% da renda anual, para pessoas físicas. Com isso, as empresas poderão, por exemplo, captar recursos pela internet.

Reportagem do Wall Street Journal sobre o assunto apurou que é bastante provável que a SEC não cumpra o prazoestabelecido para regulamentar esse tipo de captação: janeiro de 2013. Pouco antes de deixar o cargo, Mary Schapiro fez declarações demonstrando que o regulador está analisando cautelosamente todos os aspectos do novo instrumento.