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BNDES e Sebrae estimulam transparência nas PMEs

Yuki Yokoi

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estão coordenando um grupo de trabalho voltado a aprimorar o grau de transparência das pequenas, médias e microempresas - as PMEs. A primeira reunião do grupo aconteceu no início de junho. Além do BNDES e do Sebrae, estiveram presentes representantes do Instituto dos Auditores Independentes (Ibracon), da Serasa, do Programa de Aceleração do Crescimento para Pequenas e Médias Empresas (PAC-PME), da BM&FBovespa, do Tribunal de Contas da União (TCU), do Conselho Federal de Contabilidade, da Secretaria da Casa Civil e da Secretaria da Micro e Pequena Empresa.

De acordo com Vânia Borgerth, assessora da presidência do BNDES, a ideia surgiu após a adoção das normas internacionais de contabilidade (IFRS) no Brasil, com a Lei 11.638. A executiva considera que é preciso auxiliar as PMEs a lidarem com o impacto das novas exigências contábeis. "Elas ainda não aprenderam que transparência é uma importante ferramenta de gestão, inclusive para futuras transações", diz. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Sebrae apontam que o País possui 7,3 milhões de pequenas, médias e microempresas, o que representa 99% dos estabelecimentos comerciais brasileiros.

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Presente na reunião do grupo, Rodolfo Zabisky, CEO do grupo Attitude Global e um dos idealizadores do PAC-PME, acredita que será difícil difundir o princípio da transparência nesse segmento sem que os empresários enxerguem vantagem em abrir dados estratégicos para clientes e concorrentes. A vantagem, ou contrapartida, seria um incentivo tributário para que as empresas se listassem na bolsa e, assim, aderissem à cultura da transparência, afirma.

Na opinião de Álvaro Gonçalves, diretor-execu-tivo do grupo de private equity Stratus, o déficit de transparência das pequenas e médias não é gerado por falta de conhecimento, mas pelo arcabouço burocrático ao qual elas estão submetidas no Brasil - regras contábeis, tributárias, trabalhistas e regulatórias. Para ele, o programa deveria flexibilizar as inúmeras exigências aplicáveis e estimular a boa gestão contábil dessas empresas.