Alegrias de um espiritualista

“Existem técnicas bastante simples, como a da vela, que você pode fazer em casa”, aconselhava o diretor geral da Votorantim Asset Management, novamente com um sorriso. Sim, Van Dijk medita, fez terapia corporal energética durante anos e usa a respiração para afastar o estresse. Tem como ritual abrir, sem escolher a página, um dos muitos livros de pensamentos em sua cabeceira, e encontrar ali “instruções” para o dia que começa. Suas experiências e buscas espirituais lhe trouxeram o equilíbrio ao qual atribui boa parte das suas conquistas e que certamente é o segredo por trás da sua simpatia. Um equilíbrio que transforma em conquista até aparentes derrotas, como a curiosa história da eleição que perdeu para conselheiro da Bovespa, em 1994.
Van Dijk (pronuncia-se van daik) pleiteava, na época, a renovação de seu mandato no conselho de administração da Bolsa, contando com o apoio dos conselheiros para, em seguida, se tornar o primeiro presidente da instituição não proprietário de corretora. Seu currículo como executivo da Schahin Cury o credenciava: a corretora sob seu comando se notabilizara pelo departamento técnico pioneiro, responsável pela primeira operação no mercado de opções brasileiro, desenvolvida em conjunto com a Bovespa. Ele cumpriu um mandato como conselheiro da BM&F, em 1989, de onde saiu para o conselho da Bovespa, até chegar à vice-presidência da instituição, na gestão de Álvaro Augusto Vidigal.

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Foi graças ao convite de outro amigo, ex-colega do colégio Rio Branco, onde estudou por 13 anos, que van Dijk deixou a Schahin com a missão de montar uma joint venture entre os grupos Bradesco e Franklin Templeton. O portador do convite era o atual presidente da Vale, Roger Agnelli, que construíra a sua carreira no Bradesco, uma tradição no banco que o colega quebraria. “Minha primeira grande escola foi a Schahin, onde tive a alegria de ter o saudoso Hélio de Paula Leite como mestre”, lembra van Dijk, referindo-se ao seu professor no curso de Administração, na Fundação Getulio Vargas, que o indicou para estagiário na corretora.
Depois de quase 20 anos na Schahin, Van Dijk ficaria outros 12 no Bradesco. Ao desafio inicial da joint venture somou-se a responsabilidade pela estruturação da Bradesco Asset Management (Bram) — o que significou reunir ao todo nove instituições, entre as que já existiam e as aquisições realizadas pelo banco. “A diversidade de pessoas criou uma oportunidade muito rica. Acredito que só a partir das diferenças se constrói algo maior. Se cada um ficar sozinho, com a sua diferença, não se vai a lugar algum.”
Na Votorantim, onde chegou depois da entrada do Banco do Brasil (BB) como sócio, os desafios são bem diferentes dos que ele tinha na Bram: dinamizar as atividades de asset management e private banking, utilizando-se das sinergias da parceria com o BB. “São desafios diferentes, mas, ao mesmo tempo, um só, se considerarmos que tudo parte de gente”, afirma Van Dijk, tentando “ressignificar” aquilo que poderia parecer clichê corporativo. “Sempre procuro dar significado à minha experiência de vida”, conta. “Olho para trás, vejo a evolução do mercado em todos esses anos, sempre tem algo surgindo. Posso fazer um paralelo com a minha trajetória.”
Se, no presente, o orgulho é o sucesso do lançamento do fundo imobiliário do shopping Cidade Jardim (BB Votorantim JHSF), ao falar do passado Van Dijk recorda-se de uma “coincidência” — palavra que sempre faz questão de aspear, por acreditar mais em desdobramentos “causais” do que “casuais”. Na época de colégio, ele foi agraciado com sete prêmios Rotary, concedidos aos alunos com média acima de 9. “Alguns desses prêmios me foram entregues pelos Ermírio de Moraes, rotarianos. E veja que hoje estou trabalhando aqui. É uma alegria que guardo comigo.”

