Corretoras revisam estratégias em vista da desmutualização
O processo de desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) ainda nem começou, mas alguns efeitos da expectativa pela abertura de capital são notórios. As corretoras de valores projetam o aumento da competição e, desde já, revisam suas estratégias de negócio. Roberto Lombardi, da Interfloat, anunciou o início de suas atividades na área de gestão de recursos. Segundo ele, as corretoras perderão algumas regalias se confirmada a desmutualização. “Hoje há uma certa acomodação, principalmente porque o título patrimonial restringe o acesso de novos participantes. Se houver a abertura, perderemos alguns benefícios, como o programa de apoio tecnológico e demais serviços subsidiados pela bolsa. Em contrapartida, teremos um mercado com maiores chances de crescimento.”Para atender às novas demandas do negócio, as contratações crescerão 20% já no próximo ano. Após a desmutualização, as corretoras terão três possibilidades: ser apenas acionista da bolsa (ainda não existe um critério para a conversão dos títulos em participação acionária), ser só corretora (não será necessário ter títulos patrimoniais para poder atuar na corretagem) ou manter- se nas duas categorias. Diante do novo cenário, a São Paulo Corretora preferiu deixar a corretagem e passar a atuar somente na distribuição de valores mobiliários. “Aproveitamos a valorização dos títulos para dar essa guinada. Prevejo que haverá um processo de seleção natural entre as corretoras, já que a necessidade de capital tende a crescer em um ambiente mais competitivo”, afirma o diretor Jorge Ribeiro dos Santos. Para as corretoras que escolheram continuar atuando, a valorização dos títulos veio a calhar. A Finabank, por exemplo, aproveitou para se capitalizar. Vendeu seus títulos patrimoniais que excedem o mínimo para ser membro da bolsa paulista e apurou lucro médio de 800%. Os recursos serão investidos em tecnologia e na contratação de funcionários com o objetivo de aumentar a base de clientes. A realização de lucros, na verdade, estava nos planos da corretora há algum tempo. Os papéis haviam sido comprados há cerca de dois anos e meio na expectativa de internacionalização das bolsas, movimento que, à época, dava seus primeiros passos no exterior. “Chegamos a comprar um título por 50% do seu valor patrimonial, que hoje, já após a valorização, é de R$ 1,4 milhão”, comenta Edison Roberto Marcellino, diretor de renda variável. Na BM&F, onde também é corretora membro, a Finabank aderiu ao Programa de Qualidade Operacional (PQO). O projeto prevê até cinco selos de qualificação para as corretoras que atenderem às exigências de cada nicho de atuação — agronegócio, custódia de posições, trading profissional, mercado corporativo e prestação de serviços pela internet. “Esta é uma maneira de alinhar o posicionamento estratégico de cada corretora à nova realidade”, observa Marcellino.

