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Após dois anos, debêntures conversíveis voltam ao mercado

Yuki Yokoi

Três ofertas de debêntures conversíveis em ações (DCAs) estão em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e marcam a volta deste tipo de papel ao mercado. A última emissão do gênero havia sido em setembro de 2004, pela Cemar, no valor de R$ 73,6 milhões.

Os novos registros de emissão foram solicitados pela Gol Linhas Aéreas (cujo processo está temporariamente interrompido, a pedido da empresa), da WTorre Empreendimentos Imobiliários e da Zain Participações. Emílio Otranto, vice-presidente da Comissão de Mercado de Capitais da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), acredita que as ofertas de DCAs em estudo já sinalizam uma tendência a ser confirmada em 2007 e 2008. “Este pode ser o início do crescimento desse tipo de emissão. Há demanda no mercado”, diz.

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O ingresso de companhias de menor porte no mercado de ações pode fortalecer ainda mais o segmento. As debêntures conversíveis são consideradas um dos melhores mecanismos de acesso à bolsa. Captam recursos, tornam a companhia mais conhecida no mercado e dão ao investidor a chance de se tornar acionista quando o negócio estiver mais maduro. Na avaliação de Otranto, algumas das companhias que fizeram IPOs deveriam ter começado pelas DCAs. “Infelizmente, os IPOs não seguiram este raciocínio. O apetite dos investidores para a compra direta de ações era muito grande e as empresas acabaram pulando esta etapa, sob o risco de sofrer perda de liquidez com o passar do tempo”, afirma Otranto.

A queda dos juros também fomenta o interesse dos investidores pelas debêntures conversíveis. Atualmente, o papel mais utilizado é a debênture simples com pagamento de percentual sobre o DI. A remuneração, no entanto, vem caindo. Em 2006, a melhor taxa foi obtida em operação da Vigor, que pagou 110% sobre o DI, segundo levantamento de dados do Sistema Nacional de Debêntures (SND). No ano anterior, a Copel pagou a maior remuneração aos investidores: 115% sobre o DI, enquanto, em 2004, na emissão da Ferronorte, foram pagos 122% sobre o DI. Bianca Paschoal, gerente operacional do SND, prefere não arriscar dizer que esta seria uma tendência de crescimento das DCAs. “Mas não há dúvidas de que a conversibilidade é mais atrativa no mercado atual”, pondera.