Ofertas de ações devem esfriar em 2022
Há doze anos, as ofertas de ações (iniciais e subsequentes) movimentaram 149,2 bilhões de reais. Em 2021, esse montante atingiu 130,5 bilhões de reais, sendo que a maior parte dos recursos foi levantada para a realização de investimentos. As ofertas primárias responderam por cerca de 90 bilhões de reais e as secundárias (nas quais não há emissão de novas ações), por 40,5 bilhões de reais. Os dados são da B3.
O ano de 2021 foi particularmente positivo para os IPOs: 46 companhias estrearam na bolsa. Já as ofertas subsequentes foram protagonizadas por 26 empresas. Os volumes captados em cada uma dessas modalidades ficaram próximos: 65,6 bilhões de reais em follow-ons e 64,8 bilhões em IPOs.
A taxa de juros baixa foi a grande responsável pelo avanço do mercado de ações. Em 2019, ano em que a Selic começou a cair com mais intensidade, o volume financeiro das ofertas de ações alcançou 89,6 bilhões de reais. Em 2020, subiu para 117,8 bilhões de reais. Em março de 2021, entretanto, os juros começaram a ser elevados pelo Banco Central, e a tendência é que subam ainda mais neste ano. Por causa disso, a expectativa de profissionais do mercado, conforme noticiado pelo Valor Econômico, é que 2022 não repita o desempenho de 2021 — na visão deles, as ofertas de ações devem movimentar até 100 bilhões de reais.
Além disso, a expectativa de alta dos juros nos Estados Unidos e o processo eleitoral no Brasil tendem a aumentar as taxas de desconto utilizadas para precificar as ações, o que reduz o valor dos papéis e diminui o interesse das empresas em captar recursos na bolsa de valores. Ao mesmo tempo, esse panorama torna a renda fixa mais atrativa para o investidor do que o investimento em ações.
No entanto, isso não significa que não haverá oportunidades para ofertas de ações ao longo do ano: “Entendo que as janelas da oportunidade ocorrerão em um momento em que o quadro político relacionado ao perfil dos candidatos para presidência e suas pautas estiverem mais bem definidas”, afirma Rodrigo Pinheiro Barbosa, sócio do Nankran & Mourão Sociedade de Advogados.
Na entrevista abaixo, Barbosa aborda a atividade do mercado em 2021 e fala sobre suas expectativas para 2022.

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