Open banking: os riscos de uma boa iniciativa
O open banking, de forma geral, é um sistema financeiro aberto, no qual todas as instituições financeiras autorizadas pelo BCB e seus clientes acessam um sistema integrado de dados no qual podem contratar serviços e produtos de diversas instituições.
Atualmente, as instituições financeiras não têm acesso ao relacionamento dos consumidores dos concorrentes, o que dificulta a portabilidade entre instituições e/ou a oferta de serviços e produtos mais vantajosos. Com a abertura dessas informações, o cliente passa a ter mais autonomia no que diz respeito aos seus próprios dados e, principalmente, a seu relacionamento com as instituições.
Open banking no Brasil e no mundo
Mundialmente, o open banking vem crescendo de forma expressiva e se mostrando uma das grandes tendências para o futuro. Até o momento, contudo, poucos países conseguiram concretizar sua implementação, sendo que a União Europeia, o Reino Unido, a Austrália, a Nova Zelândia e o Brasil já estão em fase de implementação — o que demonstra o avanço do País em tal tema. Frisa-se que os Estados Unidos, normalmente pioneiros em tecnologias, ainda estão em fase mais embrionária e estudando a forma de sua adoção.Porém, para que o open banking possa funcionar de forma segura e ágil no Brasil, é mandatório que ocorra uma perfeita adequação do projeto do BCB à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), sendo imperativo que os consumidores autorizem o compartilhamento de seus dados, conforme manda referida legislação.
Implementação do ecossistema
Essa é a segunda fase do projeto que visa instalar o open banking no Brasil. Inicialmente, ela estava prevista para iniciar em 15 de julho deste ano, porém foi adiada após a solicitação de algumas instituições financeiras que ainda estão finalizando testes para implementação das APIs, entendidas como uma tecnologia que permite a integração dos dados. Sendo assim, a segunda fase foi adiada para 13 de agosto de 2021 e deve durar cerca de um mês.O adiamento, apesar de ser um imprevisto em um cronograma muito bem estruturado pelo BCB, vem carregado de um sentido maior: garantir a segurança das APIs, que visam a integração de sistemas, antes da inserção de dados dos consumidores. Em outras palavras, o adiamento demonstra a preocupação dos players do mercado financeiro em garantir a segurança do open banking para seus clientes, já que esse tema tem surgido como uma forte de preocupação de todos os envolvidos, sobretudo após a entrada em vigor da LGPD. Isso visa garantir, inclusive, uma maior adesão dos consumidores ao sistema financeiro aberto.
Open banking e a proteção de dados

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Diante disso, é possível dizer que a conquista de credibilidade será o grande desafio do open banking. E tal credibilidade somente será alcançada quando a segurança efetiva dos dados se tornar mais um predicado concreto do sistema financeiro aberto.
Enquanto de um lado há o progresso e a modernização trazida pela tecnologia, de outro lado há o temor de eventuais golpes, já que, embora o open banking tenha sido idealizado sobre as bases da LGPD, não há como garantir que as APIs, necessárias para a implementação do sistema, são plataformas digitais invioláveis, livres de ataques de hackers e outros criminosos digitais. Nesse sentido, por mais bem protegidas que as APIs sejam, uma pesquisa realizada pela F5 Networks, Inc., levantou incidentes de segurança ocorridos entre 2018 e 2020 e apontou que o setor financeiro é o principal alvo de ataques digitais. Além disso, o estudo indica que 50% das APIs do setor financeiro já foram alvo de ataques.
Em contrapartida, figuras importantes envolvidas no processo de implementação do open banking já se manifestaram esclarecendo que a segurança das APIs é um assunto exaustivamente discutido — não à toa que a fase de testes e homologação das APIs para garantir a segurança geral dos consumidores foi estendida.
Mesmo diante da confiança do BCB no projeto, resta o questionamento se as instituições financeiras e fintechs conseguirão convencer seus clientes a autorizar a inserção de seus dados em suas plataformas, já que haverá compartilhamento desses dados. A boa notícia é que as iniciativas do BCB até agora foram todas bem-sucedidas. E não apenas pela eficácia prática, mas também pela aderência da população. Ainda que tudo indique que o sistema financeiro aberto seja uma tendência mundial segura e confiável, será necessário convencer os próprios brasileiros de que esse é um bom projeto para que ele também se torne uma tendência no Brasil.
Colaborou Luisa Rafaela Olla Oliveira Ramos, advogada do L.O. Baptista Advogados
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