Oncoclínicas: perto de pedir RE, rede negocia com fornecedor

A Oncoclínica está perto de protocolar um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 3,3 bilhões em dívidas. Paralelamente, a empresa negocia um acordo com seu principal fornecedor, a Oncoprod, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto.
A dívida com a principal fornecedora de medicamentos para a Oncoclínicas soma R$ 1,05 bilhão. As negociações com a Oncoprod têm sido, até o momento, um dos entraves para renegociar o passivo da companhia, segundo a fonte.
Na lista de credores apresentada no pedido de recuperação extrajudicial, os detentores de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs), emitidos pela True Securitizadora, que pertence à Opea, concentram quase 50% do passivo.
A dívida com a Oncoprod não está incluída na lista de credores apresentada no pedido de recuperação extrajudicial da Oncoclínicas.
Na mesa de negociação, a proposta é parcelar a dívida junto à Oncoprod. Mas estas conversas ainda estão muito distantes de um acordo, disse a mesma fonte. Por ora, a gestora Lumina está financiando a compra dos medicamentos, acrescentou.
Empresa foca na reorganização da operação
A maior instituição privada de oncologia da América Latina protocolou o pedido de tutela de urgência cautelar em meados de abril. O pedido foi deferido pelo Tribunal de Justiça de São Paulo em 16 de abril.
A Oncoclínicas está focada na reorganização da operação e na redução do atraso nos tratamentos dos pacientes, segundo a fonte. A empresa já havia negociado a suspensão temporária de suas obrigações financeiras com algumas instituições financeiras e fornecedores, informou na petição inicial.
A Oncoclínicas também já havia iniciado um procedimento de mediação na Aliar.Cam Câmara Especial de Resolução de Conflitos Empresariais, uma câmara privada de arbitragem, conciliação e mediação, como parte dos esforços para renegociar sua dívida.

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O pedido de homologação da recuperação extrajudicial está sendo feito com a anuência de credores que representam pelo menos 33% dos créditos, conforme previsto na Lei nº 11.101/2005.
Contudo, a empresa deverá seguir a estratégia de Raízen e GPA, incluindo no pedido de recuperação extrajudicial um plano preliminar, sem apresentar as condições de pagamento.
Esta é a estratégia para manter a companhia protegida de eventuais execuções ou antecipação de dívida até que se chegue a um acordo sobre os termos financeiros do plano de reestruturação da dívida, de acordo com a fonte.
Por lei, prazo improrrogável para acordo é de 90 dias
A lei determina que o Plano de Recuperação Extrajudicial seja apresentado já no momento do pedido. Conforme o artigo 162 da Lei nº 11.101/2005, a empresa deve requerer a homologação em juízo do plano de recuperação extrajudicial, juntando sua justificativa e o documento que contenha seus termos e condições, com as assinaturas dos credores que a ele aderiram.
Ainda não há um acordo sobre o deságio previsto para pagamento das dívidas, segundo a mesma fonte. Os percentuais que estão, eventualmente, sendo veiculados na mídia são oriundos da proposta anterior que estava na mesa de discussão, acrescentou.
A expectativa da empresa é chegar a um acordo final para o plano de reestruturação da dívida em até 90 dias. O prazo é improrrogável, como previsto na lei que disciplina a recuperação extrajudicial.
O grupo vem enfrentando uma crise econômico-financeira nos últimos anos, por conta do progressivo descompasso entre a geração de caixa operacional e a disponibilidade de capital de giro, de acordo com a petição.
Em 31 de março, a posição consolidada de caixa e equivalentes de caixa da empresa totalizava R$ 124 milhões, em comparação com obrigações financeiras de curto prazo que somavam R$ 3,5 bilhões, de acordo com as demonstrações financeiras da empresa.
A divulgação de resultados do segundo trimestre de 2026 está programada para 12 de agosto, com teleconferência no dia seguinte.


