Itaú BBA capta R$ 90 milhões para Opção A da recuperação do GPA

A oferta de debêntures securitizadas coordenada pelo Itaú BBA atraiu cerca de R$ 90 milhões em adesões de credores interessados na Opção A do plano de recuperação extrajudicial do Grupo Pão de Açúcar (GPA), de acordo com fontes a par do assunto.
A demanda pela debênture securitizada foi bem forte, mas muito dentro do esperado, porque é uma solução melhor para o credor privado do GPA, disse uma das fontes.
A iniciativa representou um esforço grande por parte do banco Itaú BBA de acessar a base destes credores e explicar por que esta era uma solução melhor para esta classe de credores, acrescentou a mesma fonte.
No caso da XP Investimentos, que montou fundos de investimento para credores interessados em participar dessa mesma opção, o volume deve ser ainda maior porque a sua posição de custódia é superior à do Itaú, comentou uma das fontes.
A XP estruturou três fundos de investimento, dois deles para credores interessados nesta mesma opção, e o prazo para coleta de intenção de investimento terminou no dia 29 de junho.
XP e Itaú foram procurados para comentar sobre os veículos de investimento, mas não retornaram aos pedidos até o fechamento desta matéria.
Opções previstas no plano de recuperação
O plano de recuperação do GPA prevê três formas de pagamento. Na Opção A, exclusiva para credores com aporte mínimo de R$ 15 milhões, haverá o direito de subscrição de duas novas emissões de debêntures. Esses novos aportes limitam-se ao teto global de R$ 200 milhões.
A mobilização dos credores privados debenturistas e detentores de CRI para estruturar estes veículos de investimento é uma estratégia para contornar o elevado aporte mínimo e participar da opção que representa a melhor taxa de recuperação, de acordo com uma das fontes.

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Em comunicado a clientes, a XP explicou que, ao aderir a esses fundos, o investidor passa a ser representado pelo próprio fundo no processo. Essa estrutura consolida posições menores em um único credor, viabilizando o acesso a opções exclusivas do plano e ampliando o poder de negociação por meio da atuação coletiva.
A proposta da XP apresenta três veículos com estimativas distintas de recovery. O fundo inicial, condicionado a um novo aporte de capital, estima reaver 69% do crédito. O segundo veículo possibilita a adesão à Opção A sem novos desembolsos, prevendo retorno de 63% mediante custo anual de 0,30%.
O terceiro fundo funciona como uma estrutura coletiva para o acesso à Opção B por meio de debêntures de mercado, de acordo com o comunicado da XP. Embora a alternativa preserve todas as condições originais do plano, o investidor transfere a gestão do processo para o fundo, que passa a atuar de forma profissional e com votos exercidos em bloco.
Essa estratégia garante uma representação unificada e mantém o patrimônio em um ativo com liquidez superior àquela projetada para a Opção C, a XP acrescentou no comunicado.
No plano de recuperação extrajudicial do GPA, o deságio previsto para as demais propostas é de 70%. Na Opção B o credor recebe o saldo por meio de novas debêntures e na Opção C o pagamento é liquidado diretamente em dinheiro.
O grupo está buscando reestruturar R$ 4,6 bilhões em dívidas. Este plano contou com a adesão de 57,49% dos créditos sujeitos ao processo e traz como signatários os bancos Itaú, Rabobank, HSBC, BTG Pactual e a gestora Itaú Asset Management.
De acordo com o comunicado do GPA, divulgado na data de anúncio do acordo, o plano de recuperação extrajudicial proporcionará liquidez relevante e reduzirá em mais de R$ 4 bilhões os desembolsos a serem realizados pela companhia nos próximos dois anos, aliviando o fluxo de caixa no período.
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