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Multiplike aposta em crédito híbrido e coloca SCFI para funcionar 

Redação Capital Aberto

Volnei Eyng , CEO da Multiplike

Embora o mercado de crédito corporativo no Brasil, que já alcança R$ 3,4 trilhões, siga em expansão, ele ainda enfrenta desafios de eficiência. Esta é a visão que gerou na Multiplike a ideia de implementação de um novo modelo híbrido de crédito.

A intenção é combinar a flexibilidade e a capacidade de estruturação do mercado de capitais à infraestrutura e à eficiência operacional dos bancos.

A casa iniciou em abril a operação de sua Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento (SCFI) e pretende originar R$ 20 bilhões de recebíveis este ano.

O conglomerado já conta com diferentes frentes de negócio, como securitizadora, FIDC, gestora e agora a SCFI. 

“A Multiplike é um conglomerado que tem uma instituição financeira. Isso nos deixa tributariamente muito competitivos contra as operações dos grandes bancos tradicionais. Também ficamos com a operação chegando na experiência do cliente totalmente verticalizado, consigo fazer tudo dentro de casa”, conta Volnei Eyng, CEO da Multiplike.


Entenda as estruturas que estão moldando o novo mercado de crédito no curso “MODALIDADES DE FIDCs“


Com a estrutura, é possível manter a operação em casa sem a necessidade de muitos elos na cadeia. O mercado de estruturados, especialmente de FIDC cresceu, e para o executivo, a partir do momento que se ganha mais fôlego, existe um caminho natural de virar instituição financeira.

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“A estrutura completa atende o cliente de uma maneira que o dinheiro chegue mais barato, com um custo menor e com uma experiência onde, numa época de LGPD, onde dados são o novo petróleo, quando ele se expõe só dentro da Multiplike, a empresa se sente bem”, diz o CEO.

A casa fez uma jornada de desbancarização, mas “chega um momento em que precisa ser banco” para atingir um nível de cliente exigente. Além disso, a Multiplike destaca situações tributárias com alguma anomalia, por exemplo, isenção de imposto de renda como na LCI, no imobiliário e no agronegócio, bolso que o FIDC não consegue alcançar. 

“A gente consegue captar dinheiro através de LCI e LCA, que não conseguíamos por meio do FIDC. Então, o que procuramos com essa operação? Melhorar a qualidade de um passivo da Multiplike, com dinheiro mais barato, para entrar em uma estrutura de operação que não era possível antes”, conta Eying. 

A casa entrou com o pedido no Banco Central para a SCFI em janeiro de 2023, mas recebeu a autorização apenas em agosto de 2025, devido à alta segurança da entidade em relação ao tema, e passou meses montando uma estrutura robusta de ERP e tecnologia, iniciando as operações apenas em abril deste ano.

Embora o cenário seja diferente de quando iniciou o projeto, quando a taxa Selic no Brasil estava entre 8% e 9% e agora está em 14%, a Multiplike não vê esse fator como problema, visto que é um negócio de longo prazo.

A perspectiva é que haja um incremento na base de clientes também. Atualmente, a casa atende médias e grandes empresas no Brasil que tenham bom rating, mas tem investido em tecnologia para passar a atender pequenas empresas também. 

A intenção é ampliar o rol quando alcançar operações com um maior nível de inteligência artificial e automatização, nas quais a casa vem trabalhando. Apenas nos últimos 16 meses, a Multiplike contratou em torno de 50 pessoas na área de tecnologia para desenvolver isso. A casa vai baixar o ticket de empresa atendida.