Concentração em teses por EFPCs acende alerta entre gestores

A diversificação de investimentos é tema constante de discussão no mercado. Embora seja tese central na mitigação de riscos, ainda há classes nas quais há pouca adesão, especialmente para investidores mais conservadores como os fundos de pensão, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs).
Segundo executivos, as EFPCs discutem a classe de investimentos alternativos já faz muito tempo, no entanto essa alocação ainda cresce de forma gradual. A perspectiva, no entanto, é que a visão mais “curto prazista” no Brasil mude, favorecendo mais alocações nessa classe.
O tópico foi tema de discussão no 15º Seminário de gestão de investimentos nas EFPCs, realizado pela Abrapp nesta quinta-feira (7), com a contribuição de Fabio Mazzeo, associado de Relações com Institucionais da Fram Capital e Renato Abissamra, sócio da Spectra Investimentos.
“Houve uma grande concentração em título público. Todo mundo falou isso. A pergunta que fica é, no plano de contribuição definida, investir em título público resolve o problema do seu participante? Já que quem assume o risco da longevidade, num plano de contribuição definida, e da manutenção do custo de vida é o próprio participante”, disse Mazzeo.

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O executivo destaca que a pressão do dia a dia, da própria imprensa e até do sistema de regulação levam o segmento a tomar decisões que, muitas vezes, olham o curto prazo. Citando o investimento em outras classes, Mazzeo diz que investir na economia real é uma necessidade.
“Nem vou falar em renda variável, em ações, que é investir na economia real via capitalização das empresas, porque nisso sempre acreditei…o foco em ALM era algo que precisava ser visto no longo prazo. Olhar o longo prazo não é tão simples assim. Ativos de infraestrutura e energia possuem, de modo geral, hedge para a inflação. Estamos vocacionados para isso”, diz.
O executivo lembra que o segmento está 84% alocado em renda fixa, enquanto “no mundo desenvolvido, razoavelmente, no mínimo se tem 40% em em hedge funds ou em alternativos”. “Nós não somos rentistas do governo, ou não devemos ser”, aponta, dizendo que a solução é ter comitês independentes e diligências rigorosas.
Renato Abissamra, sócio da Spectra Investimentos, por sua vez, também destaca que um dos erros mais comuns das EFPCs é a alta concentração de risco em teses como, por exemplo, no segmento de infraestrutura.
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