Andrade Gutierrez pede recuperação extrajudicial por dívida de R$ 3,4 bi
A Andrade Gutierrez entrou com pedido de recuperação extrajudicial na 1ª Vara Empresarial de Belo Horizonte para reestruturar R$ 3,4 bilhões em dívidas, de acordo com a petição inicial.
A empresa alegou na petição que sofreu novas adversidades, que impactaram sua capacidade de pagamento, incluindo a interrupção e postergação de cerca de 47% da carteira de projetos da empresa, o que afetou negativamente seu fluxo de caixa.
Entre os projetos interrompidos, a empresa citou a suspensão da operação de revitalização de 63km de rodovia em Gana, que representava cerca de 15% da carteira de projetos da empresa, equivalente a R$1,4 bilhão.
A Andrade também citou a postergação da construção da Usina Hidrelétrica Las Placetas, localizada na República Dominicana. Este projeto corresponde a cerca de 32% da carteira de projetos da empresa, totalizando R$ 3,2 bilhões, de acordo com o mesmo documento.
Além da interrupção dos projetos, a Andrade Gutierrez argumentou que a pressão cambial decorrente da valorização do dólar, contribuiu para aumentar o custo das dívidas em moeda estrangeira. Com isso, a empresa deixou de pagar em dezembro de 2024, da parcela de juros das Notas Internacionais com vencimento em 2029.
Do lado doméstico, a manutenção de elevadas taxas de juros contribuiu para puxar o custo das dívidas em moeda local, inclusive daquelas assumidas perante autoridades governamentais.

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Diante deste cenário econômico desafiador, a empresa ajuizou a recuperação extrajudicial, para reestruturar, de forma coordenada, os créditos abrangidos pelos planos que a empresa assumiu por conta da renegociação de dívida firmadas no âmbito da Operação Lava Jato.
Segunda recuperação extrajudicial
Esta é a segunda vez que o conglomerado recorre a esse instrumento financeiro. Na primeira vez, a empresa pediu a recuperação extrajudicial depois do impacto da investigação da Operação Lava Jato, que afetou suas operações à época.
Em 2018, a empresa assinou com o Ministério da Transparência e Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) um acordo de leniência com a Andrade Gutierrez, investigada na Operação Lava Jato por ilícitos contra a Petrobras e outros órgãos federais.
Pelo acordo, a empresa concordou em pagar um total de R$ 1,49 bilhão ao longo de 16 anos, com correção pela taxa Selic, podendo atingir cerca de R$ 3,6 bilhões ao final do prazo.
Além disso, como parte da renegociação do seu plano de recuperação extrajudicial de 2022, a empresa concordou em refinanciar suas dívidas de notas internacionais (bonds) vencendo em 2021 e 2024, por novos títulos com vencimento em 2029, totalizando R$ 2,4 bilhões.


