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Raízen: Credores locais correm risco de ficar em segundo plano na renegociação

Fabíola Gomes

Centro de distribuição da Raízen em São Paulo. | Foto: Victor Moriyama/Bloomberg
Centro de distribuição da Raízen em São Paulo. | Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

A desorganização dos debenturistas ameaça o poder de barganha dos credores privados locais na reestruturação da Raízen. A demora em formar um bloco unido pode deixá-los em desvantagem frente a outros grupos nas negociações.

Se os detentores de CRA e debenturistas da Raízen se unirem eles terão volume de crédito suficiente para ser o fiel da balança em qualquer proposta de plano de recuperação que venha a ser votado pelos credores, afirmaram duas fontes a par do assunto.

Sempre depende de como avançam as negociações com a empresa, mas uma convergência de CRAs e debêntures é decisiva para o quórum, disse uma das fontes. “Se juntar CRAs e debêntures, dependendo de adesões nos outros grupos, eles podem ser o fiel da balança,” disse esta fonte.

Porém, os credores locais, até o momento, estão sem espaço na negociação, disse uma terceira fonte a par da situação.

Até o momento, os debenturistas da 4ª emissão de debentures simples aprovaram a contratação da assessoria financeira Journey, conforme a ata da assembleia de 8 de janeiro.

O processo para contratação de assessores legais está confuso entre os debenturistas, disse a primeira fonte. Não está claro porque a contratação do escritório de advogados não saiu na mesma ocasião da contratação do assessor financeiro, disse esta fonte.

O escritório Felsberg Advogados e a assessoria financeira Journey Capital já foram contratados pelos donos de CRA para esta negociação com a Raízen, a mesma fonte disse. É bem provável, que os debenturistas sigam o mesmo caminho, acrescentou.

Os créditos de donos de CRA e dos debenturistas, respectivamente terceiro e quarto credores da empresa, superam R$ 12 bilhões, de acordo com informações da lista de credores da empresa incluída no pedido de recuperação extrajudicial da empresa.

Conversas com credores internacionais

Enquanto isso, o grupo de detentores internacionais de dívida e bancos já estão em conversas diretas com a empresa. Após reuniões em Nova York estes credores vêm avançando nas propostas e contrapropostas, e reivindicando mudanças no plano de reestruturação pela empresa.

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No movimento mais recente, este grupo de credores apresentou proposta à empresa, que inclui injeção de capital de R$ 8 bilhões e a saída de Rubens Ometto, fundador da controladora Cosan, de acordo com informações da Bloomberg News.

A proposta inicial da empresa prevê, entre outras medidas, a contribuição de capital de R$ 3,5 bilhões por parte do Grupo Shell e de R$ 500 milhões por parte do veículo controlado pela Aguassanta Investimentos S.A., da família de Rubens Ometto Silveira de Mello, acionista controlador e fundador da Cosan, conversão de 45% do endividamento em capital e alongamento do saldo remanescente da dívida.

Mas a proposta é questionada no mercado, segundo uma terceira fonte que questiona a ausência de um aporte de capital da própria Cosan, que foi a grande responsável pelas tomadas de decisão que se mostraram equivocadas na gestão da Raizen. Além disso, a Raízen propõe a continuidade do processo de simplificação de seus negócios, com avaliação e venda de ativos não estratégicos.

Os investimentos em etanol de segunda geração E2, em meio a uma estratégia de crescimento acelerado da Raízen, contribuíram para o aumento do endividamento e consequente elevação da alavancagem da empresa, de acordo com a petição inicial.

Como fica o aporte de acionistas

Por outro lado, parte da decisão sobre aporte na Raízen depende também do aval de um dos acionistas da Cosan, o veículo de investimento do BTG Holding, que detém fatia de 22.86% das ações preferenciais da Cosan, observou uma das fontes.

Na estrutura societária, o grupo de controle inclui a Vertiz Holding, que tem fatia de 24,19%, enquanto o veículo de investimento Aguassanta, da família Ometto, tem 16,95%.

Os bancos locais devem dar uma segurada no crédito das empresas da Cosan caso o grupo não seja construtivo na negociação, observou a terceira fonte. Isso deve inclui as assets destes bancos, que compram boa parte das debentures, acrescentou a mesma fonte.

A Raízen pediu recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 65 bilhões em dívidas, já com o consentimento prévio de credores que equivalem a cerca de 47% deste total. Entre os maiores credores, estão o Banco New York Mellon e grupo ad hoc de bondholders, de acordo com a lista de credores.

Procuradas pela reportagem, Raízen e Cosan disseram que não vão comentar. BTG, Journey Capital e Feslberg Advogados não retornaram imediatamente solicitação de comentários.

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